México

Atual campeão, América começa a temporada voando alto

Líder, invicto, atual campeão nacional e time a ser batido no futebol mexicano. Esbanjando um futebol vistoso e potente. Se alguém pintasse esse cenário em Coapa há cerca de um ano, nem o mais fanático dos torcedores acreditaria. Mas esse é o América atual, que vem acumulando grandes exibições e goleadas em sequência e não parece dar pinta de ter parado em sua conquista mais recente.

É bem verdade que elenco, torcida e exposição midiática nunca faltaram no estádio Azteca. Mantido pelo grupo de mídia mais forte do México, o América nem se lembra mais do que é sofrer com a falta de recursos. A questão é que esses fatores acabaram por tornarem-se também as principais fontes de problemas para que os Canários retomassem o caminho das glórias.

Era (e ainda é) comum que a cada janela de transferências as águias contratem os jogadores que mais se destacam no torneio anterior por clubes pequenos, médios ou mesmo rivais. O que à primeira vista poderia indicar uma fórmula de fortalecimento, contudo, quase sempre se tornava sinônimo de fracasso. Com muitas entradas e saídas, e as consequentes mudanças no advindas desse processo, era difícil encontrar um entrosamento que resultasse em campanhas dignas do potencial do elenco americanista.

Do potencial e da cobrança, claro. Com tamanha popularidade e exposição, a pressão se tornava insustentável em um ambiente onde os títulos não fossem sequenciais e exigiam dos recém-chegados um sucesso quase que imediato, sob pena de adquirirem a pecha de fracasso e daí partir para ainda mais contratações e cobranças. Como num ciclo vicioso, eram raros os projetos duradouros na capital azteca, com entradas e saídas de comissões técnicas que inviabilizavam um mínimo planejamento a longo prazo.

Os tempos começaram a mudar com a saída de Michel Bauer. Reconhecidamente afeito às mudanças bruscas e projetos interrompidos ao menor sinal de irregularidade, o dirigente notabilizou-se por tornar um verdadeiro vulcão um ambiente já em constante ebulição. A chegada de Ricardo Peláez, em 2011, mudou esse panorama. E, por incrível que pareça, a receita para o sucesso do América não precisou de muito mais do que já estava lá.

Bastou a blindagem do elenco e a manutenção de um técnico com um mínimo de qualidade reconhecida (e não foram poucos os bons treinadores que por lá passaram, mas tiveram vida curta, na época de vacas magras). O restante foi mantido: grandes jogadores (os melhores do país), apoio da torcida (e consequente ódio dos rivais) e um trabalho político de bastidores (muito criticado) que dificilmente permite que o clube seja prejudicado pela arbitragem (muito pelo contrário, diriam as más línguas).

A conquista da taça com ares de epopeia no último Clausura sobre o rival Cruz Azul só aumentou a força e o bom momento dos Canários, que começaram o Apertura voando, com um futebol ainda mais envolvente e superior aos dos seus adversários.

Até mesmo o acaso atuou ao lado das águias. O clube vendeu seu maior craque (“Chucho” Benítez) para o futebol árabe e utilizou boa parte dos recursos para reforçar ainda mais o elenco. Obviamente o América não contava com o falecimento do equatoriano em seus primeiros passos no Oriente Médio, mas capitalizou em cima do ocorrido, com homenagens e crescimento na venda de camisetas nos dias que seguiram à perda do atacante, até hoje a contratação mais cara da história do futebol azteca.

Promessas que antes insistiam em não vingar, como o atacante Raúl Jiménez, hoje dão conta do recado, atuando com tranquilidade ao lado de veteranos contratados para ofertar experiência e com capacidade para decidir partidas nos momentos mais agudos, caso do atacante colombiano Luis Gabriel Rey.

O momento é tão bom que nem mesmo os recentes rumores de saída do Miguel Herrera para comandar a seleção mexicana, na vaga do recém-demitido José Manuel de la Torre, ganharam a força que costumavam ter na imprensa. “El Piojo” deixou claro seu desejo de ficar, aliviando torcedores e dirigentes, conscientes da importância do comando do técnico no elenco atual.

Certamente ainda não dá para cravar que a fase do América é duradoura, que títulos e campanhas inesquecíveis se seguirão. Mas com a queda de desempenho de Monterrey, Santos e Tigres, as dificuldades nos momentos decisivos de Morelia e Toluca e as péssimas fases dos grandes Chivas e Pumas, o caminho está aberto para o reestabelecimento de uma potência que conhece como poucos o mapa da mina das dinastias em solo mexicano.

Curtas

– Seleção do site Mediotiempo da 8ª rodada do Apertura: Édgar Hernández (Querétaro), Juan Carlos Valenzuela (América), Jonny Magallón (León), Rafael Márquez (León) e Rodrigo Salinas (Morelia); Luis Ángel Mendoza (América), Luis Pérez (Querétaro), José Maria Cárdenas (Morelia) e Elías Hernández (León); Matías Alustiza (Puebla) e Luis Gabriel Rey (América); T: Gustavo Matosas (León);

– Seleção do site Mediotiempo da 9ª rodada do Apertura: Guillermo Allison (Cruz Azul), Erik Pimentel (América), Mario Osuna (Querétaro), Pablo Aguilar (Tijuana) e William Paredes (Chiapas); Luis Ángel Mendoza (América), Alejandro Castro (Cruz Azul), Alejandro Vela (Atlante) e Fidel Martínez (Tijuana); Aldo de Nigris (Chivas Guadalajara) e Omar Bravo (Atlas); T: Jorge Almirón (Tijuana); 

Costa Rica

– Mesmo empatando sem gol com o Puntarenas, o Saprissa manteve a liderança isolada do Campeonato de Invierno da Primera División, com 14 pontos em 6 partidas. Carmelita e Alajuelense, que venceram seus duelos na rodada, aparecem logo a seguir, com 10, assim como o Herediano, que soma, entretanto, uma partida a menos que os rivais;

Guatemala

– Atual bicampeão nacional, o Comunicaciones parece distante de perder sua coroa na Liga Nacional. Mesmo tendo sua segunda partida consecutiva adiada, os Albos mantém o topo do Apertura, com 15 pontos em 5 jogos e 100% de aproveitamento, único time ainda invicto no torneio. O vice-líder com 13 pontos é o Heredia, que derrotou o Municipal e mandou o rojo para a terceira posição, ao lado do Suchitepéquez, ambos com 11; 

El Salvador

– Com um triunfo mínimo sobre o Isidro Metapán, o Alianza reassumiu a ponta do Apertura da Liga Mayor, com 14 pontos em 7 jogos. Os Elefantes contaram com o tropeço do FAS, superado em casa pelo Atlético Marte, que caiu para o terceiro posto, com 12 pontos, vendo também a ultrapassagem do algoz, novo vice-líder, com 13. Já o atual campeão Luis Ángel Firpo não passou de um empate sem gols com o Juventud Independiente e ocupa a modesta 8ª posição;

Honduras

– Uma vitória sobre o Victoria (!!!) manteve o atual tetracampeão Olimpia na liderança do Apertura da Liga Nacional, com 13 pontos em 6 partidas, ao lado do Real España, que obteve uma incrível virada em visita ao Platense, mesmo após estar perdendo por 2×0. Já o Real Sociedad não passou de um empate com o Vida e desgarrou do topo, com 11 pontos;

Panamá

– Surpreendido com um revés pelo Independiente, fora de casa, o Tauro manteve a ponta do Apertura da Liga Panamenha, com 17 pontos em 9 jogos. Mas a definição quanto ao líder do primeiro turno da Copa Digicel depende do resultado da partida adiada entre San Francisco, vice-líder com 16 pontos, e Plaza Amador. Atual campeão, o Sporting San Miguelito apenas empatou com o lanterna Río Abajo e segue em má fase, na modesta 8ª posição, com 10 pontos;

Haiti

– Com uma excelente goleada pra cima do Petit-Goâve (4×0), o atual campeão Valencia se recuperou do revés na rodada anterior e reassumiu a liderança do hexagonal decisivo da Digicel Première Division, com 12 pontos em 6 partidas, ao lado do Mirebalais, que bateu o Aigle Noir por 3×0 fora de casa. Antigo líder, o Racing Club Haïtien ficou no empate sem gols contra o Baltimore e caiu para o terceiro lugar, com 11 pontos. Faltando 4 rodadas para a definição do campeão, Baltimore (6 pontos), Petit-Goâve (5) e Aigle Noir (2) estão praticamente fora da disputa;

– No hexagonal contra o descenso, Victory e Tempête empataram no duelo dos lanternas e continuam ocupando as duas vagas destinadas aos clubes rebaixados até o momento, com 4 e 7 pontos, respectivamente. Outro forte concorrente à degola, o América des Cayes perdeu mais uma, dessa vez para o Don Bosco. Até o momento, Don Bosco (10 pontos), Cavaly (10), FICA (10) e América des Cayes (8) escapariam da queda, caso a Liga Haitiana terminasse hoje;

Nicarágua

– Com dois gols do artilheiro Rudel Calero, o atual tetracampeão Real Estelí superou o Diriangén no “Clásico Nacional” e recuperou-se do revés na rodada anterior, mantendo com folga a liderança da Liga Nacional, com 21 pontos em 8 jogos, e mandando o rival para a quarta posição, com 14. Vice-líder, o ART Jalapa derrotou o San Marcos e soma 17 pontos, contra 15 do Walter Ferretti, que bateu o Juventus.

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