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André Jardine consegue uma baita oportunidade no México, anunciado como novo técnico do América

Jardine fez um trabalho que surpreendeu positivamente no Atlético San Luís e chega como novo comandante do maior campeão nacional

A ausência de treinadores brasileiros nos maiores centros do futebol mundial é motivo de constante debate. No entanto, uma história interessante começou a ser escrita no Estádio Azteca a partir deste final de semana. André Jardine foi anunciado como novo técnico do América do México. A Liga MX pode não ocupar exatamente a primeira prateleira no nível internacional, mas não se nega que as Águilas são uma potência regional e que também possuem uma capacidade enorme de mobilização pelo tamanho de sua torcida. Jardine terá a oportunidade de se colocar à frente do clube, após se projetar com a seleção olímpica do Brasil e também fazer seu nome no México com o Atlético San Luís, num trabalho surpreendente.

A história de André Jardine no futebol quase sempre esteve atrelada às categorias de base. Trabalhou por muitos anos no Internacional, antes de passar pelo Grêmio. Já um reconhecimento mais amplo aconteceu no São Paulo, onde conduziu um bom trabalho nos juniores e teria uma breve passagem pelo elenco profissional. A eliminação precoce na Copa Libertadores custou seu emprego, mas as experiências anteriores levaram o técnico ao comando da seleção sub-20 do Brasil. E o salto aconteceu antes do esperado: com a ida de Sylvinho para o Lyon, o comandante terminou promovido à seleção olímpica rumo aos Jogos de Tóquio.

Não se nega que André Jardine realizou um bom trabalho dentro das estruturas da CBF. A seleção olímpica observou um grande número de jogadores durante sua passagem pela casamata e também montou um time competitivo rumo a Tóquio. A pressão pelo ouro olímpico podia não ser tão grande quanto em outros tempos, mas não é isso que diminui a qualidade da Canarinho ao longo da campanha. A equipe conseguiu se impor com bons resultados e celebrou a conquista do ouro na final contra a Espanha. Com um aproveitamento altíssimo ao longo da passagem pela CBF, Jardine ganhava renome internacional.

O México abriu as portas para o treinador a partir de fevereiro de 2022. O Atlético San Luís é um mero coadjuvante na Liga MX, mas possui sua gestão atrelada ao Atlético de Madrid e poderia garantir novas oportunidades. Jardine aceitou o convite e teve bons resultados. Os rojiblancos se recuperaram no Clausura 2022, no qual deixaram a lanterna e avançaram aos mata-matas, passando pelo Monterrey antes da eliminação apertada contra o Pachuca. Não avançaram aos mata-matas do Apertura 2022, mas de novo chegaram à fase decisiva no Clausura 2023. Outro grande feito aconteceu com a passagem sobre o León, atual vencedor da Concachampions. Os azarões de novo pararam nas quartas de final, mas deram trabalho ao América e até venceram a volta. Carinhosamente, o San Luís ganhou o apelido de “La Jardineta” por seus resultados.

O América do México caiu nas semifinais do mesmo Clausura, com a reviravolta sofrida em pleno Estádio Azteca para o rival Chivas Guadalajara. O técnico Fernando Ortíz pediu demissão logo na saída do estádio e até já conseguiu novo emprego, ao assumir o Monterrey. As Águilas então resolveram abrir as portas para Jardine. Durante seus meses no Atlético San Luís, o brasileiro contou com bons recursos – treinando figuras experimentadas como Marcelo Barovero, Léo Bonatini, Rodrigo Dourado e Rubens Sambueza. Porém, isso não se compara ao poderio representado pelo América e também a capacidade competitiva dos Cremas. O gaúcho estará na primeira prateleira do futebol mexicano.

O Campeonato Mexicano possui um histórico positivo de treinadores brasileiros. O experiente Jorge Vieira conseguiu ser campeão em temporadas consecutivas pelo América, em 1986/87 e 1987/88. Já neste século, Tuca Ferretti se firmou como uma lenda do país ao acumular sete troféus – cinco deles pelo Tigres, mas também vencedor da liga por Chivas e Pumas, além de faturar a Concachampions com o Toluca. Não à toa, o carioca ainda conseguiu ser interino da seleção mexicana em três diferentes momentos.

No caso do América do México, Jardine será o terceiro brasileiro a passar pelo comando. O pioneiro foi justamente Jorge Vieira, que chegou ao país com uma carreira rodada, de quem já tinha passado por vários clubes de peso do Brasil – a ponto de ganhar o Campeonato Carioca com o America e o Campeonato Paulista com o Corinthians. Ficou no cargo de 1987 a 1990, com um ótimo aproveitamento de 63% dos pontos e dois títulos do Campeonato Mexicano. Já entre 1991 e 1992, o América abriu as portas para Paulo Roberto Falcão logo depois de sair da Seleção. A passagem do craque foi bem mais curta, com um aproveitamento inferior e sem taças. Jardine retoma essa história depois de 31 anos. Talvez o sucesso no Azteca não o projete para a Europa, mas pode valer outros passos e também a chance de triunfar num gigante como as Águilas.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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