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Um erro absurdo do árbitro impediu o Qarabag de tornar ainda mais épica a sua reconstrução

A Liga Europa está longe de ser o melhor campeonato do mundo. Ainda assim, é um dos que possibilita as melhores histórias. E uma delas, das boas, estava sendo escrita nesta quinta-feira, no Azerbaijão. Aos 48 minutos do segundo tempo, o Qarabag anotou o gol da vitória sobre a Internazionale e ia garantindo a classificação para os mata-matas da competição europeia, inédita entre clubes de seu país. Até a arbitragem interferir no lance anotando um impedimento absurdo, que manteve o 0 a 0 no placar e deu a vaga na próxima fase para o Dnipro, ao lado dos interistas.

Não dá nem para entender direito o que o árbitro Miroslav Zelinka quis fazer no lance. O brasileiro Richard Almeida fuzilou e a bola desviou na defesa, antes de enganar o goleiro Juan Pablo Carrizo. No entanto, o árbitro viu um desvio inexistente do atacante Leroy George e ainda por cima anotou impedimento – que sequer havia. Um péssimo desfecho para o Qarabag.

E o pior é que não foi só isso. Com o resultado, os azeris poderiam avançar se Dnipro e Saint-Étienne também ficassem na igualdade. Mas os ucranianos venceram por 1 a 0, com um gol irregular. Fedetskiy estava adiantado na cobrança de falta da qual aproveitou o rebote, mas a arbitragem validou o gol.

Uma pena. A classificação poderia destacar ainda mais a história de superação Qarabag. Entre 1988 e 1994, durante o desmembramento da União Soviética, a cidade de Agdam atravessou uma sangrenta guerra. O conflito entre a etnia Nagorno-Karabakh, de origem armênia, e o governo da República do Azerbaijão matou cerca de 40 mil pessoas. Além disso, os seguidos bombardeios destruíram até mesmo o Estádio Imrat, utilizado pelo clube.

Forçados a deixar a cidade fantasma, os alvinegros se mudaram para Baku em 1993 e passaram a representar o seu povo, refugiado em diversas partes do país. O orgulho chegou ao ápice 21 anos depois. E poderia ser muito maior, não fossem os dois erros banais da arbitragem.

A reação do clube em seu Facebook oficial diz muito. Abaixo, também os dois gols polêmicos:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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