México

Atacar é preciso

É um erro dizer que a Colômbia foi retrancada contra o Brasil na última quarta. É verdade que os cafeteros jogaram com duas linhas de quatro bem próximas, o que configura uma equipe defensiva que quer congestionar seu campo para tirar espaço dos adversários. Ainda assim, havia um homem de ligação, um centroavante de referência e, principalmente, jogadores da linha de meio-campo saindo para participar das ações ofensivas e até deixando espaço nas costas para contra-ataques.

Ainda assim, a Colômbia ficou no 0. Como havia ficado no primeiro turno contra o Brasil. Como havia ficado contra Bolívia, Equador, Uruguai, Chile e Paraguai. Nas dez rodadas nas eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2010, em sete os cafeteros saíram de campo sem marcar gols. No total, foram apenas quatro, menos do que os bolivianos Marcelo Moreno e Botero, que marcaram cinco tentos cada. Essa ineficiência ofensiva contrasta com a forte defesa. Mesmo tendo tomado de 4 a 0 do Chile, os colombianos têm média de 0,8 gol sofrido por partida.

Esse cenário não chega a ser uma novidade. Nas eliminatórias para a Copa de 2002, a Colômbia sofreu apenas 15 gols, segunda melhor marca do certame. Quatro anos depois, os colombianos foram vazados apenas 16 vezes, menos do que qualquer concorrente.

Os números evidenciam a fortaleza defensiva construída pelos cafeteros na última década. No entanto, nas duas últimas eliminatórias, a Colômbia não se classificou para a Copa. E, na atual, também não estaria conquistando um lugar na África do Sul 2010. Ou seja, é uma filosofia de jogo que claramente não tem funcionado.

Essa nova cara do futebol colombiano já se enraizou na atual geração. A quantidade de atacantes de talento está cada vez mais reduzida. Para a rodada dupla desta semana, Eduardo Lara convocou Freddy Montero, Dayro Moreno, Darwin Quintero e Wason Rentería. Falcao García, Edizon Perea e Rodallega foram deixados de lado, mas são selecionáveis. Um hepteto que não impressiona, ainda que Rentería, García e Rodallega tenham chamado a atenção no início de carreira.

A situação fica ainda mais grave se considerado a falta de talento no meio-campo. Giovanny Hernández, Macnelly Torres, Tressor Moreno e Freddy Guarín são jogadores de talento, mas não se igualam a Rincón ou Valderrama. Nem em qualidade de jogo, muito menos em espírito de liderança e capacidade de assumir a responsabilidade. Ou seja, nem quando quer (como contra o Brasil), a Colômbia consegue ser incisiva no ataque.

Essa característica que já tomou conta do futebol do país. Mesmo os clubes, quando disputam competições internacionais, mostram excesso de preocupações defensivas. O Once Caldas de 2004 é o maior – e único bem sucedido – exemplo disso.

Não é difícil entender como essa nova cultura futebolística não tem dado resultados. O motivo é simples: ela vai contra a natureza do futebol colombiano. Mesmo com o romantismo de lado (e era inviável pensar em defesas vulnerabilíssimas como as que a Colômbia já teve), os cafeteros só foram protagonistas no cenário internacional quando tentavam construir seu jogo. O problema é que, do modo como a seleção do país se organizou na última década, vai ser difícil mudar radicalmente em pouco tempo. Talvez seja o caso de esperar para as eliminatórias da Copa 2014.

México: Tudo embolado

O Apertura mexicano entra na reta final de sua fase de classificação. Faltam cinco rodadas para definir os classificados ao mata-mata e o equilíbrio é tamanho que mesmo as equipes de pior campanha ainda têm possibilidade de chegar à Liguilla. Desse modo, não há mais margem de erro. Há diversos confrontos diretos pela frente e times tradicionais, como América, Chivas, Pumas e Monterrey precisam deixar de lado as oscilações para arrancarem.

No Grupo 1, o Atlante tem alguma folga, com 23 pontos. A partir daí, só seis pontos separam o segundo colocado (Santos Laguna, com 16) do último (Puebla). No meio deles, Pachuca, Monterrey e Indios. Pelo futebol e potencial de crescimento, Santos Laguna e Pachuca são os candidatos mais fortes. Monterrey ainda tem um elenco interessante, mas não encontrou o futebol rápido de contra-ataques do Clausura. Indios e Puebla brigam, na verdade, para fugir do rebaixamento.

A chave 2 é a que tem times mais tradicionais e mais equilíbrio. O Cruz Azul pulou para a liderança com a vitória por 2 a 0 no clássico contra as Pumas de la Unam. Tecos e Morelia vêem logo atrás, como azarões. A partir daí, só potências: Pumas, Chivas e América. Pelos elencos, americanistas e Rebaño deveriam lutar pela ponta. Nas últimas rodadas, os dois maiores clubes do México encontraram um pouco de paz, mas esse equilíbrio é frágil. Até porque ainda há um superclásico pelo caminho…

O Grupo 3 também tem um líder destacado. No caso, o San Luis, com 24 pontos. Os Gladiatores praticam o futebol mais competitivo do Apertura, com um elenco muito bem balanceado e um conjunto que ganha solidez há alguns anos. Os Tigres de la UANL estão na segunda posição com 18 pontos, quatro a mais que Toluca e Jaguares de Chiapas. Em teoria, isso é sinal de tranqüilidade aos regiomontanos, mas o dérbi contra o Monterrey neste fim-de-semana pode mudar o clima na UANL. Além disso, o time ainda conta com a sobra do início do campeonato. Nas últimas rodadas, os Tigres caíram e podem ser surpreendidos pelo Jaguares, que venceram as duas partidas que tiveram desde que Francisco Avilán assumiu o comando do clube.

Pelo cenário apresentado, há quatro partidas-chave neste fim-de-semana. As Chivas recebem o Atlante precisando iniciar a arrancada antes que seja tarde. Ainda em Jalisco, os Tecos de la UAG tentam manter a boa campanha contra o superlíder San Luis. Santos Laguna e Jaguares fazem um jogo de duas equipes ofensivas que podem atrapalhar no mata-mata. E, claro, o clássico Monterrey x Tigres, que deve indicar o rumo que as duas equipes tomarão.

SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção da 12ª rodada do Apertura mexicano do site Medio Tiempo: Óscar Pérez (Tigres de la UANL); Mario Ruiz (Tigres de la UANL), Joaquín Beltrán (Cruz Azul), Martín Romero (Morelia) e Arturo Muñoz (Atlante); Gabriel Pereyra (Atlante), Gabriel Caballero (Pachuca), Gabino Velasco (Cruz Azul) e Ricardo Esqueda (Indios); Adolfo Bautista (Jaguares de Chiapas) e Andrés Mendoza (Morelia). Técnico: Francisco Avilán (Jaguares de Chiapas).

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Equipe Trivela

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