A hecatombe equatoriana

“Nenhum continente do mundo tem Eliminatórias tão equilibradas e incertas quanto a América do Sul. É verdade que Brasil e Argentina estão muito acima de seus vizinhos e apenas uma hecatombe os tira da Copa”. Este trecho foi escrito há justamente quatro anos, pelo companheiro Ubiratan Leal, o qual o sucedi nesta coluna. E não é que hecatombe quase aconteceu, e a Argentina quase ficou fora da Copa 2010? A Albiceleste conseguiu a vaga, em parte por causa da incompetência do Equador, que vacilou duas vezes nas últimas rodadas e perdeu a chance de ir ao terceiro Mundial consecutivo.
Um cenário diferente das Eliminatórias para a Copa 2002, realizada na Coreia e no Japão, e nas Eliminatórias da Copa 2006, na Alemanha, em que a seleção equatoriana apresentou um conjunto sólido e fez valer o mando de campo. Desta vez a equipe conquistou apenas 15 pontos em Quito, e oito fora de casa, fator determinante para a não classificação da equipe para a Copa.
Nas Eliminatórias da Copa 2006, a equipe ficou em terceiro lugar, com 28 pontos, na frente do Paraguai e Uruguai. E em 2002, a seleção ficou, surpreendentemente, em segundo lugar, atrás somente da Argentina, com 31 pontos. E, apesar de nunca terem tido um elenco com estrelas e badalado, a seleção sempre foi muito estável e manteve um equilibrio muito forte, o que garantiu as duas boas campanhas.
Agora, o grande erro da seleção foi ter cedido muitos pontos em casa para seleções fracas, como a da Venezuela, que venceu os equatorianos na primeira rodada por 1 a 0 com gol de Rey. No entanto, neste momento o treinador da seleção ainda era o colombiano Luis Suárez, que sucedeu Hernán Gómez, e levou a seleção para a Copa 2006. Suárez perdeu as três primeiras partidas da seleção nas Eliminatórias, com apenas um gol marcado e onze sofridos.
Com a saída do treinador, Sixto Vizuete foi contratado. Mas como diz o ditado “tudo o que começa mal, termina mal”. E assim foi. Na primeira partida do treinador no comando da seleção, ganhou por 5 a 1 do Peru. Mas não conseguiu manter a regularidade, principalmente nas partidas disputadas em Quito.
E foi justamente Estádio Olímpico Atahualpa que a seleção deixou a classificação, ao menos para a repescagem, escapar por entre seus dedos. Na décima sétima rodada, a equipe estava em quarto lugar, com um ponto a mais que a Argentina, quinta colocada. Necessitava da vitória, para garantir a vaga na repescagem. Saiu na frente, com gol de Suárez, mas deixou o Uruguai empatar na sequência, e virar no final da partida com gol de pênalti de Forlán.
Com o resultado, a equipe foi ultrapassada pelo Uruguai e pela Argentina. Foi para o Chile com a necessidade da vitória e torcendo por algum tropeço da Argentina ou do Uruguai. A seleção charrúa tropeçou, perdeu por 1 a 0 para a Argentina, mas o Equador não fez a sua parte. Esta seria a terceria vez que a seleção iria para a Copa do Mundo, mas, graças À sua inconsistência, ficará de fora da primeira Copa a ser realizada no continente africano.
El Tri estará na África do Sul
Quem conseguiu mais uma vez a classificação para a Copa do Mundo foi a seleção mexicana. Sob a batuta, inicialmente, de Sven-Göran Eriksson, que esteve à frente da seleção por três partidas, e Javier Aguirre, que comandou por sete jogos, a seleção obteve 19 pontos no hexagonal final, e pela terceira vez consecutiva ficou com o segundo lugar nas Eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo.
Com a pontuação alcançada, Javier Aguirre ficou a apenas três pontos de igualar o feito obtido pela seleção comandada pelo argentino, Ricardo Antonio La Volpe, em 2005, quando terminou as Eliminatórias em segundo lugar, mas com 22 pontos.
O empate na última rodada contra a seleção de Trinidad e Tobago em 2 a 2, mesmo resultado da partida entre Estados Unidos x Costa Rica, deixou “Vasco” Aguirre chateado. Caso os mexicanos tivessem vencido, passariam os Estados Unidos, e pela terceira vez na história seriam os primeiros colocados na classificação final para a Copa do Mundo. As outras duas vezes em que El Tri conseguiu terminar em primeiro lugar foram em 1977, nas Eliminatórias da Copa da Argentina, e em 1993, nas Eliminatórias da Copa dos Estados Unidos, justamente o maior rival dos mexicanos e que não participaram da competição por já estarem garantidos para a Copa.
No entanto, apesar da bela classificação obtida, Aguirre sabe que a seleção azteca necessita manter a contundência em algumas partidas e melhorar o sistema defensivo da equipe, que levou doze gols em dez jogos, e deixou escapar vitórias fáceis como na partida contra El Salvador na quarta rodada, em que perdeu por 2 a 1. Além de ter de encontrar um sustituto para o veterano Cuauhtémoc Blanco, tido por muitos um jogador essencial na seleção, mas que não tem nenhum jogador que o pode substituir a altura.
Honduras, a realização de um sonho após 27 anos
No final de janeiro de 2007, o treinador colombiano Reinaldo Rueda aceitou um grande desafio. Dirigir a seleção de Honduras e tentar levar, após 27 anos, o país a uma Copa do Mundo. A última, e única vez, que os hondurenhos estiveram na competição foi em 1982, quando ficaram em último lugar no Grupo E, com apenas 2 pontos.
O processo de preparação da equipe foi longo. Rueda convocou mais de cem jogadores que atuavam tanto em Honduras, como na Itália, Inglaterra, Polônia, China, Estados Unidos e México. E recebeu duras críticas da imprensa no começo, por não conseguir definir uma equipe base.
Mas com o decorrer das partidas, além de estabelecer uma equipe base, o colombiano fez com que o mando de campo da seleção fosse uma das suas principais armas. Em toda a fase de classificação para a Copa do Mundo, a única derrota que a equipe teve em Honduras foi para os Estados Unidos no último sábado, por 3 a 2. Derrota que colocou em perigo a classificação direta para a Copa, já que foi ultrapassada pela seleção de Costa Rica.
E no final, beneficiados por um empate heroico dos Estados Unidos no último minuto, na partida contra a Costa Rica, a seleção hondurenha conseguiu a classificação para a Copa, já que havia vencido a seleção de El Salvador por 1 a 0. Com o resultado, Honduras e Costa Rica empataram em pontos conquistados, mas, graças ao saldo de gols, Rueda levou a terceira vaga da Concacaf para a Copa do Mundo. Esta foi a melhor campanha da seleção em Eliminatórias, já que o treinador conseguiu um aproveitamento de 60% dos pontos em toda fase eliminatória da Concacaf.



