México

América domina a Liga MX, de novo. Dá para chegar ao bi?

Onze vitórias em 14 partidas. Melhor defesa, segundo melhor ataque, maior número de triunfos e menor número de derrotas e empates. A melhor campanha e a liderança da fase regular parecem questões formais, frutos de um desempenho como o do último fim de semana, quando, mesmo desfalcado de 10 atletas convocados para defender a seleção nacional e já sem a presença de Miguel Herrera, temporariamente à serviço da Tricolor, as águias impuseram fáceis 3 a 1 sobre um Puebla que luta por uma vaga na Liguilla, conquistando seu décimo triunfo consecutivo no Azteca. Mas vale uma pergunta: quais as reais chances do América conquistar o título?

Logo de cara, o histórico não costuma favorecer os times que terminam a fase regular da Primeira División na liderança. Desde a adoção do sistema de torneios curtos, em 1996, apenas 6 dos 34 times que fizeram a melhor campanha na primeira fase alcançaram o título no mata-mata. Uma média de menos de 18%, pouco acima das chances matemáticas puras em um sistema de playoffs de oito times (12,5%), o que denota, além do equilíbrio característico do campeonato mexicano, que os clubes aztecas encontram dificuldades para fazer valer seu favoritismo em âmbito local (por lá existe até mesmo a chamada “Maldição da Superliderança”).

Para piorar os canários não foram um desses líderes campeões nenhuma das vezes: Toluca (3x), Pachuca (2) e Santos (o último a obter o feito, em 2012) conseguiram impor a melhor campanha e ficar com a taça.

É preciso considerar, também, quando a melhor forma do grupo será alcançada. Um fraco desempenho em uma das partidas, em um modelo que adota eliminação em sistema de ida e volta, pode colocar tudo a perder. Uma desvantagem potencializada pelo fado do clube de Coapa jogar em alto nível durante boa parte dos últimos três meses, dividir a atenção com a disputa da Concachampions (ainda que o clube tenha sido eliminado já na fase de grupos) e contar com muitos jogadores convocados pela seleção nos momentos que antecedem a disputa da Liguilla.

Se existem pontos negativos, é difícil não apontar também as vantagens que dispõem as águias. Dono do elenco mais poderoso do futebol azteca, o América conta com um suporte financeira do grupo de mídia Televisa que possibilita investimentos praticamente inesgotáveis dentro do cenário nacional. Nomes como o paraguaio Martínez, o argentino Sambueza ou o meia Bermúdez, que brilharam por adversários locais, foram contratados com facilidade pelos canários, assim como os experientes zagueiros Mosquera e “Maza” Rodríguez foram trazidos do futebol europeu.

O resultado desses investimentos, aliados a bons frutos colhidos da base é um elenco que mescla como poucos experiência e juventude, o que permite ao clube sonhar com grandes conquistas nos próximos anos.

O ambiente interno e o bom momento com a torcida são outros fatores que jogam a favor. A manutenção da linha de trabalho de “Piojo” Herrera, que volta para comandar o clube nos playoffs, ajudou a blindar o elenco de pressões externas. Uma tranquilidade que possibilitou o título do Clausura na primeira parte do ano e que gera a excelente fase vivida no Apertura, no qual a equipe emendou sequência de oito vitórias em nove partidas. E com o bom momento veio também o apoio incondicional da fanática torcida americanista. Capaz tanto de jogar contra quando a fase do clube é ruim, quanto de se tornar um aliado indispensável no inferno que transforma o estádio Azteca, o maior do futebol mexicano.

Em resumo, as chances do América alcançar um bicampeonato que não vem desde 1989 são boas. Em partes por que mesmo os adversários que vivem uma fase relativamente regular ainda não encontraram uma forma eficiente de barrar o estilo seguro, mas eficiente de atuar dos comandados de Herrera. E, mesmo que encontrem, o leque de opções à disposição são fartos e permitem grandes variações. É plausível e realista pensar em grandes conquistas, mas somente “La Fiesta Grande”, como os aztecas chamam seu mata-mata, e seus momentos decisivos definirão se as águias estão realmente prontas para dar seu voo mais alto.

Curtas

– Seleção do site Mediotiempo da 15ª rodada do Apertura: Oscar Pérez (Pachuca), Oswaldo Alanís (Santos), Aquivaldo Mosquera (América), Facundo Erpen (Atlas) e Daniel Arreola (Pachuca); Darío Burbano (León), Edson Rivera (Atlas), Sinha (Toluca) e Rubens Sambueza (América); Pablo Velázquez (Toluca) e Eduardo Herrera (Santos); T: Pedro Caixinha (Santos).

Costa Rica

– Mesmo com um a menos, o Saprissa conseguiu um gol já nos acréscimos contra o Puntarenas para obter sua 11ª vitória e ampliar a vantagem na liderança do Campeonato de Invierno, com 37 pontos em 17 jogos, aproveitando o tropeço do Herediano, que não passou de um empate em visita ao Cartaginés, quarto colocado, e soma 33 pontos na vice-liderança, mas em 16 partidas. Quem também aproveitou a bobeada do clube de Heredia foi a Alajuelense, que venceu o Santos de Guápiles e chegou aos 32 pontos.

Guatemala

– Líder disparado do Apertura, o Comunicaciones tropeçou em casa, ao ficar no empate contra a USC, mas não viu ameaçada sua posição no topo, já que o rival Municipal foi derrotado pelo Coatepeque e segue distante da ponta. O atual bicampeão tem 35 pontos em 15 partidas, contra 28 do maior campeão da Liga Nacional.

– Há sete rodadas do fim da fase de classificação, Marquense (23 pontos), Suchitepéquez (22), Heredia (22), Halcones (20), Universidad SC (20) e Xelajú (19) completam o grupo dos que hoje estariam classificados para a fase final do Apertura.

El Salvador

– Com uma tranquila vitória sobre o Águila, o Atlético Marte alcançou os 30 pontos em 14 jogos e garantiu a primeira vaga nas semifinais di Apertura da Liga Mayor, praticamente assegurando também a liderança da fase regular. A disputa mais acirrada aparece pelas 3 vagas restantes: Isidro Metapán, FAS e Alianza dividem a segunda posição, todos com 21 pontos, mas nenhum venceu no fim de semana.

– Isidro e FAS não passaram de empates contra Dragons e Santa Tecla, respectivamente, enquanto o Alianza foi massacrado pelo Juvetud Independiente, que impôs impiedosos 6×0, com um “triplete” do uruguaio Jesús Toscanini. Com quatro partidas restante para o fim da primeira fase do Apertura, o Águila ocupa o sexto lugar, com 16 pontos, enquanto o atual campeão Luis Àngel Firpo é apenas o oitavo, com 15;

Honduras

– Em rodada atípica na Liga Nacional, todos os líderes perderam, acirrando ainda mais a disputa pelas vagas na fase final. Real Espanã, Olimpia, Real Sociedad e Deportivo Savio caíram fora de casa para Marathón, Motagua, Parrilas One e Vida, respectivamente, de forma que os dois primeiros dividem a liderança, com 23 pontos, e os dois últimos aparecem logo a seguir, ambos com 22;

– Há quatro rodadas do fim da fase regular, Motagua e Victoria, ambos com 19 pontos, ocupam atualmente as duas vagas restantes na repescagem para a fase final. Mesmo com o triunfo no “Clásico Capitalino”, o Marathón ainda é o lanterna, com 16 pontos;

Panamá

– Com triunfos no fim de semana, os líderes do Apertura da Liga Panamenha seguem firmes no topo. O Tauro bateu o lanterna Río Abajo e segue na ponta, com 32 pontos, enquanto o Plaza Amador, que superou o Independiente, tem um ponto a menos. Logo a seguir, com 30 pontos, está o San Francisco, que arrancou três pontos do Chorrillo fora de casa. Fechando o grupo dos quatro primeiros que garantem vaga na fase final aparece o Chepo, que visitou o Alianza e, com uma vitória mínima, chegou aos 27 pontos;

– O Árabe Unido venceu o Sporting San Miguelito, mas segue distante das vagas para o mata-mata, com 20 pontos e em 7º lugar na Copa Digicel;

Jamaica

– Como não houve rodada no fim de semana na divisão principal do futebol jamaicano, o Humble Lions manteve a ponta da National Premier League, com 12 pontos em 5 jogos. Com 10 pontos, o Montego Bay aparece na vice-liderança. O Tivoli Gardens é o terceiro (9 pontos), enquanto o atual campeão Harbour View é o sexto e o Portmore é o lanterna, com apenas um ponto;

Trinidad & Tobago

– Com 100% de aproveitamento, melhor ataque a melhor defesa da competição, o W Connection segue firme na ponta da TT Pro League, com 15 pontos em 5 partidas, após superar o vice-líder Point Fortin Civic no fim de semana com dois gols do jovem Joevin Jones. Atual campeão, o Defence Force perdeu em casa para o lanterna St. Ann’s Rangers e segue em má fase, na 7ª colocação, com apenas 3 pontos em 4 jogos;

Nicarágua

– Com um começo de jogo arrasador, o Real Estelí se impôs sobre o Diriangén no “Clásico Nacional” e ampliou ainda mais a vantagem no topo da Liga Nacional, com 36 pontos em 16 jogos, cinco à frente do rival e com um jogo a menos. Quem aproveitou o tropeço do vice-líder foi o Walter Ferretti, que goleou o Juventus e chegou aos 30 pontos, na terceira colocação do Apertura.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo