México

Arsenal contra bi mexicano

Sarandi é uma pequena cidade na Grande Buenos Aires. Tem cerca de 60 mil habitantes e nem é a principal de sua região administrativa, perdendo a “concorrência” para Avellaneda (que também está longe de ser uma metrópole). Nessa localidade está depositada toda a esperança da América do Sul de recuperar o título da Copa Sul-Americana, que, apesar do nome, está nas mãos do México (o Pachuca ganhou em 2006). Ficou tudo nas costas do Arsenal de Sarandi.

Raras vezes uma final de torneio continental reúne clubes com tamanhos tão diferentes. Enquanto que o América disputa com as Chivas de Guadalajara o posto de clube mais popular do México (segunda economia e segundo país mais populoso da América Latina), o Arsenal não tem nem 50 anos e foi fundado por torcedores do Independiente. Aliás, as cores de El Viaducto – azul celeste e vermelho – homenageiam os dois clubes de Avellaneda, Independiente e Racing. Como que reconhecendo a inferioridade diante dos vizinhos. O estádio do Arsenal, Julio Humberto Grondona (o próprio presidente da AFA, fundador do Arsenal), nem recebe partidas grandes. Nesses casos, a casa do Racing é alugada.

Desse modo, é inevitável que o favoritismo recaia sobre o América. Até porque os mexicanos têm a vantagem de mandar seu jogo na altitude. No papel, a perspectiva também é bastante favorável às águilas. Ochoa é um goleiro de nível internacional mesmo com apenas 22 anos. A defesa, apesar de não estar em grande fase, tem experiência internacional. O meio-campo tem a liderança de Villa e o ataque, com Cabañas e Insúa, é um dos mais fortes do continente.

Com um elenco desse porte, o América pôde eliminar os Millonarios com duas vitórias, mesmo tendo de conciliar a Sul-Americana com a reta final da primeira fase do Campeonato Mexicano. Além disso, na vitória por 2 a 0 no jogo de volta, os americanistas não contavam com seu estádio (jogaram em Toluca porque o Azteca havia sido alugado) e com a dupla Insúa-Cabañas.

O Arsenal é bem mais modesto. A figura mais conhecida é o zagueiro Matellán, que começou no Boca Juniors e teve passagens pela Europa (por “Europa”, entenda-se clubes pequenos como Getafe e Gimnàstic de Tarragona). De resto, a experiência internacional é bem pequena e de valor duvidoso: Yllana passou por Brescia e Verona, Calderón defendeu Napoli, Atlas e América-MEX (isso mesmo), San Martín defendeu o Tenerife e Garnier jogou pelo Libertad.

O único jogador de relativo sucesso é Biagini, que surgiu como fenômeno no Newell’s Old Boys na década de 1990, foi para o Atlético de Madrid e esteve em uma série de clubes europeus – Mallorca, Portsmouth, Sporting Gijón, Albacete, Mérida e Rayo Vallecano – sem atender às expectativas que se tinha quando foi campeão mundial sub-20 em 1995. Pouco para quem foi comparado a Batistuta.

Desse modo, as soluções caseiras são os destaques no Viaducto. Primeiro, o goleiro Cuenca, responsável direto pela classificação nas semifinais contra o River Plate. No jogo de volta, o goleiro segurou os millonarios no tempo normal com boas defesas e catimba bem calculada. Na disputa de pênaltis, defendeu duas cobranças e ainda converteu o chute decisivo.

Curioso é que Cuenca se destaca apenas agora. Reserva do Racing, ele foi ao Arsenal em busca de algum time que lhe desse oportunidade. Antes dessa campanha na Sul-Americana, o principal item de seu currículo havia sido o título da extinta Copa Conmebol pelo Talleres, vencendo o CSA na final.

A outra figura importante na campanha do Arsenal é Gustavo Alfaro, um dos técnicos mais promissores da Argentina. Com um elenco barato e sem pretensões, Alfaro montou um time muito inteligente, que sabe ficar na defesa assimilando o assédio adversário antes de contra-atacar com muito perigo. Mais que isso: a equipe consegue usar essa estratégia com muita segurança, sendo capaz de construir campanhas consistentes, e não apenas resultados isolados.

Desse modo, o Arsenal já conseguiu vaga na próxima edição da Copa Libertadores. Desse mesmo modo, eliminou San Lorenzo, Goiás e Chivas de Guadalajara com vitórias fora de casa. Ainda segurou o 0 a 0 com River Plate e o bateu nos pênaltis no Monumental de Núñez. Falta só superar o América-MEX. E garantir que a Copa Sul-Americana faça jus ao nome e fique na América do Sul.

Boa expectativa para torneios internacionais
Acabou a primeira fase do Campeonato Mexicano. Assim, já são conhecidos os classificados para as quartas-de-final, os times que farão a repescagem e quem teve férias antecipadas. Um cenário bastante diferente dos últimos campeonatos, mas que deixa a sensação de que o México pode ter um fim de ano bom em competições internacionais.

Para que o período de mata-mata seja encurtado (ou seja, diminuindo o período de inatividade dos times já desclassificados), o regulamento do Campeonato Mexicano prevê a fase decisiva com jogos nos finais e nos meios de semana. Pode ser bom pela emoção, mas é ruim para quem tem uma segunda competição a disputar.

Esse problema já foi sentido por Pachuca e Toluca na Sul-Americana 2006 e pelo América na Libertadores 2007. O clube tem de jogar em dias seguidos e acaba se desgastando em excesso ou alinhando jogadores reservas na competição internacional. Afinal, para os mexicanos, vale mais a pena ganhar o rico campeonato nacional.

O cenário indica que isso não deve ocorrer este ano. Pelo Grupo 1, se classificaram Toluca (34 pontos) e Pumas de la Unam (24). No Grupo 2, passaram Santos Laguna (38) e Atlante (33). No Grupo 3, se qualificaram Chivas de Guadalajara (31) e San Luis (29). As duas últimas vagas nas quartas-de-final serão decididas na repescagem, que envolve América, Pachuca, Cruz Azul e Morelia.

Em teoria, é problema para águilas e tuzos. Além de jogar duas partidas a mais (as da repescagem), o América tem as finais da Sul-Americana. O Pachuca está em situação parecida, pois já pensa no Mundial de Clubes em dezembro. Mas tudo mudou depois dos jogos de ida. O América perdeu por 3 a 0 para o Morelia e só consegue a classificação se golear o mesmo adversário no Azteca. O Pachuca ficou em situação mais delicada ainda, pois caiu em casa diante do Cruz Azul (0 a 2).

Fica evidente o desgaste das duas equipes. Sobretudo o Pachuca, que não se encontrou no Apertura 2007 por claro cansaço físico e psicológico depois de um ano e meio bastante intensos (títulos do Clausura 2006 e 2007, da Copa Sul-Americana e da Copa dos Campeões da Concacaf). Pensando no Mundial de Clubes, talvez fosse boa uma eliminação precoce no Mexicano, dando semanas para descanso e preparação para o torneio.

O América fica na mesma situação. Apesar de haver dúvidas se o clube realmente queria priorizar a Sul-Americana. A sensação é que o Apertura é visto com mais carinho, mas o torneio continental por vir de consolo. Se assim for, é problema para o Arsenal.

CURTAS

COPA SUL-AMERICANA
– É a terceira final seguida da Copa Sul-Americana com time mexicano. Em 2005, as Pumas de la Unam perderam do Boca Juniors nos pênaltis. Em 2006, o Pachuca venceu Colo-Colo.

BOLÍVIA
– Nacional Potosí e Guabirá fazem a decisão da Copa Simon Bolívar, equivalente à segunda divisão boliviana. O vencedor tem vaga assegurada na elite e substitui o Destroyers.

CHILE
– Falta uma rodada para o final da primeira fase do Clausura. Já estão classificados Audax Italiano, Universidad de Chile, Colo-Colo, O’Higgins, Cobresal, Universidad de Concepción e Universidad Católica. Cobreloa, Palestino, Huachipato e Concepción brigam pela última vaga. Audax Italiano e Universidad de Chile lutam pela primeira posição geral, que dá vaga para a Copa Libertadores.

– O Coquimbo Unido já foi rebaixado. Lota Schwager, Puerto Montt e Santiago Wanderers lutam por uma vaga na repescagem. Os outros dois caem também.

COLÔMBIA
– O Boyacá Chicó ficou com a última vaga na fase semifinal do Finalización. Veja como ficaram os grupos: Quadrangular A: América de Cáli, Atlético Nacional, Cúcuta e Once Caldas; Quadrangular B: Boyacá Chicó, Deportivo Pasto, La Equidad e Tolima.

– A final da Segundona colombiana está entre Envigado e Academía de Bogotá.

COSTA RICA
– Paulo Wanchope anunciou sua aposentadoria.

EQUADOR
– Cada vez parece mais difícil que alguém tire de Casa Blanca o título equatoriano. A LDU Quito lidera o hexagonal final com 17 pontos, seis a mais que Olmedo e Deportivo Cuenca.

MÉXICO
– O Santos Laguna apresentou o projeto de modernização de seu complexo esportivo. As obras teriam custo de US$ 100 milhões, bancados por prefeitura de Torreón, governo do estado e o Grupo Modelo (dono da cervejaria Corona e do clube). O estádio Corona terá capacidade para 38 mil torcedores.

– O empresário brasileiro Aurélio Almeida afirma ter comprado o Puebla. O clube mexicano nega. Tem jeito de lorota, pois Almeida é o mesmo empresário que faliu o Grêmio Maringá, criou o Império Toledo e foi acusado de irregularidades com seu terceiro clube, o Real Brasil.

PARAGUAI
– O Libertad é praticamente campeão do Clausura. Os gumarelos fizeram 3 a 0 no 12 de Octubre e foram a 48 pontos, seis a mais que o Cerro Porteño, que empatou com o Tacuary em 3 a 3. Faltam quatro rodadas.

PERU
– O Sporting Cristal já completa sete partidas seguidas sem derrota, sendo que as quatro últimas rodadas venceu por 1 a 0. Com isso, o time saiu da zona de rebaixamento e seu técnico, Juan Carlos Oblitas, já foi sondado pelo Atlas, do México.

URUGUAI
– O Defensor Sporting foi goleado surpreendentemente pelo River Plate por 5 a 1 e permitiu que o Rampla Juniors o alcançasse na liderança do Apertura. As duas equipes têm 26 pontos.

VENEZUELA
– Uma inesperada derrota em casa do Caracas reabriu o Apertura venezuelano. Depois de cair por 1 a 0 para o Monagas, os rojos del Ávila continuaram com 28 pontos, dois a mais que o Deportivo Anzoátegui.

– O estádio Metropolitano de Mérida foi interditado por duas partidas. A punição se deve ao fato de, em Estudiantes x Deportivo Táchira, um torcedor académico atirou um objeto no gramado, acertando um bandeirinha. O Estudiantes vai apelar da decisão.

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Equipe Trivela

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