México

Baila el Chiqui Chiqui

O argentino Pedro Troglio estava em alta. Técnico do Cerro Porteño, conduzira o time a uma boa arrancada no início do Apertura paraguaio. Em cinco jogos, o Ciclónt inha cinco vitórias. Havia sofrido apenas um gol e já gozava de liderança folgada. A diretoria azulgrana não hesitou em prorrogar o contrato do treinador até o fim do ano. O momento parecia perfeito, até que um pequeno time vindo da segunda divisão acabou com a festa no Barrio Obrero.

No último domingo, o Rubio Ñu surpreendeu o Paraguai ao vencer o Cerro por 1 a 0. Detalhe: o jogo foi em La Olla, casa cerrista. Para aumentar ainda mais o espanto, na rodada anterior, o caçula da temporada havia conseguido igual resultado contra a outra potência do país, o Olímpia. E, também na casa do adversário.

Os dois resultados foram suficientes a jogar nova luz sobre o trabalho do Rubio Ñu, um pequeno clube do bairro Santísima Trindade que teve seus melhores momentos nas décadas de 1960 e 70, mas que não disputava a elite paraguaia havia 29 anos. E, por trás desse crescimento, estão figuras bastante conhecidas do futebol guarani: o ex-goleiro Rubén Ruiz Diaz, o ex-lateral Francisco Arce e o ex-zagueiro Carlos Gamarra.

Essa hsitória começou em 2007. Ruiz Diaz, goleiro reserva do Paraguai na Copa de 1998, aproveitou as economias que fizera durante a carreira (defendeu o gol de Estudiantes, San Lorenzo, Talleres, Monterrey e Puebla) para recuperar o Rubio Ñu, clube onde iniciou sua vida no futebol. Além de comprar o time e – claro – de se tornar presidente, o ex-goleiro decidiu chamar amigos que fizera na seleção paraguaia.

Os nomes não poderiam ser mais simbólicos. Gamarra foi chamado para ser o diretor de futebol. “Chiqui” Arce, como é conhecido no Paraguai, chegou como técnico, tendo como currículo uma passagem como auxiliar do Libertad. Juntos, os três tiraram os ñuenses da Segundona local e já estão causando surpresas na elite.

A volta à elite foi difícil para os ñuenses. O time perdeu nas duas primeiras rodadas e deu a sensação de que lutaria apenas contra o rebaixamento. Mas a série negativa deu lugar a uma sequência de quatro vitórias seguidas, que já levou os alviverdes para a terceira posição.

O grande mérito tem sido Arce. O ex-lateral de Grêmio e Palmeiras tem trabalhado com um elenco bastante discreto, que conta com praticamente a mesma base da Segundona e apenas um estrangeiro (o uruguaio Mauricio Horminoguez, que nem tem sido titular). Sem condições de pedir mais reforços, o técnico tratou de montar um time coletivamente sólido.

Nesse início de temporada, o Rubio Ñu tem mostrado muita coesão em campo e incrível capacidade de trocar passes. Com isso, quebra o ritmo do adversário, que não consegue fazer seu jogo. Tanto que a equipe alviverde tem a segunda melhor defesa da competição, com 4 gols sofridos (mesma cota de Sportivo Luqueño e Olímpia, mais apenas que o Cerro Porteño).

Dificilmente um clube de elenco tão econômico poderá manter esse ritmo. Já foi suficiente, porém, para dar mais crédito ao trabalho de estruturação do Rubio Ñu. E para fazer os grandes a arregalarem os olhos para o trabalho do dirigente Gamarra e, principalmente, do técnico Chiqui Arce.

Time do povo é assim mesmo…

Clubes muito populares vivem na gangorra. Os bons momentos são tratados como glórias supremas. Os tropeços podem provocar crises, por menos justificadas que sejam. É assim com Flamengo, Corinthians, Boca Juniors, Peñarol, Benfica e Real Madrid. Não haveria porque ser diferente com as Chivas de Guadalajara.

No último domingo, o Rebaño perdeu por 1 a 0 para os Tigres de la UANL em Monterrey. O resultado custou o emprego do técnico Efraín Flores, que assumira o comando da equipe em setembro de 2007. O problema é que a campanha do chiverío nesse início de ano nem é das piores. Mas, em um clube muito popular…

O que mais incomodava a torcida e a imprensa era a instabilidade da equipe. Com um elenco muito bom – um dos melhores das Américas –, as Chivas faziam grandes apresentações, como nas espetaculares goleadas sobre Pachuca (5 a 0, pelo Campeonato Mexicano) e Everton (6 a 2, pela Libertadores). Assim, a situação nas duas competições parece sob controle (o time está a apenas um ponto da zona de classificação do Clausura e está na briga na Libertadores). No entanto, resultados como as derrotas para Toluca (2 a 1 em casa) e Caracas (2 a 0) deixavam uma interrogação na cabeça de todos.

O clima ficou definitivamente ruim no último dia 15, quando o Rebaño perdeu por 1 a 0 para o Atlas no clássico de Guadalajara. A derrota aumentou de modo quase irreversível a pressão sobre Efraín e o elenco como um todo. O técnico deu declarações de que seria demitido caso o time caísse diante dos Tigres, o que criou um ambiente ainda mais tenso no time.

Não foi surpreendente que esse processo tenha se encerrado com a demissão de Efraín. O problema é que isso ocorreu no começo da semana e, até a data de publicação desta coluna, o clube ainda não havia anunciado seu substituto. A situação só não é pior porque, neste fim de semana, não há jogos do Campeonato Mexicano devido às Eliminatórias da Copa. Mas é uma crise exagerada que pode minar as perspectivas do bom time tapatío neste semestre.

SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção do site Medio Tiempo para 11ª rodada do Clausura mexicano: Jorge Villalpando (Puebla); Paul Aguilar (Pachuca), Darío Verón (Pumas de la Unam), Edgar Dueñas (Toluca) e Noé Maya (San Luis); Elias Hernández (Morelia), Tressor Moreno (San Luis), André Luiz (Jaguares de Chiapas) e Nestor Calderón (Toluca); Christian Giménez (Pachuca) e Miguel Sabah (Morelia). Técnico: José Luis Sánchez Solá (Puebla).

Convocações

Veja as convocações de outras seleções latino-americanas para os jogos das Eliminatórias desta semana (a primeira parte foi publicada na semana passada. Clique aqui).

Chile
Goleiros: Claudio Bravo, (Real Sociedad-ESP), Miguel Pinto (Universidad de Chile) e Christopher Toselli (Universidad Católica); defensores: Arturo Vidal, (Bayer Leverkusen-ALE), Mauricio Isla (Udinese-ITA), Ismael Fuentes (Jaguares de Chiapas-MEX), Pablo Contreras (PAOK-GRE), Waldo Ponce (Vélez Sarsfield-ARG), Rodrigo Tello (Besiktas-TUR), Roberto Cereceda (Colo-Colo) e Gonzalo Jara (Colo-Colo); meio-campistas: Marco Estrada (Universidad de Chile), Manuel Iturra (Universidad de Chile), Emilio Hernández (Universidad de Chile), Carlos Carmona (Reggina-ITA), Pedro Morales (Dynamo Zagreb-CRO), Matías Fernández (Villarreal-ESP), José Pedro Fuenzalida (O’Higgins) e Fernando Menesses (O’Higgins); atacantes: Alexis Sánchez (Udinese-ITA), Fabián Orellana (Audax Italiano), Humberto Suazo (Monterrey-MEX), Mark González (Betis-ESP), Jean Beasejour (América-MEX) e Héctor Mancilla (Toluca-MEX).

Colômbia
Goleiros: Agustín Julio (Independiente Santa Fe) e David Ospina (Nice-FRA); defensores: Mario Yepes (Chievo-ITA), Jossimar Mosquera (Arsenal-ARG), Amaranto Perea (Atlético de Madrid-ESP), Camilo Zúñiga (Siena-ITA), Pablo Armero (Palmeiras-BRA), Iván Vélez (América de Cali) e Christian Zapata (Udinese-ITA); meio-campistas: Macnelly Torres (Colo-Colo-CHI), Abel Aguilar (Hércules-ESP), Juan Carlos Toja (Steaua Bucareste-ROM), Stalin Motta (La Equidad), Fabián Vargas (Boca Juniors-ARG), Vladimir Marín (Libertad-PAR), Gerardo Bedoya (Millonarios) e Jairo Palomino (Atlético Nacional); atacantes: Radamel Falcao García (River Plate-ARG), Hugo Rodallega (Wigan-ING), Darwin Quintero (Santos Laguna-MEX) e Wason Rentería (Braga-POR).

Equador
Goleiros: José Francisco Cevallos (LDU Quito), Marcelo Elizaga (Emelec) e Máximo Banguera (Barcelona); defensores: Néicer Reasco (LDU Quito), Miguel Ibarra (Espoli), Giovanny Espinoza (Barcelona), Jayro Campos (LDU Quito), Jorge Guagua (El Nacional), Iván Hurtado (Millonarios-COL), Isaac Mina (Deportivo Quito), Paúl Ambrossi (LDU Quito) e Deison Méndez (Espoli); meio-campistas: Segundo Castillo (Everton-ING), Edison Méndez (PSV-HOL), Antonio Valencia (Wigan-ING), Christian Noboa (Rubin Kazan-RUS), Joffre Guerrón (Getafe-ESP), Walter Ayoví (Monterrey-MEX), David Quiroz (Emelec), Patricio Urrutia (LDU Quito) e Jefferson Montero (Real Madrid Castilla-ESP); atacantes: Felipe Caicedo (Manchester City-ING), Christian Benítez (Santos Laguna-MEX), Pablo Palacios (Barcelona), Walter Calderón (LDU Quito) e Joao Rojas (Emelec).

Uruguai
Goleiros: Sebastián Viera (Villarreal-ESP), Martín Silva (Defensor Sporting) e Rodrigo Muñoz (Nacional); defensores: Diego Lugano (Fenerbahçe-TUR), Carlos Valdez (Reggina-ITA), Andrés Scotti (Argentinos Juniors-ARG), Diego Godín (Villarreal-ESP), Martín Cáceres (Barcelona-ESP), Martín Rodríguez (Nacional), Bruno Silva (Ajax-HOL) e Juan Manuel Díaz (Estudiantes-ARG); meio-campistas: Maximiliano Pereira (Benfica-POR), Diego Pérez (Monaco-FRA), Sebastián Eguren (Villarreal-ESP), Álvaro Pereira (Cluj-ROM), Diego Arismendi (Nacional), Álvaro Fernández (Nacional), Cristian Rodríguez (Porto-POR) e Jorge Martínez (Catania-ITA); atacantes: Diego Forlán (Atlético de Madrid-ESP), Edinson Cavani (Palermo-ITA), Juan Albín (Getafe-ESP), Sebastián Abreu (Real Sociedad-ESP) e Luis Suárez (Ajax-HOL).

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Equipe Trivela

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