As Águias alçam voo

Uma semana perfeita. Assim podem ser definidos os oito dias do América compreendidos entre sábado, 29 de janeiro, e o último domingo, 6 de fevereiro. Nesse período, o clube de capital azteca passou de decepção a favorito de fato no Clausura 2011 do campeonato mexicano. Foram três vitórias convincentes que selaram de vez qualquer dúvida acerca da condição da equipe no campeonato.
Há menos de duas semanas, após o fim da 3a rodada, os Cremas pareciam fadados a iniciar uma fraca campanha no nacional. A uma derrota por 2 a 0 para o Pachuca em casa logo na estreia somaram-se um empate conquista somente aos 48 do segundo tempo contra o Jaguares e outra derrota para o Tigres por 2 a 1, também em casa e com um gol sofrido nos acréscimos da segunda etapa.
Apesar de estar apenas no início da competição, o decepcionante 16º lugar na tabela geral e a lanterna do Grupo 2 eram muito pouco para o segundo maior campeão nacional e, principalmente, para a fanática torcida Canária, que sonhava em ver o clube por fim aos seis anos de fila na Primera División.
A mudança começou com a saída de Manuel Lapuente. Apesar de querido pelo conjunto de Coapa, a mudança mostrou-se necessária pelo desgaste. O sopro de renovação foi dado com a chegada do experiente chileno Carlos Reinoso. A necessidade da troca provou-se óbvia logo na primeira partida da equipe sob novo comando: mesmo com apenas uma alteração em relação ao jogo anterior, as Águias venceram por 2 a 0 o até então líder e 100% Atlas na casa do adversário.
Em seguida, o time teve uma partida antecipada da 14ª rodada, em virtude das futuras partidas da Libertadores, contra o San Luis, e novamente acabou com mais uma invencibilidade no Clausura: com uma excelente exibição de Matías Vuoso, os Azulcremas venceram (e convenceram) com uma 3×0 no estádio azteca.
E para completar, no último domingo, em sua melhor partida no Clausura, os Millonetas dominaram com facilidade os Gallos Blancos e venceram em casa o time de Querétaro por 3 a 1, alcançando a terceira colocação no Gupo 2, apenas um ponto atrás do líder San Luís e empatado com o Atlas. Com um detalhe: está com moral e tirou a invencibilidade dos rivais do grupo.
O bom futebol do clube chega em um momento mais do que oportuno. Apesar de o campeonato não alcançar sua metade, as Águias ainda terão que dividir as atenções da competição com a Libertadores, na qual sonha superar pela primeira vez as semifinais, mesmo tendo o grupo mais difícil da competição (com Fluminense, Argentinos Juniors e Nacional). Por isso, nada melhor do que acumular gordura enquanto é possível.
Apesar das poucas contratações, os Cremas trouxeram um dos reforços que mais vem se destacando na liga mexicana até o momento. Maduro e com ótimo passe, o uruguaio Nicolás Oliveira vem comandando o meio de campo das Águias, aliado à bravura e experiência de Pavel Pardo e às seguras exibições de Montenegro e Reyna. Isso sem contar a inspiração de Vuoso, que já lidera a lista de artilheiros, com cinco gols marcados, e a notável evolução de Daniel Márquez.
Apesar da recuperação, a torcida do América ainda vê com reticência o desempenho do clube na fase regular, escolada nas recentes campanhas americanistas. Nos últimos quatro torneios nacionais, o conjunto da capital alcançou sem sustos a Liguilla, sempre como líder ou vice-líder de seu grupo, mas em nenhuma oportunidade alcançou nem mesmo a final, com campanhas decepcionantes no ápice do futebol azteca.
O medo da decepção é grande, tanto entre torcedores e diretoria, como em torcedores e atletas, mas as recentes partidas dos Millonetas podem inspirar uma equipe acostumada com as glórias e sedenta por novas conquistas.
Seleção mexicana
Na última semana, José Manuel de la Torre completou sua primeira convocação no comando da “El Tri” com seis jogadores que atuam no futebol estrangeiro, todos de clubes europeus.
Na lista nenhuma novidade: para a defesa, vieram Francisco Rodríguez, do PSV (HOL), Carlos Salcido, do Fulham (ING) e Héctor Moreno, do AZ Alkmaar (HOL). Para o meio veio Pablo Barrera, do West Ham (ING), enquanto para completar o ataque, “Chepo” convocou Giovani Dos Santos, do Racing Santander (ESP) e Javier Hernández (Manchester United).
Apesar de esperada, a lista estrangeira já causou alguns comentários na imprensa mexicana, já que todos estiveram presentes no Mundial na África do Sul, o que vai ao encontro da esperada renovação da seleção Tricolor. Entre as poucas ausências, destacam-se a de Andrés Guardado (Deportivo La Coruña-ESP) e Carlos Vela (West Bromwich-ING).
O grupo enfrenta a Bósnia-Herzegovina no próximo dia 9 de fevereiro, em Atlanta, nos Estados Unidos. Confira a lista completa:
Goleiros: Jesús Corona (Cruz Azul) e Alfredo Talavera (Toluca);
Zagueiros: Paúl Aguilar (Pachuca), Iván Estrada (Santos), Leobardo López (Pachuca), Édgar Dueñas (Toluca), Francisco Rodríguez (PSV Eindhoven), Carlos Salcido (Fulham), Héctor Moreno (AZ Alkmaar), Jonny Magallón (Chivas Guadalajara), Hugo Ayala (Tigres), Jorge Torres Nilo (Tigres) e Gerardo Rodríguez (Pachuca);
Meias: Gerardo Torrado (Cruz Azul), Israel Castro (Pumas UNAM), Pablo Barrera (West Ham), Jesús Zavala (Monterrey), Antonio Ríos (Toluca), Antonio Naelson Sinha (Toluca) e Luis Pérez (Monterrey);
Atacantes: Edgar Pacheco (Atlas), Elías Hernández (Morelia), Giovani Dos Santos (Racing de Santander), Javier Hernández (Manchester United). Néstor Calderón (Toluca), José María Cárdenas (Santos), Aldo de Nigris (Monterrey) e Juan Carlos Cacho (Pumas UNAM).



