México

Balanço do Clausura mexicano – parte 1

Em semana de Eliminatórias da Copa do Mundo, o futebol da América Latina praticamente para. Só no Brasil e na Segundona argentina houve alguma atividade relevante. Assim, é um ótimo momento para iniciar o balanço do Torneo Clausura mexicano. Nesta semana, um resumo do que de melhor – e pior – fizeram os times da primeira metade da classificação, ou seja, os oito que se classificaram para a Liguilla (mata-mata) e o melhor time entre os que caíram na primeira fase. Na próxima sexta, os nove de pior campanha.

Pumas de la Unam

Colocação final: Campeão (classificado para a Concachampions)
Técnico: Ricardo Ferretti
Maior vitória: Pumas 3×0 Monterrey (17ª rodada) e Pumas 3×0 Tecos (quartas de final)
Maior derrota: Atlas 2×0 Pumas (7ª rodada), Tecos 2×0 Pumas (16ª rodada e quartas de final)
Principal jogador: Efraín Velarde (defensor)
Decepção: Juan Carlos Cacho (atacante)
Artilheiro: Martín Bravo, 7 gols
Competição continental: Concachampions (eliminados nas quartas de final pelo Cruz Azul)
Nota do semestre: 9

Por tradição e torcida, os Pumas sempre despertam respeito dos adversários. No entanto, também é verdade que a falta de investimentos pesados em contratações extravagantes deixam os felinos sempre como azarões. Mais uma vez, o time da Unam mostrou que sabe trabalhar sem fazer barulho. Contando com uma base jovem e um ou outro jogador mais experiente para servir de referência (como Palencia, Castro e Bernal), os Pumas fizeram uma campanha sólida, com uma defesa muito segura garantindo a classificação sem sobressaltos. No mata-mata, os felinos usaram o peso de sua tradição para se impor diante de Tecos, Puebla e Pachuca.

Pachuca

Colocação final: vice-campeão (classificado para a Concachampions)
Técnico: Enrique Meza
Maior vitória: Atlas 0x5 Pachuca (17ª rodada)
Maior derrota: Chivas de Guadalajara 5×0 Pachuca (8ª rodada)
Principal jogador: Christian Giménez (meia-atacante)
Decepção: Edgar Benítez (atacante)
Artilheiro: Christian Giménez, 13 gols
Competição continental: Libertadores (eliminado na fase preliminar)
Nota do semestre: 8,5

Depois do desastre da Libertadores, os Tuzos até surpreenderam pelo nível de competitividade apresentado. O time ficou brigando pela superliderança com o Toluca desde as primeiras rodadas e manteve o ritmo até o final. Para isso, ajudou muito a chegada do panamenho Blas Pérez, que deu novo fôlego ao ataque hidalguense e ajudou Christian Giménez a aparecer mais na frente. Talvez o elenco precise de renovação em breve, mas mostrou ainda ter fôlego.

Puebla

Colocação final:
Técnico: José Luis Sánchez Solá
Maior vitória: Jaguares de Chiapas 2×4 Puebla (7ª rodada)
Maior derrota: Monterrey 4×0 Puebla (1ª rodada)
Principal jogador: Duilio Davino (defensor)
Decepção: Alejandro Villalobos (defensor)
Artilheiro: Álvaro González, 7 gols
Competição continental: não disputou
Nota do semestre: 9

Para quem começou o ano só pensando em escapar do rebaixamento, chegar às semifinais é mais do que positivo. Além disso, a boa campanha no Clausura serve como referência aos poblanos para as próximas temporadas. No caso, funcionou o investimento em mais jogadores experientes, que souberam lidar com mais facilidade com a pressão de buscar ponto a ponto a fuga da parte de baixo da tabela de porcentagens. Destaques para Davino, o goleiro Villalpando e o zagueiro-artilheiro Alejandro Acosta.

Indios

Colocação final:
Técnico: Héctor Hugo Eugui
Maior vitória: Indios 3×1 Chivas (17ª rodada)
Maior derrota: San Luis 4×1 Indios (11ª rodada)
Principal jogador: Cirilo Saucedo (goleiro)
Decepção: Juan Pablo Rodríguez (meio-campista)
Artilheiro: Julio Daniel Frías, 5 gols
Competição continental: não disputou
Nota do semestre: 9,5

A maior surpresa do Clausura. Falar que o time de Ciudad Juárez começou o ano lutando contra o rebaixamento é pouco. A Tribu esteve rebaixada até a última rodada, quando venceu as Chivas de Guadalajara, escapou do descenso e, em uma incrível combinação de resultados, acabou abocanhando uma vaga na Liguilla. A partir daí, a equipe soube encarnar o papel de franco-atirador e, na base da determinação, eliminou o Toluca na casa do adversário, quase fazendo o mesmo com o Pachuca. Para 2009/10, os Indios continuarão como candidatos ao rebaixamento, mas, pelo menos, já registraram em sua história uma campanha fantástica.

Toluca

Colocação final:
Técnico: José Manuel de la Torre
Maior vitória: San Luis 1×5 Toluca (17ª rodada)
Maior derrota: Pachuca 3×1 Toluca (13ª rodada)
Principal jogador: Sinha (meio-campsita)
Decepção: Sergio Santana (atacante)
Artilheiro: Héctor Mancilla, 14 gols
Competição continental: não disputou
Nota do semestre: 7

O Toluca fez uma grande campanha, mas foi vitimado pela crueldade dos mata-mata. Na fase de classificação, perdeu apenas uma partida (para o Pachuca, com quem dividiu a primeira posição geral – os Tuzos tiveram melhor saldo de gols) e ficou sempre na ponta. Em campo, mostrou a solidez que o levou ao título do Apertura, com defesa segura (terceira melhor) e um ataque produtivo (segundo melhor). Só que uma derrota para os Indios em Ciudad Juárez, no jogo de ida das quartas de final, pôs tudo a perder. Na partida de volta, a Tribu se fechou atrás e segurou o 0 a 0. Um final prematuro para uma equipe que poderia ter chegado muito mais longe.

Monterrey

Colocação final:
Técnico: Victor Manuel Vucetich
Maior vitória: Monterrey 4×0 Puebla (1ª rodada)
Maior derrota: Pumas 3×0 Monterrey (17ª rodada)
Principal jogador: Humberto Suazo (atacante)
Decepção: Alonso Sandoval (atacante)
Artilheiro: Humberto Suazo, 10 gols
Competição continental: não disputou
Nota do semestre: 7

O Monterrey fez uma campanha bastante discreta e eficiente durante quase toda a fase de classificação. O destaque ficou no trio de ataque Suazo, De Nigris e Carreño, responsáveis por 20 dos 31 gols da equipe regiomontana. Era possível sonhar com uma vaga nas semifinais, mas uma queda brusca de rendimento no final da primeira fase acabou minando as chances dos Rayos. Duas derrotas seguidas nas últimas rodadas e uma no jogo de ida das quartas de final foram suficientes para acabar com as esperanças do Monterrey. De qualquer modo, o trabalho de Victor Manuel Vucetich mostrou futuro.

Tecos de la UAG

Colocação final:
Técnico: Miguel Herrera
Maior vitória: Necaxa 1×3 Tecos (5ª rodada)
Maior derrota: Pumas 3×0 Tecos (quartas de final)
Principal jogador: José de Jesús Corona (goleiro)
Decepção: Jorge Zamogilny (meio-campista)
Artilheiro: Claudio Graf, 5 gols
Competição continental: não disputou
Nota do semestre: 8

Para um clube que entra em todo campeonato só pensando em fugir do rebaixamento, a campanha dos Tecos no Clausura foi mais que positiva. Miguel Herrera teve o mérito de estruturar muito bem a defesa do time, ponto fraco da equipe nos torneios anteriores, que terminou o Clausura como a menos vazada (ao lado dos Pumas). Com isso, foi possível manter uma campanha razoavelmente sólida e se classificar para o mata-mata. O destaque foi Corona, segundo reserva da seleção mexicana.

Jaguares de Chiapas

Colocação final:
Técnico: Miguel Ángel Brindisi e Luis Fernando Tena
Maior vitória: Tigres 0x3 Jaguares (2ª rodada)
Maior derrota: Pachuca 5×1 Jaguares (16ª rodada)
Principal jogador: Danilinho (atacante)
Decepção: Neri Cardozo (meio-campista)
Artilheiro: Danilinho, 7 gols
Competição continental: não disputou
Nota do semestre: 6

Os Jaguares foram beneficiados pela divisão de grupos. A campanha não foi nada espetacular. Pelo contrário: terminou a fase de classificação com mais derrotas que vitórias, saldo de gols negativo, uma série de seis partidas sem vitória e a 12ª campanha no geral. Ainda assim, conseguiu a segunda posição do Grupo 3, pois, dos seis times que fizeram campanha pior, quatro eram concorrentes diretos na chave. Assim, o fato de chegar à Liguilla mascarou uma campanha mais fraca que a expectativa (sobretudo pelas armas ofensivas dos chiapanecos) inicial.

América

Colocação final:
Técnico: Ramón Díaz e Jesús Ramírez
Maior vitória: Cruz Azul 1×3 América (10ª rodada)
Maior derrota: América 1×3 Pachuca (4ª rodada) e Atlante 3×1 América 9ª rodada)
Principal jogador: Salvador Cabañas (atacante)
Decepção: Andrés Chitiva (meio-campista)
Artilheiro: Salvador Cabañas, 13 gols
Competição continental: não disputou
Nota do semestre: 4,5

O América fez a oitava melhor campanha da primeira fase e só ficou de fora da Liguilla por causa da divisão dos grupos. Ainda assim, dá para dizer que a campanha foi muito decepcionante. Pelo investimento feito na montagem do time (chegaram Pardo, Beausejour, Chitiva, Robert e Castillo, sendo que as estrelas Cabañas e Ochoa permaneceram), era viável imaginar que as Águilas disputariam as primeiras posições desde o início da competição. Nada disso ocorreu. O clube de Coapa ficou boa parte da competição na parte de baixo da tabela, não melhorou depois da troca de técnico e só salvou um pouco a honra com vitórias nas duas últimas rodadas. O problema é que, no Apertura, o América descartará os pontos da temporada 2006/07 e cairá bastante na tabela de porcentagens, ficando na 14ª posição e passando a correr risco real de rebaixamento.

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