México

Balanço do Clausura Mexicano (I): quem lutou para não cair

Com o fim da temporada no futebol mexicano e após elegermos a seleção dos melhores do Clausura, a coluna dá início nessa semana ao balanço da temporada 2012/13, dividido em três partes.

Como a Liga MX, primeira divisão do campeonato nacional, conta com sistema de mata-mata, além de dois torneios anuais, dividimos os times em três grupos, de acordo com a tabela de rebaixamento, que leva em consideração o desempenho dos clubes nas últimas três temporadas (seis torneos cortos), Confira, nessa semana, os clubes que mais brigaram (e ainda brigarão) contra o descenso:

Querétaro

Colocação final no Clausura: 8º colocado, com 24 pontos em 17 rodadas (rebaixado)

Liguilla: não participou (mesmo classificado, ficou sem a vaga graças ao rebaixamento)

Técnico: Sergio Bueno (até a 5ª rodada) e Ignacio Ambriz

Maior vitória: Querétaro 2×1 UNAM (2ª rodada), Querétaro 2×1 San Luis (15ª rodada) e Chivas Guadalajara 1×2 Querétaro (16ª rodada)

Maior derrota: América 3×0 Querétaro (5ª rodada)

Principal jogador: Oswaldo Henríquez (defensor)

Decepção: Luis Ángel Landín (atacante)

Artilheiro: Wilberto Cosme-COL e Amaury Escoto (5 gols)

Líder em assistências: Gonzalo Pineda e Arturo Echavarría (2 passes para gol)

Melhor contratação: Oswaldo Henríquez (defensor)

Pior contratação: Diego Cervantes (defensor)

Time-base: Sergio García, Apodi, Oswaldo Henríquez, Dionicio Escalante e Christian Pérez; Marco Jiménez, Mario Osuna, Diego de la Torre e Julio Nava; Wilberto Cosme e Amaury Escoto (Luis Ángel Landín);

Copa MX Clausura: eliminado na fase de grupos (2º colocado no grupo 2, atrás do Estudiantes Tecos)

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 4,5

O Querétaro começou o Clausura sabendo o que precisava ser feito para manter-se na elite: ser melhor que o Atlas. Aí residia o segredo para permanecer. Não deu. Mesmo com uma campanha acima das expectativas, o péssimo Apertura, aliado à excelente campanha da Academia em 2013 relegou os Gallos Blancos à Liga de Ascenso. Que dizer… Era o que o regulamento previa. Mas graças ao esdrúxulo sistema de franquias do futebol mexicano, que fomenta mais o lado econômico que o esportivo, o proprietário do Querétaro, Amado Yañez, comprou o antigo Jaguares e garantiu o seu clube por mais uma temporada na elite.

Viradas de mesa à parte, a boa campanha que daria a vaga ao clube no mata-mata, não fosse a regra que desclassifica clubes já rebaixados da Liguilla, deu indícios de que há talento na Corregidora. Além do ótimo zagueiro colombiano Henríquez, que se adaptou rapidamente ao futebol azteca e foi eleito um dos melhores defensores do Clausura, os Gallos apresentaram Amaury Escoto, promissor atacante com potencial para se traduzir na melhor revelação das Fuerzas Básicas Albiazules.

Puebla

Colocação final no Clausura: 12º colocado, com 19 pontos em 17 rodadas

Liguilla: não classificado

Técnico: Manuel Lapuente

Maior vitória: Puebla 3×1 Morelia (5ª rodada) e San Luis 1×3 Puebla (6ª rodada)

Maior derrota: Cruz Azul 4×0 Puebla (4ª rodada)

Principal jogador: Félix Borja (atacante)

Decepção: William Paredes (defensor)

Artilheiro: Félix Borja-EQU (7 gols)

Líder em assistências: Matías Alustiza-ARG (4 passes para gol)

Melhor contratação: Félix Borja (atacante)

Pior contratação: Emmanuel Cerda (atacante)

Time-base: Víctor Hernández, Jaime Durán, Jonathan Lacerda, Jesús Chávez, Michael Orozco e William Paredes; Segundo Castillo, Luis Noriega, Diego de Buen, Alberto Medina, DaMarcus Beasley (Matías Alustiza); Félix Borja;

Copa MX Clausura: eliminado na semifinal, pelo Atlante

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 3,5

Com muitas contratações e outras tantas dispensas, parecia claro que o Puebla não teria um campeonato tranquilo. Sem tempo para dar entrosamento às inúmeras peçasque chegaram à Cuauhtémoc, os comandados de Manuel Lapuente traduziram em campo essa irregularidade, com oscilações constantes que culminaram na 12ª colocação e deixaram a Franja com o sinal amarelo ligado na briga contra o descenso na próxima temporada.

Algumas contratações, como os equatorianos Castillo e Borja, se adequaram rapidamente ao estilo de jogo, tornando-se peças fundamentais. O problema é que os pilares de torneios anteriores, como Beasley e Alustiza, sofreram com queda de rendimento ou problemas físicos. Os Camoteros entram na nova temporada preocupados e com consciência de que uma nova temporada como essa tem tudo para devolver o Puebla à Liga de Ascenso.

Atlante

Colocação final no Clausura: 18º colocado, com 13 pontos em 17 rodadas

Liguilla: não classificado

Técnico: Ricardo La Volpe-ARG (até a 4ª rodada) e Daniel Guzmán

Maior vitória: Atlante 3×1 Monterrey (5ª rodada)

Maior derrota: América 4×0 Atlante (3ª rodada) e Morelia 4×0 Atlante (12ª rodada)

Principal jogador: Esteban Paredes (atacante)

Decepção: Francisco Fonseca (atacante)

Artilheiro: Esteban Paredes-CHI (5 gols)

Líder em assistências: Cristian Maidana-ARG e Jerónimo Amione (2 passes para gol)

Melhor contratação: Joaquín Larrivey (atacante)

Pior contratação: José Antonio Castro (defensor)

Time-base: Jorge Villalpando, Óscar Vera, Luis Venegas, Joe Bizera e Diego Ordaz; José Daniel Guerrero, Cristian Maidana, Francisco Uscanga e Arturo Muñoz (David Quiroz); Joaquín Larrivey (Francisco Fonseca) e Esteban Paredes;

Copa MX Clausura: perdeu a final para o Cruz Azul

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 3,0

Muitos se perguntaram qual a verdadeira face do Atlante. O clube de ótima campanha na Copa MX, onde só foi superado pelo Cruz Azul nos pênaltis na final, contrastou com o de péssimo desempenho no campeonato nacional, onde segurou a lanterna, com a pior defesa da competição, capaz de sofrer em média quase dois gols por jogo.

O pouco brilho que pôde ser visto em Cancún ficou por conta do trio ofensivo sul-americano. Os argentinos Maidana e Larrivey e o ótimo atacante chileno Paredes foram responsáveis por 8 gols e 4 assistências nos escassos 13 tentos anotados pelos Potros. Com a saída do último e poucas chances de permanência dos dois primeiros, o cenário que se avizinha para o Atlante já preocupa os torcedores no Quintana Roo.

Atlas

Colocação final no Clausura: 3º colocado, com 32 pontos em 17 rodadas

Liguilla: eliminado nas quartas de final, pelo Santos

Técnico: Tomás Boy

Maior vitória: Atlas 2×0 Pachuca (2ª rodada)

Maior derrota: Atlas 1×2 Santos (11ª rodada)

Principal jogador: Miguel Pinto (goleiro)

Decepção: Luis Sandoval (meia)

Artilheiro: Omar Bravo (7 gols)

Líder em assistências: Rodrigo Millar-CHI e Vicente Matías Vuoso (3 passes para gol)

Melhor contratação: Omar Bravo (atacante)

Pior contratação: Édson Rivera (atacante)

Time-base: Miguel Pinto, Sergio Ponce, Leandro Cufré, Facundo Erpen e Óscar Razo; Lucas Ayala (Ricardo Bocanegra), José Luis Chávez, Isaac Brizuela e Rodrigo Millar; Matías Vuoso e Omar Bravo;

Copa MX Clausura: eliminado nas quartas de final, pelo Atlante

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 7,0

Se alguém descrevesse a campanha do Clausura para o torcedor Rojinegro antes do início da competição, poderia ser considerado louco. Vexames acumulados e constantes campanhas incipientes tornavam cada dia mais implausível a permanência dos Zorros na elite. O fato é que a Academia surpreendeu. E nem dá para falar em mudanças bruscas. Ainda que um renascido Omar Bravo tenha guiado o Atlas na ótima campanha, boa parte da espinha do clube já estava em Jalisco em 2012. O goleiro chileno Miguel Pinto, grande destaque do time, eum dos grandes responsáveis pela Academia contar com a defesa menos vazada da competição, é um exemplo, assim como a experiente dupla de zaga formada pelos argentinos Cufré e Erpen.

Já respirando um pouco mais aliviado frente à ameaça de queda, o Atlas começa a dar forma aos seus planos de voltar a brigar pelo título nas próximas temporadas. Tomás Boy, responsável por levar o clube de volta à Liguilla após seis anos, saiu e deu lugar ao jovem treinador argentino Omar Asad, aposta da diretoria que estreia no futebol azteca. E parece que é só. Confiante no time que devolveu o sorriso aos torcedores, os Zorros foram o único clube a não se movimentar no draft e se preocupam em manter o entorsado elenco para 2013/14. Se será suficiente, é difícil dizer. Assim como era difícil apostar que o clube permaneceria na elite no início do ano…

San Luis

Colocação final no Clausura: 16º colocado, com 16 pontos em 17 rodadas

Liguilla: não classificado

Técnico: Eduardo Fentanes (até a 7ª rodada), Carlos María Morales-URU (até a 11ª rodada) e Gerardo Silva

Maior vitória: San Luis 3×0 Jaguares (12ª rodada)

Maior derrota: San Luis 1×3 Puebla (6ª rodada)

Principal jogador: Javier Muñoz Mustafá (defensor)

Decepção: Mauro Matos (atacante)

Artilheiro: Mauro Matos-ARG (3 gols)

Líder em assistências: Luis Ángel Mendoza e Emilio López (3 passes para gol)

Melhor contratação: Javier Muñoz Mustafá (defensor)

Pior contratação: Jherson Córdoba

Time-base: Oscar Pérez, Omar Esparza, Marco Pérez (Ricardo Jiménez), Javier Muñoz Mustafá e Yasser Corona; Alan Zamora, Emilio López, Moisés Velasco e Luis Mendoza; Juan Cuevas e Santiago Tréllez (Mauro Matos);

Copa MX Clausura: eliminado na fase de grupos (2º colocado no grupo 5, atrás do Jaguares)

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 3,5

Desde o início do Clausura, os Tuneros sabiam que havia algo errado em San Luis. Distante de qualquer expectativa de briga por uma vaga na Liguilla, os Gladiadores pareciam conformados em esperar a próxima temporada, com um futebol burocrático e previsível, duas mudanças de comando técnico e muito a melhorar. Mal sabiam os Reales, contudo, que a Femexfut e as mudanças de comando no futebol mexicano colocariam fim à história do clube, que teve sua sede transferida para Chiapas e fará parte do projeto de uma nova equipe em Tuxtla Gutiérrez.

Dentro de campo, pouco pôde ser visto. Ainda que tenha sido o artilheiro do clube na Clausura (com míseros 3 gols), o experiente atacante Mauro Matos foi a grande decepção da equipe. As expectativas geradas com a chegada do argentino, destaque do All Boys (ARG) na campanha do acesso, não se concretizaram e o clube ficou sem uma referência no setor ofensivo. O pouco brilho foi visto no setor defensivo, onde o experiente goleiro Oscar Pérez continuou mostrando segurança e garantiu ao menos mais uma temporada de atividade ao ser contratado pelo Pachuca aos 40 anos. Mas foi pouco, muito pouco para a última temporada de um clube com uma tradição de 55 anos, dez deles no topo do futebol azteca.

Chivas Guadalajara

Colocação final no Clausura: 17º colocado, com 16 pontos em 17 rodadas

Liguilla: não classificado

Técnico: Benjamín Galindo

Maior vitória: Chivas Guadalajara 2×1 León (8ª rodada)

Maior derrota: Tijuana 4×0 Chivas Guadalajara (17ª rodada)

Principal jogador: Rafael Márquez Lugo (atacante)

Decepção: Luis Ernesto Pérez (meia)

Artilheiro: Rafael Márquez Lugo (7 gols)

Líder em assistências: Jesús Sánchez e Miguel Sabah (2 passes para gol)

Melhor contratação: Miguel Sabah (atacante)

Pior contratação: Adrián Cortés (defensor)

Time-base: Luis Ernesto Michel, Sergio Pérez, Héctor Reynoso, Kristian Álvarez e Miguel Ángel Ponce; Patricio Araujo, Luis Ernesto Pérez, Jesús Sánchez e Marco Fabián; Miguel Sabah e Rafael Márquez Lugo;

Copa MX Clausura: não participou

Competição continental: eliminado na fase de grupos da Concacaf Champions League

Nota da temporada: 4,5

Os fracassos de seguidos projetos que pouco renderam ao clube de Guadalajara vem cobrando seu preço. O clube mais popular do México coleciona vexames e fracassos retumbantes. Enquanto os rivais brigam pela taça ou dão início a projetos de reestruturação, o Campeonísimo colheu mais uma temporada para se esquecer. Vexames como o de ter sido o primeiro clube mexicano eliminado na fase de grupos da Concachampions se juntaram à campanha infame no campeonato nacional, onde o clube quase não ameaçou os postulantes às vagas na Liguilla.

Com opções reduzidas pela política de apostar apenas em jogadores mexicanos, a antes prolífica base Rojiblanca parece estagnada. Até mesmo nomes promissores como Fabián, Fierro e Torres tiveram um Clausura para se esquecer. Os poucos momentos de brilho ficaram restritos aos experientes atacantes Rafael Márquez e Miguel Sabah, que deram à imensa torcida do Rebaño Sagrado alguma esperança de brigar por título. Uma esperança que terminou cedo e, por enquanto, parece uma realidade ainda distante de Zapopán.

Curtas

– Mesmo com uma vitória sobre a Jamaica (gol de De Nigris), em duelo antecipado devido a Copa das Confederações, a Tricolor azteca voltou a tropeçar nas Eliminatórias na partida seguinte, não passando de um empate sem gols frente ao Panamá, e ocupa o terceiro lugar do qualificatório, com 7 pontos em 5 partidas;

Costa Rica

– Os mexicanos enfrentam nesta terça-feira a Costa Rica, que venceu Honduras com gol solitário de Roy Miller e lidera o hexagonal final com 7 pontos em 4 partidas. Após o duelo no Azteca, os Ticos ainda recebem o Panamá na próxima semana para fechar a rodada;

Guatemala

– Com dois triunfos por 2×1, o Comunicaciones superou o Xelajú e garantiu vaga nas semifinais do Clausura da Liga Nacional, onde enfrentará o Marquense, que eliminou o Malacateco com um empate em três gols no jogo da volta, após vencer a primeira partida por 2×0;

– Vice-líder da primeira fase, o Heredia também garantiu vaga nas semifinais, superando o Universidad SC por 2×0 e revertendo a desvantagem do jogo de ida, onde fora derrotado por 2×1. O adversário do clube de Morales será o Halcones, que passou pelo Suchitepéquez vencendo a primeira partida (3×1) e empatando a segunda por um gol;

Honduras

– Com o revés para os costarriquenhos, Honduras caiu para o 5º lugar nas Eliminatórias, com 4 pontos em 4 partidas, fora da zona de classificação ao Mundial. Os Catrachos recebem a Jamaica e visitam os norte-americanos nas próximas rodadas em busca do retorno ao G-4;

Panamá

– Ocupando o 4º lugar com 6 pontos, na zona de repescagem para a Copa do Mundo, os panamenhos, junto à seleção mexicana, são os únicos ainda invictos na fase final do qualificatório. Os Canaleros terão páreos duros no complemento da rodada, visitando Estados Unidos e Costa Rica. Se conseguir manter a invencibilidade, os comandados de Dely Valdés têm tudo para se aproximar da inédita vaga no Mundial.

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