México

A retomada do Campeonato Mexicano foi marcada por pedidos de paz após a barbárie em Querétaro

Os jogos foram paralisados no minuto 62 para que os jogadores se abraçassem no centro do gramado e pedissem paz

O Campeonato Mexicano retomou suas atividades neste final de semana, depois da barbárie ocorrida na partida entre Querétaro e Atlas. A rodada se iniciou exatamente com o jogo envolvendo o Querétaro, que recebeu uma série de punições, incluindo o fechamento de seu estádio por um ano e a expulsão de seus proprietários. Os Gallos Blancos enfrentaram o Necaxa e a partida teve uma referência ao episódio. Aos 17 minutos do segundo tempo, momento em que a violência paralisou o jogo anterior, as duas equipes se reuniram no centro do campo e se abraçaram. O ato foi repetido nos demais compromissos da rodada.

Necaxa e Querétaro se enfrentaram no Estádio Victoria, em Aguascalientes, casa dos alvirrubros. Os anfitriões venceram por 1 a 0, gol de Heriberto de Jesus aos dez minutos. O principal momento, ainda assim, ficou para a manifestação ocorrida no segundo tempo. A arbitragem paralisou o jogo e todos os atletas se dirigiram ao círculo central. Permaneceram alguns minutos abraçados, antes de retornarem à posição. Foi o gesto pensado pela Liga MX para transmitir a paz no esporte.

Outras partidas da rodada no Campeonato Mexicano também tiveram posicionamentos pela paz. No jogo entre Mazatlán e Monterrey, os jogadores entraram em campo com blusões do time adversário. Cruz Azul x Tigres, que trazia um risco de enfrentamento, contou com mensagens dos clubes nas redes sociais e protocolos de segurança revisados. Já a partida mais importante foi o clássico entre Chivas e América. Os dois clubes pediram para que os torcedores fossem vestidos de branco no Estádio Akron. Já no minuto 62, o abraço dos jogadores foi acompanhado pelos torcedores, que acenderam as lanternas de seus celulares.

Vale lembrar que, além dessas mensagens de paz, a Liga MX agiu de maneira enérgica em relação às punições. O Querétaro corria o risco de ser desfiliado, mas a decisão de banir os proprietários por cinco anos e buscar novos donos em caráter de urgência já salienta a pena para os responsáveis pela barbárie. Além disso, o clube não poderá realizar jogos com público durante um ano e a barra foi banida por três anos. Resta que tal postura do futebol seja seguida também pelas autoridades no âmbito criminal. Ao todo, 15 pessoas foram presas. As autoridades ainda não confirmam mortes na briga generalizada, apesar de fontes extraoficiais dizerem o contrário.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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