México

Alta rotatividade americanista

É certo que o equilíbrio constante do campeonato mexicano dificulta o monopólio de um time na conquista de títulos ou mesmo o estabelecimento de um clube entre os grandes. Até por isso a definição de “grande” entre os aztecas costuma ser feita baseando a análise em outros fatores, como torcida ou tradição, por exemplo.

O América possui todos os fatores para estar lá. Mas as constantes decepções cada vez mais tornam as Águias um time longe de se impor como gigante e ter “camisa” contra adversários menores. Os problemas das campanhas do clube parecem distantes de explicações simplistas, mas um fator que pode pesar na análise parece ser a falta de um comandante indiscutível. Problema agravado na administração de Michel Bauer.

No último fim de semana, a fraca campanha e a enorme pressão da torcida pelo fim do jejum fizeram mais uma vítima. Após a derrota para o Jaguares por 5×3, em Chiapas, Carlos Reinoso apresentou seu pedido de demissão do cargo de treinador e deixou o estádio Victor Manuel Reyna de táxi, já longe da delegação crema.

Ídolo do clube como jogador, era nítido que a campanha de Reinoso não empolgava. Contratado no início do ano para substituir Manuel Lapuente, criticado por conta do futebol pouco exuberante que a equipe exibia, Reinoso chegou com a promessa de boas campanhas aliadas a volta do futebol bem jogado, praticamente uma exigência nas fileiras canárias.

Classificado a duras penas para a Liguilla, foi facilmente dominado por um insinuoso Morelia e caiu com duas derrotas. Pior, na mesma semana foi eliminado da Copa Libertadores nas oitavas após um empate em casa com o time de Neymar e cia, futuro campeão da competição.

Mesmo com o voto de confiança da diretoria para sua continuidade no Apertura, a fraca campanha inicial deixa o time na 16ª colocação, já vendo distância da briga pela classificação.

A grande questão não parece ser a saída do chileno, dono de um pouco empolgante aproveitamento de 45% em 25 partidas, mas sim entender que essa falta de um nome de consenso, bem como de uma continuidade maior, resulta num time claramente superior aos adversários fora de campo mas que não consegue traduzir essa superioridade para dentro dos relvados.

Os maiores nomes do futebol azteca são sempre especulados nas Asturias, e eles geralmente assinam pelo economicamente mais poderoso time mexicano, mas esses bons nomes não se traduzem em boas campanhas, como vêm realizando Tigres, Guadalajara e Pumas nos últimos torneios.

E muitos analistas já apontam essa intensa rotatividade no comando técnico como principal fator. Desde 2005, ano da conquista do último nacional, sob o comando de Mario Carrillo, somente Luis Fernando Tena e Jesús Ramírez dirigiram o conjunto de Coapa por mais de dois torneios curtos, sendo que um deles, Rubén Omar Romano, chegou e saiu no decorrer do mesmo torneio, o Clausura 2008, detendo o pior retrospecto da década: 17,65% (três vitórias e um empate em 17 partidas).

Situação bem distinta da própria história azulcrema, caracterizada por dinastias de comandantes vencedores, como Raúl Cárdenas, vencedor de quatro títulos, entre eles uma Liga e uma Copa dos Campeões da Concacaf (atual Concachampions), o argentino Miguel Ángel López, dono de dois nacionais e dois continentais, ou o brasileiro Jorge Vieira, campeão de dois campeonatos da divisão de elite azteca.

Os nomes especulados ou mesmo a efetivação do assistente Alfredo Tena tampouco são indícios de uma melhora futura. E Bauer não parece ter cartas na manga para sacar no momento. A pressão da torcida e da própria diretoria sobre o atual mandatário começa a se tornar insustentável. Sem nenhum título em sua gestão ou um técnico “no comando”, mesmo com muitos investimentos, muitos já começam a se voltar para os administradores e não mais os administrados.

Romano também dá adeus

Estava cada vez mais claro, e a saída de Rubén Omar Romano do comando do Atlas demorou a acontecer. Após nova derrota, dessa vez para o Pachuca por 4×2, fora de casa, os Zorros amargam a lanterna, com apenas cinco pontos em nove jogos.

Uma parceria que parecia fadada ao fracasso se confirmou no último fim de semana. Como o próprio argentino afirmara durante a semana que sairia em caso de novo revés, ele pediu o chapéu ao fim do jogo. Foi a segunda passagem de Romano pelo Jalisco

Apesar de ter em seu histórico alcançado quatro decisões nacionais como treinador, o argentino jamais pareceu um nome para levar os rojinegros de novo ao topo, ou, pelo menos, livrá-los do descenso.

A ameaça da Academia, contudo, diferente das águias, é o rebaixamento iminente. Com as campanhas relativamente boas de Estudiantes e Querétaro, o Atlas afunda na disputa e só se livra por enquanto pela fraca campanha do Tijuana. Como não se sabe se (e quando) os Xolos poderão reagir (e elenco para isso têm) o tempo para acertar o time começa a ficar curto e preocupante em Guadalajara.

CURTAS

México

– Um é pouco, dois é bom e três é demais. Para completar a dança do fim de semana, Joaquín del Olmo deixou o comando do Tijuana, após nova derrota no Apertura;

– Com a vitória sobre o América, e a derrota de virada do antigo líder Guadalajara, goleado em casa pelo Puebla (1×4), o Jaguares assumiu a liderança do Clausura, com 17 pontos, mesmo número das Chivas e Cruz Azul;

– Outros resultados: Monterrey 1×2 Cruz Azul, San Luis 0x1 Santos, Atlante 1×0 Tigres, Pumas 4×1 Toluca, Tijuana 0x2 Estudiantes Tecos e Morelia 3×1 Querétaro;

– Goleado fora de casa por 4×0 pelo Correcaminos, o Neza perdeu a liderança da Liga de Ascenso. A ponta agora é do La Piedada, que bateu o Dorados, em casa, por 4×3, e alcançou 15 pontos. Necaxa (7º) e Veracruz (10º) venceram seus duelos pelo placar mínimo.

Costa Rica

– Com uma goleada por 5×0 sobre o San Carlos em casa, o Herediano assumiu a ponta do Campeonato de Invierno 2011, com 20 pontos, mesmo número da Alajuelense, que .apenas empatou com o Orion, fora de casa. Com 16 aparece o Saprissa, que venceu mais uma, contra o Santos de Guápiles, por 1×0, em casa.

El Salvador

– Na casa do antigo líder, o FAS superou o Alianza por 2×1 e assumiu a liderança do Apertura da Primera División, com 15 pontos, um a mais que o Águila, que empatou em casa (2×2) com o Vista Hermosa.

Guatemala

– O Suchitepéquez superou o Juventud Retalteca por 3×1 fora de casa e aproveitou-se do tropeço do Peñarol La Mesilla, derrotado pelo Municipal por 2×0 fora de casa, para isolar-se no topo do Apertura da Liga Nacional, com 22 pontos. Com 20 aparece o Marquense.

Honduras

– Após golear o Vida, em casa, por 4×1, o Olimpia igualou-se ao Marathon na ponta da Copa Salva Vida, com 16 pontos, aproveitando-se da derrota dos Verdolagas para o Atlético Choloma, fora de casa, por 3×1. Os Merengues, entretanto, tem um jogo a menos.

Panamá

– Em rodada sem partidas dos líderes, o Chorrillo venceu o Árabe Unido por 1×0 na casa do adversário, e chegou aos 18 pontos, encostando em Tauro e Sporting San Miguelito, que, com 19, lideram a Copa Digicel Apertura da Liga Panamenha de Futebol.

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