México

Balanço da Temporada

Na segunda parte do resumo das campanhas dos times aztecas no Clausura 2011 (aqui a primeira parte), você acompanha os times classificados para a Liguilla, a fase do mata-mata que movimentou o futebol mexicano.

Por muito pouco, pela primeira vez na história os quatro clubes mais populares não se encontraram na fase semifinal dos play-offs. Mas havia alguns canários no caminho das Águias. Assim, o modesto, mas regular, Morelia juntou-se a Pumas, Guadalajara e Cruz Azul. E ainda bateu a Máquina Cementera para chegar à final.

Na decisão, contudo, os felinos mostraram quem tem a força no país. Com um ritmo forte no primeiro turno, eliminaram os então campeões Monterrey, um rival histórico (Guadalajara) e voltaram ao topo. E teve ainda o Monterrey mandando no continente, Cruz Azul cada vez mais em crise, entre outros. Confira abaixo quem dominou (e quem decepcionou) o território azteca no primeiro semestre de 2011.

 

Monterrey

Colocação final: 7º, com 26 pontos (eliminado nas quartas-de-final dos playoffs)
Técnico: Víctor Manuel Vucetich
Maior vitória: 4×1 Jaguares (6ª rodada)
Maior derrota: 3×0 Cruz Azul (14ª rodada)
Competição continental: campeão da Concacaf Champions League
Principal jogador: Humberto Suazo
Decepção: Sergio Santana
Artilheiro: Humberto Suazo (6 gols)
Líder em assistências: Luis Pérez e Abraham Carreño (3 passes)
Nota da temporada: 9

Depois de conquistar seu quarto título nacional, ao vencer o Apertura de 2010, a Pandilla parecia iniciar 2011 de ressaca com o começo claudicante no Clausura, mas logo retomou o caminho das vitórias e conseguiu a classificação nas últimas rodadas para a Liguilla. Ali, depois de vencer o Pumas, sofreu uma inesperada derrota e perdeu a vaga na semi.

Tristeza? Nada disso. Já que na disputa continental os Rayados foram impecáveis e conquistaram a Concacaf Champions League pela primeira vez na sua história, com uma campanha invicta e a vaga no Mundial de Clubes, em dezembro. Foi a despedida perfeita da lenda Jesús Arellano, que deu adeus aos gramados após o título.

Contando com o mais perigoso quinteto ofensivo da Liga, com Basanta, Ayoví, Neri Cardozo, De Nigris e Suazo, o Monterrey não priorizou nenhuma das competições, e mesmo assim teve forças quando precisou (ou quis) em ambas. A entrada do Coloso no rol dos grandes aparenta ser, cada vez mais, apenas questão de tempo.

 

América

Colocação final: 6º, com 26 pontos (eliminado nas quartas-de-final dos playoffs)
Técnico: Manuel Lapuente (até a 3ª rodada) e Carlos Reinoso
Maior vitória: 3×0 San Luis (14ª rodada)
Maior derrota: 3×0 Guadalajara (13ª rodada)
Competição continental: eliminado nas oitavas-de-final da Copa Libertadores
Principal jogador: Ángel Reyna
Decepção: Nicolás Olivera
Artilheiro: Ángel Reyna (13 gols)
Líder em assistências: Daniel Montenegro (5 passes)
Nota da temporada: 5,5

Irregular durante boa parte do Clausura, as Águias conseguiram, com um sprint final, garantir vaga na Liguilla. Mas em uma infeliz semana, foram eliminadas dos playoffs nacionais e da Libertadores pelo Santos. O gosto amargo fica por conta da certeza da superioridade técnica sobre alguns adversários que o conjunto de Coapa não conseguiu superar, algo que vem tornando-se corriqueiro nas Asturias.

Sem muitas contratações (e com desempenho pífio dos nomes que chegaram, como o uruguaio Oliveira), os Millonetas contaram com um poderoso ataque (31 gols) na primeira fase e fizeram o artilheiro da competição, Ángel Reyna, que já era dado como carta fora do baralho no início do ano. Nada que uma mudança de posicionamento não desse jeito.

Um fator que pesou (e sempre pesa) para o América é a enorme pressão por resultados. O alto valor investido não ajuda muito na hora de cobrar a conta e a manutenção de Reinoso no comando pode até piorar a situação na próxima temporada.

 

Atlante

Colocação final: 4º, com 27 pontos (eliminado nas quartas-de-final dos playoffs)
Técnico: Miguel Herrera
Maior vitória: 5×1 Jaguares (11ª rodada)
Maior derrota: 2×0 Guadalajara (5ª rodada), Pumas (9ª rodada) e Tigres (12ª rodada)
Competição continental: não disputou
Principal jogador: Christian Bermúdez
Decepção: Éver Alfaro
Artilheiro: Christian Bermúdez (9 gols)
Líder em assistências: Francisco Fonseca e Arturo Muñóz (3 passes)
Nota da temporada: 7,5

Maior surpresa entre os classificados para a Liguilla, os Potros tiveram início de campeonato irregular, mas com boas vitórias sobre os times médios cavaram a vaga nos playoffs. Time difícil de ser batido em Cancún, os Prietitos venderam carro a derrota nas quartas e já aparecem bem cotados para os próximos torneios.

Destaque da equipe, Christian Bermúdez é cada vez mais cobiçado pelos grandes e, no Clausura, contou com um excelente entrosamento com Fonseca e o ídolo Giancarlo Maldonado. O venezuelano, aliás, foi o maestro do grupo no primeiro semestre.

O técnico Herrera armou um time baseado em uma defesa segura e um setor ofensivo eficiente. Mais importante talvez seja o fato de a equipe não contar com grandes destaques individuais. O que impede grandes investidas e facilita a reposição de eventuais perdas. Fatores cruciais para um time que parece cada vez mais buscar novamente um título nacional.

 

Tigres

Colocação final: 1º, com 35 pontos (eliminado nas quartas-de-final dos playoffs)
Técnico: Ricardo Ferretti
Maior vitória: 3×0 Puebla (8ª rodada), Morelia (16ª rodada) e Atlas (17ª rodada)
Maior derrota: 3×1 Guadalajara (quartas-de-final)
Competição continental: não disputou
Principal jogador: Danilinho
Decepção: Jonathan Bornstein
Artilheiro: Héctor Mancilla (10 gols)
Líder em assistências: Danilinho (6 passes)
Nota da temporada: 6,5

Carregando uma fila que já entra em seu 30º ano sem o título nacional, o Tigres foi mais uma vítima da maldição do Superlíder, segundo a qual o melhor time da fase de grupos do campeonato mexicano raramente vence a Liguilla. Com a melhor defesa do torneio, comandada por Hugo Ayala e pelo brasileiro Juninho, ex-Botafogo, os universitário sofreram apenas nove gols na primeira fase.

Durante a competição travou uma batalha particular com o Pumas na briga pela liderança geral, conquistada a custo uma excelente regularidade e apenas duas derrotas. O problema é que a derrota por 3×1 na primeira partida das quartas para as Chivas praticamente selou a eliminação do time.

O balanço geral dos comandados do brasileiro Ferretti, contudo, teve saldo positivo. Danilinho chegou e logo se tornou a referência da equipe, marcando gols e criando excelentes oportunidades. Outro recém-chegado que estreou com destaque foi o chileno Mancilla, artilheiro da equipe com 10 gols.

 

Guadalajara

Colocação final: 8º, com 25 pontos (eliminado nas semifinais dos playoffs)
Técnico: José Luis Real
Maior vitória: 4×1 Pachuca (7ª rodada)
Maior derrota: 2×0 Pumas (Semifinal)
Competição continental: não disputou
Principal jogador: Omar Arellano
Decepção: Adolfo Bautista
Artilheiro: Marco Fabián (9 gols)
Líder em assistências: Omar Arellano (6 passes)
Nota da temporada: 7

A política de apostar essencialmente na base, formado exclusivamente por atletas mexicanos, continua a dar frutos ao Guadalajara, mesmo que no Clausura as Chivas não tenham ficado com o título. Reestruturando a equipe, Real conseguiu levar um grupo muito jovem até a semifinal, onde não foi páreo para o experiente rival da UNAM.

No torneio, o campeonísimo contou com um excelente desempenho de seu setor defensivo, perdendo apenas uma partida por mais de um gol (justamente a da eliminação para o Pumas). No comando da equipe, Arellano, mesmo ainda jovem, se tornou a referência para os atletas vindos da base, assim como o experiente zagueiro Reynoso e o goleiro Michel.

Entre as revelações, sempre prolíficas no Guadalajara, destaque para os jovens do setor defensivo: o lateral direito Esparza e a excelente dupla de volantes Patricio Araujo e Xavier Báez. Além do atacante Erick Torres (6 gols e 5 assistências), recém-convocado para a El Tri, e do artilheiro Fabián. A decepção ficou por conta do atacante Bautista, que, em seu retorno, acumulou problemas e contestações e deve deixar o Rebaño Sagrado.

 

Cruz Azul

Colocação final: 5º, com 26 pontos (eliminado nas semifinais dos playoffs)
Técnico: Enrique Meza
Maior vitória: 4×0 Pachuca (4ª rodada)
Maior derrota: 3×0 Atlante (2ª rodada), Santos (12ª rodada) e Morelia (Semifinal)
Competição continental: eliminado nas semifinais da Concacaf Champions League
Principal jogador: Christian Giménez
Decepção: Jesús Corona
Artilheiro: Emanuel Villa (10 gols)
Líder em assistências: Christian Giménez (4 passes)
Nota da temporada: 5

Mesmo com o bom desempenho de seu trio de sul-americanos, formado pelos argentinos Giménez e Villa, além do chileno Droguett, e contando com a experiência e segurança do meia Torrado, a Máquina Cementera emperrou novamente e deixou passar nova chance de sair da fila que persiste há 14 anos.

O time até que foi bem na primeira fase, classificando-se sem grandes sobressaltos, a despeito da série de quatro partidas sem vitórias nos encontros pré-Liguilla. Depois, passou fácil pelo modesto Atlante, mas parou no Morelia. E pior, sofrendo uma impressionante virada da Monarquía depois de ter vencido o primeiro duelo por dois gols de vantagem.

A pressão já recai com força sobre os ombros do técnico Meza, que balança no cargo. Além dele, outra situação preocupante é do goleiro Corona, que mesmo com boas exibições durante o Clausura foi autor de um papelão no jogo da eliminação, com uma vergonhosa cabeçada no preparador físico dos purépechas, que, exibida em rede nacional, causou seu corte da seleção mexicana e mais contestações oa seu papel de líder do elenco Cementero.

 

Morelia

Colocação final: 3º, com 31 pontos (vice-campeão mexicano e classificado para a Liga dos Campeões da Concacaf)
Técnico: Tomás Boy
Maior vitória: 6×1 Toluca (9ª rodada)
Maior derrota: 5×0 Atlas (1ª rodada)
Competição continental: não disputou
Principal jogador: Elías Hernández
Decepção: Luis Gabriel Rey
Artilheiro: Rafael Márquez Lugo (13 gols)
Líder em assistências: Joao Rojas (5 passes)
Nota da temporada: 8

O começo não poderia ser pior. Com uma goleada por 5×0 para o Atlas logo na estreia, seguido de três empates nas quatro partidas seguintes, os purépechas pareciam distantes sequer de uma vaga na Liguilla, quanto mais de reeditar as boas campanhas do início da década passada.

Mesmo assim, com Boy no comando, o Morelia soube se reinventar e, após emedar uma sequência de quatro triunfos, manter a regularidade e tornar-se o segundo time a garantir vaga nos playoffs. Ali, superou os poderosos Cruz Azul e América e chegou à decisão contra outro gigante. Seria até demais bater o Pumas e levar o título, mas o torneio serviu para reerguer os canários no cenário nacional, após campanhas insossas e até uma acachapante goleada por 7×1 na semifinal do Bicentenário.

Com o vice, a equipe da força volta a disputar a Concacaf Champions League. No torneio, será importante a presença de alguns nomes que fizeram acontecer no Clausura, caso dos meias Elías Hernández, que se consolida na seleção, e do equatoriano Joao Rojas, além do atacante Rafael Márquez Lugo, autor de 13 gols, vitais para garantir ao Monarcas o posto de melhor ataque da competição.

 

Pumas

Colocação final: 2º, com 35 pontos (campeão mexicano e classificado para a Liga dos Campeões da Concacaf)
Técnico: Guillermo Vázquez
Maior vitória: 5×1 Estudiantes Tecos (8ª rodada)
Maior derrota: 3×1 Jaguares (12ª rodada) e Monterrey (quartas-de-final)
Competição continental: não disputou
Principal jogador: Israel Castro
Decepção: Fernando Espinoza
Artilheiro: Juan Carlos Cacho (7 gols)
Líder em assistências: Leandro Augusto, Javier Cortés e Carlos Orrantía (3 passes)
Nota da temporada: 9

Muitos foram os motivos que tornaram os felinos novamente soberanos em território nacional. Com uma campanha excelente no início do torneio, quebrando até o recorde de invencibilidade (sem derrotas nos 11 primeiros jogos do Clausura), os universitários se qualificaram desde o início como os grandes (senão os principais) candidatos ao título, objetivo facilitado pela não necessidade de dividir sua atenções com outras competições.

Nesse ínterim, a equipe soube lidar com a inesperada perda da Superliderança para o Tigres (o que, para alguns, foi até importante por livrar boa parte do “peso” do favoritismo), reverter a excelente vantagem obtida pelo empolgado Monterrey nas quartas, eliminar os rivais do Guadalajara com supremacia e garantir o título sem grandes sobressaltos na final.

Boa parte do mérito passa pelo controle e segurança do jovem treinador Vázquez, lenda também como atleta da UNAM. Além dele, tornaram-se figuras cruciais o experiente meia-atacante Palencia, a dupla ofensiva Dante López e Martín Bravo, o goleiro Palacios, o comandante Verón, o meia Leandro e, principalmente, o maestro Israel Castro. Essenciais para levar os auriazules ao topo do futebol azteca.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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