México

A maior transferência da história

Daqui não se tem a real dimensão do que se passa no futebol mexicano nesse momento. O anúncio da contratação do jovem atacante Javier Hernández pelo Manchester United pegou a todos de surpresa no país. O jogador do Chivas Guadalajara era uma das sensações do campeonato nacional, mas ninguém esperava por uma transferência direta para uma das grandes forças do velho continente. Até porque esse movimento é inédito por lá. Mais um motivo, segundo os astecas, para se considerar a negociação de Chicarito a maior da história do país.

Ele será o primeiro mexicano a jogar no Manchester. Na Premier League, no entanto, o terceiro – Carlos Vela e Guillermo Franco defendem Arsenal e West Ham, respectivamente. Outros compatriotas já passaram por clubes como Barcelona e Real Madrid, casos de Rafa Márquez e Hugo Sánchez. Nenhum deles, contudo, fez a ponte do México para uma dessas equipes. Está aí o motivo de tanta empolgação dos mexicanos.

A vida de Chicarito Hernández no Old Trafford não será fácil. Além de Rooney, o atacante terá que brigar com nomes mais experientes como Berbatov e Owen e jovens como Macheda e Welbeck (atualmente emprestado). Não faz mal. Ele não chega para ser emprestado, diz o clube, e isso já significa algum prestígio. Hernández faz parte de um projeto contínuo de renovação do grupo do Manchester. Outro garoto também já se encontra acertado para a próxima temporada. O zagueiro Chris Smalling, do Fulham, se apresentará ao fim da Premier League.

O negócio com o Chivas está avaliado em nove milhões de euros, e inclui ainda um amistoso na inauguração do novo estádio do time. Chicarito deverá atuar durante 45 minutos em cada uma das equipes. Uma despedida mais do que justa para alguém que conquistou tanto em tão pouco tempo. Javier Hernández não é mais nenhuma pérola recém-surgida da base, é verdade. Já tem seus quase 22 anos nas costas. Mas o impacto causado pelo garoto desde que passou a receber oportunidades concretas é impressionante.

Antes alijado do time principal por figuras como Adolfo Bautista e Omar Bravo, o jovem jogador começou a ganhar mais chances a partir do último ano. Fez parte do time que teve uma lamentável despedida da Libertadores, marcando três gols ao longo da campanha, e anotando outros quatro no Torneio Clausura mexicano. Era apenas um indicativo do que estava por vir. Com passagens pelas seleções sub-20 e sub-17 astecas, Hernández alcançou desde então a marca de 21 tentos em 28 jogos.

Mais: com o time principal tricolor, foram quatro gols em quatro partidas e a vaga garantida na pré-lista do técnico Javier Aguirre para a Copa. Pelo barulho causado nos últimos meses, dificilmente a revelação do Chivas ficará de fora do Mundial. E, assim, repetirá os passos de seu pai e seu avô, que também disputaram a competição em 1954 e 1986. Não se surpreenda, inclusive, se você vê-lo envergando a camisa de titular do México na África do Sul.

Sua altura não assusta muito. Mas ele compensa com uma boa impulsão no jogo aéreo e uma mobilidade que lhe permite atuar dentro e fora da área com a mesma destreza. Com a equipe rojiblanca, desencadeou a chamada chicaromania pelo país e agora terá a oportunidade de elevar essa loucura a outro patamar. Até onde conseguirá ir Chicarito Hernández?

Mais uma cria do Chivas

Uma máquina de fazer dinheiro. Com a transferência de Javier Hernández, o presidente Jorge Vergara conseguiu mais esse reconhecimento no futebol mexicano. Desde que assumiu o Chivas, há alguns anos, o cartola já conseguiu nada menos do US$ 25 milhões em transações. Isso considerando o negócio envolvendo a ida do goleiro Oswaldo Sánchez para o Santos, avaliado em US$ 6 milhões.

Se formos nos ater apenas aos “europeus”, US$ 19 milhões. Nesse bolo, entram nomes como Carlos Vela, Carlos Salcido, Francisco Javier Hernández e, claro, Chicarito. Nessa lista, ainda poderia ser levado em conta Omar Bravo, mas a sua passagem pelo Deportivo La Coruña não teve nenhum custo para o time espanhol. Não é, entretanto, a questão financeira o principal ponto dessa história.

Os mexicanos possuem a liga mais rica da América Latina. São capazes de atrair grandes jogadores da região e, graças ao conforto que encontram por lá, não são todos atletas que iniciam suas carreiras já pensando na mudança para o futebol europeu. É aí que entra o Chivas e o seu fundamental papel nesse intercâmbio que poderá fazer do México uma seleção de quem se espera não que brigue, ao menos num curto espaço de tempo, com o Brasil e outras potências, mas que se consolide entre aquelas forças que estão sempre ali, beliscando uma vaga nas quartas de final ou até mesmo nas semifinais de uma Copa do Mundo. 

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Equipe Trivela

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