Copa OuroMéxico

A irregularidade da seleção mexicana preocupa

Um desempenho medíocre. Assim podem ser resumidas as últimas atuações da seleção mexicana. Afora o fraco desempenho e a queda prematura na Copa das Confederações e muito além da titubeante campanha no Hexagonal decisivo das Eliminatórias da Concacaf, a Tricolor estreou na Copa Ouro no último fim de semana com novo vexame.

Em partida realizada em Pasadena, nos Estados Unidos, os aztecas foram superados pelo Panamá, com dois gols anotados por Gabriel Torres. Um revés difícil de engolir para boa parte da torcida presente ao Rose Bowl, composta por inúmeros imigrantes residentes nos EUA. Foi a primeira derrota dos mexicanos para os Canaleros na história do confronto, antes resumido a oito vitórias aztecas e dois empates.

A pressão sobre De la Torre, que já era enorme, torna-se cada vez mais insustentável. O técnico foi vítima de vaias e, pior, arremessos de copos e outros objetos por parte dos torcedores presentes. E os motivos para isso se acumulam. Em 13 partidas realizadas em 2013, foram apenas duas vitórias e oito empates. Um aproveitamento pífio de apenas 36% dos pontos. Ainda pior considerando que boa parte dos adversários foram compostos de rivais locais, muito abaixo do nível azteca.

O grande problema é que as três derrotas vieram nos últimos quatro confrontos. E todas por competições oficiais. Se o começo do trabalho de “Chepo” pela Tricolor logo após o Mundial da África do Sul, em 2010, foi animador, com o domínio continental e bons resultados frente aos adversários mais respeitados mundialmente, a fraca campanha para o qualificatório da Copa de 2014 pôs tudo abaixo.

Um dos pontos mais criticados pela imprensa azteca acerca do trabalho do técnico é a incapacidade de traduzir as excelentes campanhas nas categorias de base em bons frutos para a seleção principal. Nos dois anos e meio sob o comando da Tricolor, “Chepo” viu as seleções de base conquistarem um excelente terceiro lugar no Mundial sub-20, o bicampeonato na categoria sub-17 e duas medalhas de ouro: nos Jogos Pan-Americanos e nas Olimpíadas de Londres.

Os excelentes resultados contra seleções mais respeitáveis, contudo, ficaram restritas às categorias de base, já que o time principal encontra grandes dificuldades ao se deparar com esses rivais no nível profissional. Não à toa, os mexicanos somam cinco eliminações consecutivas nas oitavas de final da Copa do Mundo. Um retrato inescapável dessa dificuldade crônica.

Ainda que tenha o mérito de realizar a transição de boas promessas para a seleção principal com tranquilidade e eficiência, garantindo a consolidação de nomes como Aguilar, Zavala, Aquino e Fabián, a irregularidade contra os rivais tradicionais da Concacaf é tudo o que dirigentes e imprensa não esperavam há menos de um ano para a Copa.

Dificilmente os mexicanos ficarão de fora do Mundial em solo brasileiro. Será difícil até mesmo que a Verde fique fora das três vagas diretas para a Copa. Mas o estrago já está feito. As fracas exibições na Copa das Confederações expuseram as principais deficiências do time, como a falta de criação no momento de propor o jogo contra rivais mais frágeis e as dificuldades de se impor frente aos selecionados favoritos.

Com as críticas partindo de todos os lados (imprensa, dirigentes e até mesmo alguns treinadores locais), é difícil imaginar que De La Torre devolva o respeito aos mexicanos, mesmo com um improvável título da Copa Ouro, para a qual foram convocados apenas jogadores da Liga MX. Mesmo assim, levar o tri da competição e recuperar-se nas Eliminatórias devem ser os primeiros passos para El Tri chegar bem no próximo ano. Com ou (mais provável) sem “Chepo” no comando.

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