México

Brilho solar

O futebol paraguaio tem sido dominado por equipes, digamos, “alternativas”. Depois de entrarem em crise profunda, Cerro Porteño e Olimpia sofrem com seu próprio tamanho para se reerguer. Assim, os times médios, como Libertad, Guarani, Sportivo Luqueño e Nacional ganharam espaço, principalmente o primeiro da lista. Mas, no Clausura 2008, um time ainda mais inusitado tem assombrando. É o Sol de América.

Apesar do nome curioso (que pode motivar alguma gozação), o Sol de América não é um clube minúsculo. Os solenses contam com o time de basquete mais tradicional do Paraguai (o que não significa muita coisa). No futebol, o período de glória foi a década de 1980, quando os Danzarines foram campeões paraguaios duas vezes e tiveram como técnico o húngaro Ferenc Puskas.

Depois desse bom momento, a equipe do Barrio Obrero (o mesmo do Cerro Porteño) entrou em decadência e passeou pela segunda divisão. O Sol de América retornou apenas em 2007, fazendo campanhas discretas até o Clausura 2008. No atual torneio, os solenses têm 27 pontos e ocupam a segunda posição, apenas dois pontos atrás do líder Libertad.

A principal arma do Sol de América é o estilo de jogo ofensivo. O time montado pelo técnico Carlos Jara Saguier tem o melhor ataque da competição, com 27 gols (quase dois por partida). O seguidor mais próximo nesta estatística é o 12 de Octubre, com 23. Além disso, conta com o artilheiro do Clausura: Edgar “Pájaro” Benítez, com 12 gols.

É evidente que o oportunismo de Benítez se evidencia no esquema de Saguier, mas é preciso reconhecer o mérito de outros jogadores solenses. José Maria Ortigoza é um bom companheiro de ataque, usando seu bom porte físico para abrir espaço a Pájaro. No meio-campo, Marcos Pereira e o uruguaio Luis Cupla providenciam a dose necessária de criatividade ao time.

Não é uma estrutura muito diferente da utilizada no Apertura, quando os solenses terminaram apenas na sexta posição, com os mesmos 27 pontos que têm no momento (mas com sete partidas a mais). A diferença é que, no segundo semestre, o jogo “encaixou” e a defesa se tornou um pouco mais confiável, dando suporte para um ataque que já era produtivo.

Com essa filosofia de jogo, o Sol de América conquistou resultados convincentes, como vitória por 4 a 3 sobre o Olímpia, 2 a 0 e 3 a 2 no Nacional e 3 a 0 no Sportivo Luqueño fora de casa. Dificilmente terá força para superar o favorito Libertad, que tem um elenco mais completo, caro e experiente. No entanto, já recoloca o time do Barrio Obrero de volta às manchetes. Mesmo sem ter a força da década de 1980.

Aos poucos, voltando ao normal

À medida em que vão se definindo os classificados para as quartas-de-final, a Liga dos Campeões da Concacaf vai ficando com uma cara mais… normal. Houve e continuam havendo grandes surpresas no torneio, mas muitas delas não foram suficientes para evitar que a maior parte dos favoritos seguisse na competição.

No Grupo B, o Luis Ángel Firpo, de El Salvador, asseguraria a classificação se vencesse em casa o Houston Dynamo. No entanto, tomou um gol no primeiro tempo e conseguiu no máximo um empate nos minutos finais. Agora, em um jogo adiado da primeira rodada, os salvadorenhos precisarão de novo empate com os texanos. Mas, desta vez, em território norte-americano.

O Grupo C foi um pouco mais previsível, com Atlante e Impact de Montréal assegurando classificação com antecedência. Ainda assim, houve alguns reajustes no final. Com uma vitória no confronto direto da última rodada, os mexicanos terminaram o grupo – dominado pelos canadenses desde o começo – na primeira posição.

O Grupo D não teve destino tão diferente. Apesar de alguns tropeços e futebol pouco convincente, o Santos Laguna conseguiu terminar na primeira posição Puerto Rico Islanders e Tauro empataram no segundo lugar, com vantagem dos porto-riquenhos no confronto direto. Ainda que a classificação dos caribenhos seja inesperada, as demais opções da chave não eram das mais convencionais (o último colocado foi o Municipal, da Guatemala).

Nesse cenário, s únicas surpresas estão reservadas para o Grupo A. Nesta quarta, o Cruz Azul perdeu do Saprissa em um jogo muito aguerrido – e algo violento – em San José. Com esse resultado, as duas equipes dividem a liderança com o Marathon, de Honduras. Para tornar a situação dos mexicanos extremamente delicada, só falta uma partida no grupo: entre hondurenhos e costarriquenhos. Ou seja, um empate ou uma vitória do Monstruo Morado – nesse caso, pelos critérios de desempate – elimina a Máquina Cementera junto com o DC United, lanterna da chave. A esperança dos azuis é na vitória do Marathon, que joga em casa.

México: Deu Chivas

América x Chivas sempre é um jogo fundamental. Mesmo quando não há tanta relevância para o campeonato, a rivalidade sempre torna essa partida uma das mais aguardadas de cada campeonato. Era mais ou menos o caso do Clásico de Clásicos do domingo passado. No entanto, o encontro ainda seria importante em médio prazo porque ambos começaram muito mal o Clausura e tentavam reagir.

O América precisava a vitória para se colocar – ainda que como azarão – na luta por um lugar na repescagem. As Chivas já estavam na briga pelas vagas no mata-mata, mas uma derrota poderia recolocá-los em situação delicada. Por isso, vencer era mais que derrotar o maior rival. Era também ficar em uma posição estrategicamente mais confortável.

Nesse contexto, as Chivas mostraram que sua reação no campeonato era mais consistente que a do rival. Mesmo jogando no estádio Azteca (com torcida e altitude contra), o Rebaño esteve mais confiante para buscar a vitória.

Ramón Díaz decidiu inovar e montou o América com uma pouco utilizada linha de três zagueiros. Efraín Flores foi inteligente ao usar essa falta de entrosamento do oponente. Ele colocou o chiverío para jogar de modo ofensivo, pressionando a defesa adversária desde os primeiros minutos. Desnorteadas, as Águilas acabaram cedendo: em 11 minutos, já estavam atrás no placar.

O América só equilibrou a partida a partir da metade do primeiro tempo, com dois lances relativamente fortuitos em seqüência: um chute de longa distância que bateu no travessão tapatío e o gol de empate, com Sebá Dominguez concluindo de cabeça uma cobrança de escanteio.

A partir daí, foi um duelo da cadência azulcrema contra a velocidade rojiblanca. Isso ficou evidente no gol que deu a vitória às Chivas. Cabañas perdeu a bola no ataque. Ávila lançou Arellano, que fez tudo sozinho no contra-ataque: ganhou na velocidade de Sebá Dominguez e tocou fora do alcance de Ochoa.

As Águilas pressionaram, ainda mais depois que Magallón sentiu dores e deixou as Chivas com um jogador a menos. Cabañas acertou a trave no último minuto, mas não conseguiu impedir a derrota dos capitalinos no maior clássico do México.

O resultado praticamente tira o América da disputa de um lugar na repescagem e consolida as Chivas na briga pela liderança do grupo 2. Com 21 pontos, o Rebaño só perde a liderança nos critérios de desempate contra Tecos de la UAG e Morelia. E, se chegarem ao mata-mata, vai ser difícil segurar os rojiblancos.

SELEÇÃO DA RODADA

Veja a seleção da 14ª rodada do Apertura mexicano do site Medio Tiempo.
Adrián Martinez (San Luis); Xavier Báez (Chivas de Guadalajara), Michael Orozco (San Luis), Ismael Fuentes (Jaguares de Chiapas) e Jorge Torres (Atlas); Patrício Araújo (Chivas de Guadalajara), Braulio Luna (San Luis), Sergio Santana (Chivas de Guadalajara) e Darío Botinelli (Atlas); Omar Arellano (Chivas de Guadalajara) e Horacio Peralta (Puebla). Técnico: Efraín Flores (Chivas de Guadalajara).

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Equipe Trivela

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