Balanço do Clausura mexicano

Futebol latino-americano parado para as Eliminatórias, surge um bom momento para se fazer um balanço do semestre. Como alguns países sul-americanos (Uruguai, Peru, Colômbia, Equador e Bolívia) ainda têm campeonatos em andamento, não dá para falar deles ainda. Então, é a vez do México, que teve no Santos Laguna um merecido e raro campeão.
Santos Laguna
Classificação final: campeão
Expectativa inicial: lutar pelo título
Nota da campanha: 10
Destaque: Daniel Ludueña (meia)
Os laguneros já deveriam ter sido campeões no Apertura. A equipe já estava formada, jogando um futebol competitivo, com ataque incisivo e defesa segura. No entanto, acabou perdendo por um dia ruim no mata-mata. Desta vez, o acaso não apareceu. Comandados por um meio-campo que conta com dois jogadores acima da média como Ludueña e Arce, que municiam a dupla Vuoso-Benítez no ataque, o Santos teve potência ofensiva para se impor aos adversários. Terminou a primeira fase com a segunda melhor campanha e terminou a competição com apenas duas derrotas, vencendo duas das três partidas como visitante no mata-mata.
Cruz Azul
Classificação final: vice-campeão
Expectativa inicial: lutar pelo título
Nota da campanha: 8
Destaque: César Villaluz (meia)
A Máquina Cementera ficou nas primeiras posições desde a metade do campeonato, mas é justo dizer que não chegou a empolgar em nenhum momento. O bom desempenho nos clássicos contra América, Pumas e Chivas lhe garantiu fôlego para continuar como força na competição, ainda que o futebol nem sempre convencesse. Houve dependência excessiva nos atacantes Zeballos e Sabah e nos momentos de brilho de Villaluz. No gol, vale destacar a segurança de Yosgart Gutiérrez, que substituiu à altura o ídolo Óscar Pérez.
San Luis
Classificação final: 3º
Expectativa inicial: ir ao mata-mata
Nota da campanha: 8,5
Destaque: Bráulio Luna (volante)
A equipe de Raúl Arias foi uma das mais interessantes do Clausura. Com um meio-campo forte formado por Coudet, Luna e Tressor Moreno, o San Luis tinha criatividade e protagonizou jogos empolgantes. Em 12 das 17 partidas dos gladiadores da primeira fase, as duas equipes fizeram gol. O que denota também uma insegurança defensiva, que foi fatal no mata-mata. Quando o ataque foi barrado pelo adversário, a retaguarda não deu conta da pressão e o time sofreu. Passou no sufoco por Pachuca e Toluca e acabou caindo em casa para o Cruz Azul.
Monterrey
Classificação final: 4º
Expectativa inicial: ir ao mata-mata
Nota da campanha: 8,5
Destaque: Humberto Suazo (atacante)
Começou o Clausura lutando para fugir do rebaixamento, terminou como um dos times mais fortes e empolgantes do México. Tudo porque Ricardo La Volpe, que vinha de péssimos trabalhos em Boca Juniors e Vélez Sársfield, acertou a mão e montou uma equipe consistente. A base era o ataque, onde ele tinha como opções Suazo (artilheiro do campeonato), Borgetti e Carlos Ochoa. Quando o time engrenou, pôde encarar qualquer adversário. Bateu com superioridade as Chivas – melhor campanha da primeira fase – e só foi eliminado pelo futuro campeão Santos Laguna por sofrer um gol nos acréscimos do jogo de volta (e porque não tinha vantagem na soma do placar somado). Se mantiver esse nível de competitividade, é candidato ao título no Apertura 2008.
Chivas de Guadalajara
Classificação final: 5º
Expectativa inicial: lutar pelo título
Nota da campanha: 7
Destaque: Ramón Morales (volante)
Faltou fôlego. Durante a fase de classificação, foi o time mais constante, ocupando a liderança desde as primeiras rodadas. No entanto, é difícil manter um nível de desempenho tão alto por tanto tempo, ainda mais quando parte da temporada foi intercalada por uma campanha desgastante na Libertadores. Quando chegou o mata-mata, o Rebaño já sentia o desgaste e o desempenho, sobretudo da defesa, já deixava a desejar. De qualquer modo, fica marcada a boa temporada de dois jogadores que nem eram estrelas do time: Sergio Ávila e Sergio Santana.
Toluca
Classificação final: 6º
Expectativa inicial: lutar pelo título
Nota da campanha: 6,5
Destaque: Sergio Amaury Ponce (lateral e meia)
Campeão quatro vezes nos últimos dez anos, o Toluca ainda é um time forte e competitivo. Mas dá sinais de cansaço. José Pekerman deu mais solidez e estabilidade à equipe, mas a força para se superar no mata-mata (marca registrada dos Diablos nos últimos anos) acabou. O principal problema foi no setor ofensivo, muito pouco produtivo durante toda a competição. Falta uma referência na frente, como já foi o paraguaio José Saturnino Cardozo e o argentino Bruno Marioni.
Jaguares de Chiapas
Classificação final: 7º
Expectativa inicial: ir ao mata-mata
Nota da campanha: 6,5
Destaque: Itamar (atacante)
Um time de grandes momentos pontuais, pecou pela falta de constância. Chegou a vencer o Santos Laguna por 3 a 1 em Torreón e o San Luis por 2 a 0 em San Luis Potosí, mas perdeu em casa para o rebaixado Veracruz e o caçula Puebla. Desse jeito, acabou tendo uma campanha apenas mediana, apesar de parecer ter potencial para fazer uma campanha melhor. No final das contas, foi eliminado nas quartas-de-final pelo Cruz Azul. Mas caiu apenas por ter pior campanha na primeira fase, já que houve empate na soma dos resultados.
Necaxa
Classificação final: 8º
Expectativa inicial: ficar no pelotão intermediário
Nota da campanha: 7,5
Destaque: Omar Ortíz (goleiro)
Um belo trabalho do técnico Salvador Reyes. Sem muitos talentos, ele sabia que o Necaxa teria mais chances se montasse uma defesa forte. E assim foi feito. Os hidrorrayos tiveram, disparado, a melhor defesa da competição (16 gols em 21 jogos) e, desse modo, conseguiram ir muito mais longe do que se imaginava inicialmente. Perderam apenas quatro jogos e poderiam chegar às semifinais se o ataque não dependesse tanto do colombiano Rodallega.
Atlas
Classificação final: 9º
Expectativa inicial: chegar ao mata-mata
Nota da campanha: 7
Destaque: Eduardo Rergis (lateral)
Um time de muitas oscilações, algumas delas condicionadas à prioridade que o clube deu à Libertadores. Desse modo, o Clausura poucas vezes viu o bom time atlista em seu melhor momento, o que acabou ocorrendo no torneio continental. De qualquer forma, mesmo sem ter feito uma campanha brilhante, os tapatíos apagaram a má impressão deixada pela última posição no Apertura 2007.
Pachuca
Classificação final: 10º
Expectativa inicial: lutar pelo título
Nota da campanha: 5
Destaque: Andrés Chitiva (atacante)
Como o Toluca, o Pachuca dá sinais de esgotamento depois de tantos anos entre os times mais fortes do México. O futebol de troca de passes pacientes em busca de espaços na defesa adversária já não flui com a mesma constância. Assim, os tuzos põem se dar por satisfeitos por conseguirem, na Copa dos Campeões da Concacaf, ter salvado a temporada. Mas, para o Apertura 2008 e o Mundial de Clubes, o Pachuca precisará de um fato novo.
Puebla
Classificação final: 11º
Expectativa inicial: lutar para fugir do rebaixamento
Nota da campanha: 7
Destaque: Melvin Brown (zagueiro)
Uma boa surpresa. Depois da campanha fraca no Apertura, os poblanos precisariam de muitos pontos para escapar do rebaixamento. E conseguiram. Sem ser brilhante, o Puebla ganhou confiança no começo do Clausura, colecionando empates. Depois, venceu alguns jogos-chave e quase beliscou uma vaga na repescagem. Como o time era frágil tecnicamente, já foi mais que o esperado.
Pumas de la Unam
Classificação final: 12º
Expectativa inicial: lutar pelo título
Nota da campanha: 4,5
Destaque: Marco Antonio Palacios (zagueiro)
Uma das decepções do campeonato. Depois de encerrar o Apertura com o vice-campeonato e um futebol ofensivamente empolgante, os Pumas não conseguiram reencontrar seu ritmo. Inseguro, não encaixou uma seqüência de bons resultados para recuperar o embalo. Acabou eliminado em casa, em um melancólico 0 a 0 com o Pachuca, adversário direto na luta por um lugar na repescagem.
Tigres de la UANL
Classificação final: 13º
Expectativa inicial: ir ao mata-mata
Nota da campanha: 4
Destaque: Hugo Sánchez (zagueiro)
Mais um campeonato se passa e os Tigres mostram incapacidade de lidar com suas pressões. Como sempre, o clube investe forte, começa a campanha falando em título, mas não dá tranqüilidade para que elenco e comissão técnica trabalhem em longo prazo. A demissão de Américo Gallego na quinta rodada foi um marco. Dificilmente Manuel Lapuente mudaria radicalmente o rumo da equipe, mas a troca de comando ajudou a manter a confusão no time regiomontano.
Morelia
Classificação final: 14º
Expectativa inicial: ficar no pelotão intermediário
Nota da campanha: 5,5
Destaque: Aldo Leao Ramírez (meia)
Uma equipe tecnicamente fraca, só esperava não passar nenhum vexame e conseguir um ou outro bom resultado para alegrar sua torcida. Nesse aspecto, a campanha dos monarcas não foi das piores. É verdade, tomou de 6 a 0 das Chivas e de 4 a 0 do Puebla. Mas, fora esses dois jogos, a equipe se manteve dignamente. Ainda mais considerando que seu ataque era pífio, o pior da competição. Com uma produção ofensiva melhor, poderia pensar na repescagem.
Atlante
Classificação final: 15º
Expectativa inicial: chegar ao mata-mata
Nota da campanha: 4
Destaque: Giancarlo Maldonado (atacante)
A segunda maior decepção do campeonato. Os potros conquistaram o Apertura com uma campanha brilhante e, ainda que todos soubessem que havia sido um momento encantado que dificilmente se repetiria, o time tinha obrigação de chegar ao mata-mata no Clausura. O Atlante perdeu confiança logo no começo da competição e nunca mais se encontrou, sobretudo na defesa. Um sinal disso foi a quantidade de cartões recebidos pelos defensores (Muñoz e Ovalle levaram 7, Zamora recebeu 6 e Vilar, 5). O time ficou dez partidas seguidas sem vitória, contou com a defesa mais vazada do campeonato e teve de se conformar em terminar a campanha nas últimas posições.
Veracruz
Classificação final: 16º
Expectativa inicial: lutar para fugir do rebaixamento
Nota da campanha: 4
Destaque: Cláudio Graf (atacante)
Time mais fraco da competição, até tinha como “motivação” a busca desesperada por pontos para escapar do rebaixamento. Fora de casa, sem a suposta obrigação de vencer, até se soltou em algumas partidas, como nas vitórias sobre Jaguares em Tuxtla Gutiérrez, Tigres em Monterrey e Necaxa em Aguascalientes. No entanto, não teve estrutura para suportar a pressão de sua própria torcida e protagonizou momentos infelizes em casa. O símbolo disso foi a derrota para o Puebla no confronto direto pela permanência. No final, os tiburones rojos foram rebaixados, a crise financeira se expôs e o clube foi vendido.
Tecos de la UAG
Classificação final: 17º
Expectativa inicial: lutar para fugir do rebaixamento
Nota da campanha: 4,5
Destaque: Hugo Droguett (volante)
Sem muito dinheiro, os Tecos se notabilizam por montar equipes jovens e baratas para realizar campanhas discretas e eficientes. A política foi mantida para o Clausura, mas os resultados não foram bons. Sebastián “Chamagol” González foi contratado para fazer os gols que garantiriam a tranqüilidade aos axadrezados. No entanto, o chileno esteve em má fase e o time afundou junto. A defesa era fraca e não segurou a responsabilidade de carregar nas costas uma equipe ineficiente na frente. A penúltima posição acabou sendo natural.
América
Classificação final: 18º
Expectativa inicial: lutar pelo título
Nota da campanha: 0
Destaque: ninguém
Fez uma campanha tão patética que superou os desastres de Pumas e Atlante. Pelo investimento que faz, sempre entra em campo para lutar pelo título. Dessa vez, foi o último colocado com sobras. Desconjuntado e com suspeitas de que os jogadores boicotavam o técnico, o América conseguiu uma impressionante série de um ponto em 12 jogos. No caminho, perdeu por 4 a 0 do rebaixado Veracruz. Só chega ao meio do ano com um mínimo de dignidade porque foi semifinalista da Libertadores.



