México

A porta não está aberta

O Internacional se estruturou como poucos times para seu centenário. Manteve Alex, seu principal jogador, e uma dupla de voltantes excelente para o nível do futebol sul-americano (Guiñazu e Magrão). Além disso, ainda trouxe jogadores como Nilmar, D’Alessandro e Daniel Carvalho, montando a base do que alguns consideram ser o elenco mais forte do Brasil. Mais caro certamente esse time é.

É tentador pensar no que o Colorado, com essa base, poderá fazer em 2009, ano em que o clube comemora seu 100º aniversário. Justamente por isso, causa alguma perplexidade pensar que o melhor que o Inter disputará é o Brasileirão. Afinal, por uma injustificável queda de rendimento em jogos fora de casa, o clube vermelho já está fora da briga por uma vaga na próxima Libertadores.

O desejo de repetir a façanha de 2006, quando o Internacional foi campeão mundial, chegou ao ponto em que algumas pessoas chegaram a perder um pouco a noção da realidade. O que ficou mais do que claro quando se divulgou como fato consumado que a Conmebol viraria a mesa e mudaria as regras de classificação para a Libertadores 2009, dando vaga ao campeão da Copa Sul-Americana 2008, torneio que tem o Colorado como candidato ao título.

A primeira notícia que pintou foi que a Confederação Sul-Americana tiraria a vaga automática ao atual campeão da Libertadores. Essa equipe – no caso, a LDU Quito – teria de dois jogos com o vencedor da Sul-Americana, sendo que esse duelo valeria o título da Recopa e a vaga na Libertadores. Caso o time da Libertadores caísse, ele se classificaria como uma equipe de seu país. Em poucas palavras, o campeão da Sul-Americana enfrentaria a LDU e, se vencesse, faria a Liga de Quito tirar a vaga do terceiro time do Equador.

Claro que uma mentira se esconde melhor entre algumas verdades. Foi assim que “O Código da Vinci” virou best-seller, juntando lendas que existiam para criar uma trama religiosa-policial em locações que evocam o imaginário do público. No caso do tal caminho que o Inter teria para a Libertadores, a verdade seria o fato que a Conmebol realmente considera a hipótese de, um dia (provavelmente em 2010), dar uma vaga na Libertadores para o campeão da Copa Sul-Americana. E o fato que a entidade realmente recebeu uma proposta para que isso ocorresse já em 2009.

Com uma interpretação conveniente de duas verdades, foi possível construir uma mentira: a de que isso já estaria definido. A Conmebol já havia publicado há meses que a LDU Quito tinha vaga na próxima Libertadores. Aliás, isso já estava claro pelo regulamento da edição 2008 do torneio. Assim, qualquer mudança de regra nesse item seria facilmente derrubada na Justiça. Outro problema claro: uma alteração tão profunda no regulamento da competição só poderia ser feita se os dez membros da Conmebol a aprovassem. E é difícil imaginar que a federação equatoriana desse seu aval para essa proposta.

Assim que foi publicada a informação de que haveria o tal mata-mata entre LDU e o campeão da Copa Sul-Americana, diversos veículos de comunicação brasileiros entraram em contato com a Conmebol. E a assessoria da entidade foi enfática em negar que isso ocorrerá.

O dia nem havia acabado e já havia surgido uma nova brecha. Depois de meses, a imprensa brasileira descobriu que Manuel Burga, presidente da FPF (federação peruana) está às turras com o governo do país, que chegou a intervir na entidade. O Peru já perdeu o Sul-Americano sub-20 e a Fifa ameaça há meses desfiliar a FPF. Se isso fosse levado a cabo, os peruanos perderiam suas três vagas na Libertadores e não se sabe como elas seriam ocupadas.

Logo falou-se que seria o caminho para times bem colocados na Copa Sul-Americana disputarem a Libertadores. O Fluminense, vice da principal competição do continente, também poderia ser beneficiado. É tudo especulação em cima de fatos antigos, como se a Fifa não tivesse desistido das tais desfiliações inúmeras vezes e como se a Conmebol não fosse especialista em acomodações políticas para agradar a todos seus filiados.

No final das contas, o torcedor do Internacional tem de se conscientizar que o clube não merece disputar a Libertadores porque não foi competente para passar do Sport na Copa do Brasil e para ficar entre os quatro primeiros do Brasileirão. Um clube que mntou um time muito forte sem artificialidades e que não aceita o vice brasileiro de 2005 por se considerar prejudicado nos bastidores não pode aceitar uma virada de mesa desse jeito. Começar a comemoração do centenário usando sua força política para mudar as regras do jogo é o primeiro passo para comemorar 100 anos do modo mais tradicional dos clubes brasileiros: fracassando e envergonhando sua torcida.

México de calculadora na mão

Neste fim-de-semana, será realizada a última rodada da fase de classificação do Apertura mexicano. Considerando o sistema de classificação e o equilíbrio entre as equipes, as incertezas são extremas. Apenas San Luis, Atlante e Pumas de la Unam já estão classificadas. De resto, são 12 times brigando pelas seis vagas restantes nas quartas-de-final.

Classificam-se os dois primeiros times de cada grupo e mais dois por índice técnico (nesta temporada não haverá repescagem). O Grupo 1, o Atlante (26 pontos) já está garantido, com Santos Laguna (21), Pachuca (20) e Indios (19) podem ficar com uma das duas vagas. No Grupo 2, além das Pumas já classificadas, estão na briga todos os outros times: Morelia (24), Cruz Azul (23), Tecos de la UAG (22), Chivas de Guadalajara (22) e América (21). No Grupo 3, o San Luis já passou, mas Toluca (24), Tigres de la UANL (23) e Atlas (21) têm possibilidades.

No momento, as quartas-de-final seriam Santos x San Luis, Cruz Azul x Pumas, Toluca x Morelia e Tigres x Atlante. Mas a confusão é tão grande que todas as equipes que estão na disputa podem se classificar como uma das duas melhores de sua chave como por índice técnico. Ainda que isso seja quase um milagre para os Indios de Ciudad Juárez.

Como 12 das 18 equipes disputam a classificação, nenhuma das partidas da última rodada servirá apenas para cumprir tabela e, mais que isso, haverá diversos confrontos diretos. Veja como está a 17ª rodada: Tecos x Puebla, Cruz Azul x Jaguares, Monterrey x Pumas, Pachuca x Atlas, Chivas x Indios, Morelia x Tigres, Toluca x San Luis, Necaxa x América e Santos x Atlante.

Todo esse equilíbrio torna muito difícil realizar previsões, pois cada detalhe mudará todo o emaranhado que está a tabela. A coluna fez uma simulação da última rodada e os classificados foram San Luis, Pumas, Morelia, Atlante, Cruz Azul, Toluca, Tecos e Santos. O que não quer dizer rigorosamente nada, pois foi puro chute.

SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção da 16ª rodada do Apertura mexicano do site Medio Tiempo: Hernán Cristante (Toluca); Sergio Ponce (Toluca), Sidney Balderas (Indios), Paulo da Silva (Toluca) e Efraín Velarde (Pumas de la Unam); Tomás Campos (Indios), Jorge Achucarro (Atlas) e Sergio Rosas (Puebla); Gonzalo Vargas (Atlas), Juan Carlos Cacho (Pumas de la Unam) e Adolfo Bautista (Jaguares de Chiapas). Técnico: Ricardo Ferretti (Pumas de la Unam).

Ameaça de morte

Como no Apertura do México, o Finalización colombiano também terá a última rodada de sua fase de classificação. Dos 18 participantes, apenas dois (Tolima e Independiente Medellín) estão assegurados nos quadrangulares semifinais. Desse modo, a briga pelas seis vagas restantes ficarão entre Deportivo Cali (28 pontos), Atlético Junior (28), Atlético Nacional (27), América de Cali (26), Independiente Santa Fe (26), La Equidad (26), Pereira (26), Millonarios (25) e Once Caldas (24).

Para piorar a confusão, três equipes ainda lutam para não serem rebaixadas: Bucaramanga (126 pontos nas últimas três temporadas), Pereira (128) e Envigado (128), sendo que Pereira e Bucaramanga se enfrentam na rodada decisiva. E é essa luta para não cair que acabou ofuscando a emocionante disputa das últimas rodadas do Finalización.

Na última semana, o líder Tolima enfrentou o Envigado, time já eliminado e que segurava a lanterna da classificação do rebaixamento. O Envigado surpreendeu ao vencer por 1 a 0, resultado que o tirou da última posição para a queda de divisão e que impediu que o Tolima garantisse por antecipação a primeira posição geral.

Depois da partida, Gabriel Camargo, ex-senador e presidente do Tolima, afirmou que seus jogadores foram ameaçados de morte antes do jogo. O responsável seria Alejandro Hernández, presidente do Envigado. O dirigente nega a acusação e diz que processará Camargo.

Gerardo Vallejo e Juan Carlos Ramírez, os jogadores que teriam sido abordados por Hernández, disseram que não foram ameaçados. No entanto, o cartola do Tolima alega que ambos mudaram suas versões por medo de represálias.

Ainda que falta consistência na acusação, o simples fato de alguém voltar a falar em ameaça de morte ligada a resultado esportivo já deixou a Colômbia alerta. Em um passado não tão remoto, era comum o uso de violência como modo de intimidar jogadores. O assassinato do zagueiro Andrés Escobar em 1994, dias depois de a Colômbia ser eliminada na Copa do Mundo, foi apenas o exemplo mais midiático de uma série de casos nas décadas de 1980 e 90.

Convocações

Veja os convocados da Colômbia para o amistoso contra a Nigéria nesta quarta.
Goleiros: Agustín Julio (Independiente Santa Fe) e David Ospina (Nice-FRA); defensores: Amaranto Perea (Atlético de Madrid-ESP), Humberto Mendoza (Atlético Nacional), Pablo Armero (América de Cali), Camilo Zúñiga (Siena-ITA), Mario Yepes (Chievo-ITA) e Yulián Anchico (Independiente Santa Fe); meio-campistas: Giovanni Hernández (Júnior), Gerardo Bedoya (Millonarios), Fabián Vargas (Boca Juniors-ARG), Juan Carlos Escobar (Krylia Sovetov-RUS), Freddy Guarín (Porto-POR), Juan Carlos Toja (Steaua Bucareste-ROM), Giovanni Moreno (Atlético Nacional) e Mauricio Arroyo (Real Cartagena); atacantes: Radamel Falcao García (River Plate-ARG), Marco Pérez (Boyacá Chicó), Carlos Darwin Quintero (Pereira) e Wason Rentería (Braga-POR).

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Equipe Trivela

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