México

A defesa é o ataque

Uma máxima muito utilizada em esportes norte-americanos diz que ataques ganham jogos, mas defesas ganham campeonatos. Um ditado nem sempre confirmado (mas quase sempre odiado pelos amantes do futebol-arte) no esporte bretão, mas que cai como uma luva para explicar a diferença abissal entre os desempenhos do decepcionante América vice-lanterna do último Apertura e o América vice-líder do atual Clausura. Praticamente tudo se resume a… Defesa.

Com uma campanha decepcionante, as Águias encerraram o ano de 2011 com um desempenho pífio. Na primeira parte da temporada no campeonato azteca, os millonetas tiveram aproveitamento de 29% dos pontos, com três vitórias, seis empates e nove derrotas, 11 pontos atrás do último classificado à Liguilla e sem qualquer expectativa de disputar algo.

Se o ataque, formado pelo quarteto Montenegro-Reyna-Sánchez-Benítez (este último recém-chegado e autor da boa marca de oito gols), pouco se podia criticar, afinal foi o quinto melhor da primeira fase, a defesa era praticamente uma avenida. E escancarada.

Comandada pelo ainda inseguro goleiro Navarrete, o setor defensivo era formado pelo jovem central Jorge Reyes e o experiente colombiano Mosquera, além dos laterais Edgar Castillo e Óscar Rojas e da proteção dos volantes Rosinei e da jovem promessa Diego Reyes. Sofrendo com algumas lesões de peças importantes, a inexperiência dos jovens e a má fase dos demais, além da sombra do goleiro Ochoa (que acabara de deixar o clube para atuar na França), os azulcremas sofreram 31 gols, média de 1,82 por partida, a pior entre todas as equipes da elite.

Nas quatro últimas partidas, foram três derrotas com a defesa sendo vazada três vezes. Um tormento que derrubou dois treinadores e poucos esperavam a possibilidade de mudar tão repentinamente, tendo em vista que apenas um reforço foi trazido para o setor na virada do ano: o zagueiro venezuelano Vizcarrondo. E o time ainda vendeu o goleiro Navarrete para o Atlante e o lateral Castillo para o Tijuana.

Só que as coisas mudaram. As alterações efetuadas por Miguel Herrera surtiram efeito. Com Vizcarrondo de titular, relegando Valenzuela a opção, a zaga tornou-se mais segura. Quando o venezuelano ficou fora de ação por lesão em três partidas, Herrera optou por um trio central, formado por Mosquera, Diego Reyes e Valenzuela. Óscar Rojas manteve a lateral esquerda, enquanto Layun e Aguilar disputam vaga na direita. No gol, o experiente Moisés Muñoz vem ganhando a disputa com ojovem Hugo González, parecendo ter se livrado do nervosismo do início da competição.

De patinho feio, o setor passou a protagonista, sendo vazado em apenas cinco oportunidades (média de 0,55) e sem tomar mais de um gol em nenhuma das nove primeiras partidas da competição. Além disso, ostenta, ao lado de Atlas e Tigres, o melhor desempenho em gols sofridos na elite do futebol mexicano.

Para melhorar, o ataque continuou funcionando, a despeito da saída de Reyna para o Monterrey. Com um Benítez inspirado, as Águias já estão a apenas dois pontos dos líderes purépechas do Morelia e abrindo distância na briga para voltar aos playoffs.

Se o América voltará a disputar o título, ainda é uma incógnita. O que já dá pra garantir, contudo, é que aquele buraco defensivo que fazia a alegria dos rivais já não existe mais. E esse pode ser um excelente primeiro passo. Se os norte-americanos estiverem certos, quem sabe não é, também, o primeiro para sair do jejum de sete anos sem títulos.

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Equipe Trivela

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