México

Bogotá, prefeitura millonaria

Problemas enraizados são muito difíceis de resolver. É exatamente a situação do Millonarios, clube mais popular e com mais títulos da Colômbia. O clube ficou anos sob o domínio de narcotraficantes. E só agora, quase duas décadas depois o ápice de sua crise institucional, dá passos mais definitivos para se tornar independente de fato.

Nesta semana, a prefeitura de Bogotá anunciou que comprará as ações do clube que estão em posse do governo federal. Em teoria, isso não soa muito interessante. Afinal, influência estatal no futebol é algo geralmente nocivo. Ainda mais em países de terceiro mundo, em que a população tem problemas mais sérios para serem resolvidos pelo poder público. Mas o caso do Millonarios é diferente. A prefeitura bogotana se propõe a ser apenas uma intermediária em um processo.

O problema vem desde a década de 1980. Na época, o time era comandado pelo traficante Gonzalo Rodríguez Gacha, conhecido como “El Mexicano” e dono de 30% das ações do clube. Com o dinheiro das drogas, os azuis tiveram um time forte e foram campeões colombianos em 1988. No ano seguinte, caminhavam para o bicampeonato (eram líderes) quando o árbitro Álvaro Ortega foi assassinado pelo Cartel de Medellín (que controlava o Atlético Nacional). O campeonato foi suspenso e o Millonarios perderam a oportunidade de comemorar o título.

No final daquele ano, El Mexicano foi morto pela polícia colombiana. Suas ações do Millonarios foram repassadas a seus familiares. No entanto, o governo sabia que tal participação no clube fora comprada com dinheiro sujo e houve intervenção para confiscá-la. Foram dez anos de disputas na Justiça até que, em 1999, o poder público – via DNE (Departamento Nacional de Estupefacientes) – tomou para si uma parte dos embajadores.

O problema é que, enquanto suas ações foram alvo de litígio, o Millonarios ficou à deriva. O clube acumulou um enorme passivo e os resultados em campo acompanharam a decadência. Depois de saneadas as dívidas, o governo colombiano ofereceu sua participação nos embajadores à prefeitura de Bogotá. A idéia é que o governo municipal tenha condições de negociar adequadamente o controle do clube com empresários locais.

Começa o Finalización na Colômbia

Uma semana depois da decisão do Apertura, a Colômbia já dá início a seu torneio de segundo semestre. Neste fim-de-semana, começa o Finalización (equivalente ao Clausura). O torneio tem o mesmo regulamento do congênere da primeira metade do ano: os 18 clubes se enfrentam em jogos de ida, com uma 18ª rodada com repetecos dos dérbis locais e regionais; os oito melhores formam dois grupos de quatro equipes, que se enfrentam em dois turnos dentro das chaves; o campeão de cada grupo faz a final.

Surpreendente campeão do Apertura, o Boyacá Chicó concentrará muitas atenções. A equipe manteve a base do primeiro semestre, conseguindo, inclusive, manter em Tunja o atacante argentino Caneo. Ainda que não seja um time à prova de erros, já é o suficiente para colocar os boyacences como candidatos ao título.

Apesar das credenciais do Chicó, quem pinta como favorito é o Once Caldas. O clube de Manizales investiu pesado em contratações, trazendo o técnico Jorge Luis Bernal (ex-Cúcuta) e Ciciliano, Mosquera, Jorge Vidal e Ivan Velásquez. Com uma base forte e a vantagem de mandar seus jogos na altitude, os blancos têm condições de recuperar o lugar entre as forças do país.

Outro time sem tanta tradição, mas que ocupa espaço destacado nos últimos anos é o Cúcuta. Os motilones mantiveram a base que fez boa campanha na Libertadores e têm condições de surpreender na primeira fase, ainda que um título seja difícil de imaginar.

Os pequenos e médios mostram força nesse início de torneio, mas isso não significa que os grandes ficaram parados no mercado. O Millonarios contratou o goleiro Óscar Córdoba (ex-Boca Juniors), os defensores Ivan Hurtado e Miguel Rojas e ainda tenta trazer o bom atacante panamenho Tejada. O rival bogotano Independiente Santa Fe investiu bem menos, mais preocupado com o amistoso com o Real Madrid. Assim, os cardenales se limitaram a manter a base que fez boa campanha no Clausura e incorporar o técnico hernán Darío Gómez, ex-seleção equatoriana.

O Atlético Nacional também aparece com novidades. Apesar de perderem nomes importantes como o goleiro Ospina e o atacante Murillo, os verdolagas levaram para Medellín nomes interessantes como Carlos Rentería e John Charía. Como o time já era bom, dá para dizer que o Nacional tem o elenco mais completo da Colômbia no momento. Ainda que nem sempre isso se traduza em resultados.

O Independiente Medellín preferiu investir na comissão técnica. Para o lugar de Juan José Peláez, contratou Santiago Escobar e todo seu staff. O treinador chega com um currículo razoável, que inclui dois títulos nacionais: um pelo Atlético Nacional e outro pelo Estudiantes de Mérida, da Venezuela.

Os grandes que ficaram mais discretos foram os de Cáli. O América manteve a base vice-campeã do Apertura, o que não é uma boa notícia. O clube tem limitações no elenco e sofrerá com a divisão de atenções entre Campeonato Colombiano e Copa Sul-Americana. Situação parecida com a que vive o Deportivo Cali, que manteve o time que fez uma campanha discreta no primeiro semestre e também tem a competição continental pela frente.

Na parte de baixo da tabela, merecem atenção o Deportivo Pereira e o Atlético Junior. Ambos têm sérias dificuldades na tabela do promedio, mas se reforçaram bastante. No Pereira, o destaque é o técnico Luis Fernando Suárez, que ficou conhecido por levar o Equador até as oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2006. Na equipe de Barranquilha (o sétimo grande da Colômbia), a estrela é o meia Giovanni Hernández, ex-Colo-Colo.

Considerando que Quindío, Bucaramanga e Envigado vivem dificuldades financeiras e investiram pouco para o semestre, não é inviável imaginar que Pereira e Junior se recuperem no Finalización.

Peñarol e Nacional pertos da Libertadores

Com uma facilidade até inesperada, o Peñarol venceu o Nacional por 2 a 0 no superclásico da Liguilla 2008. O placar não reflete a superioridade dos carboneros, que finalizaram 11 vezes contra apenas três dos bolsos, mas deixa evidente o bom momento que vivem os aurinegros, ainda que as derrotas para o Defensor Sporting na final do campeonato e na Liguilla deixem um gosto meio amargo.

O ponto de desequilíbrio do clássico disputado no Centenário foi o trio Pacheco-Estoyanoff-Carlos Bueno. Os dois primeiros foram imarcáveis para o meio-campo do Nacional. Assim, tinham liberdade para criar jogadas e encontrar Bueno, atacante muito móvel e perigoso, em condições de finalizar.

Os lances de perigo – e os gols – surgiram com naturalidade. Bueno abriu o marcador aos 8 minutos o primeiro tempo. Aos 25 minutos do segundo tempo, o atacante sofreu pênalti convertido por Pacheco. No resto do tempo, o Peñarol só não fez outros gols porque o goleiro Viera estava em tarde inspirada.

Apesar da derrota, o resultado não foi de todo ruim para o Nacional. Como o Defensor Sporting perdeu para o lanterna Rampla Juniors, os bolsilludos mantiveram a liderança da Liguilla, com 7 pontos, empatado com os violetas e o Peñarol. Considerando que os dois melhores – sem contar o Defensor – ganham vaga para a Libertadores, os dois gigantes uruguaios estão em situação relativamente confortável.

Faltando uma rodada, Nacional e Peñarol precisam apenas vencer suas partidas, contra Danubio e Rampla Juniors. Os peñarolistas têm pequena vantagem, pois enfrentam uma equipe já eliminada. O Danubio, com 4 pontos, ainda tem remotas chances (precisam vencer o Nacional e torcer por tropeço do River Plate contra o Defensor para forçar um jogo extra).

Ainda assim, a tendência é que as duas potências do Uruguai disputem juntos a Libertadores. Algo que não ocorre desde 2005. Pensando em longo prazo, ver os grandes recuperarem um pouco de sua força só pode ser encarado como boa notícia.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo