BrasilLeste Europeu

Hulk de centroavante? Está se saindo muito bem no Zenit e poderia ser útil a Dunga

Hulk não atuou mais pela Seleção desde a Copa. O atacante chegou a ser convocado por Dunga em setembro, mas, lesionado, perdeu os amistosos contra a Colômbia e o Equador. Desde então, não foi mais lembrado nas listas do treinador. Não que tenha entrado em declínio com o Zenit, pelo contrário: o camisa 7 segue protagonizando a equipe de André Villas-Boas. Neste domingo, encaminhou o clube ao título do Campeonato Russo. O paraibano anotou os dois gols na vitória por 2 a 1 sobre o bicampeão CSKA Moscou, deixando clube de São Petersburgo com sete pontos de vantagem na liderança. E atuando em uma função na qual pode ser bastante útil à Seleção, como homem de referência.

VEJA MAIS: É preciso reconhecer os méritos da nova Seleção Brasileira de Dunga

Durante muito tempo, discutiu-se a hipótese de Hulk ser utilizado centralizado no ataque. Ele chegou a fazer algumas partidas por clubes na função e até ser testado por minutos na Seleção. Era um estranho no ninho, sem o costume necessário para um “ofício” tão específico. Além disso, parecia desperdício tirá-lo da ponta direita, considerando suas arrancadas e chutes em diagonal. Algo que tem mudado com André Villas-Boas nas últimas semanas. Aos poucos, o técnico português adapta o camisa 7 na nova função, substituindo Kerzhakov. E ele saiu bem, se destacando nos jogos contra Dynamo e CSKA.

O novo posicionamento de Hulk é benéfico para o time como um todo. Ainda que perca potência pelo lado direto, a equipe passa a contar com mais mobilidade. No 4-1-4-1, o brasileiro combina poder de conclusão e velocidade, além de abrir espaços para os companheiros que chegam de trás. E não perdeu uma de suas principais características, o chute de longe, anotando um belo gol na partida deste domingo. Hulk se tornou o artilheiro do Campeonato Russo, com 11 tentos em 19 partidas, ainda que a maioria tenha sido anotada em sua função original, na ponta direita. Mas, pelos bons resultados, não é de se estranhar que ele seja usado com mais frequência centralizado no ataque.

CONTRA O CHILE: Em jogo de testes no ataque, apenas Firmino aproveitou chance de mostrar seu futebol

Durante os últimos dois jogos da Seleção, Roberto Firmino provou que merece mesmo ganhar espaço. Jogou bem como homem de referência, especialmente pelas combinações e transições com Neymar, Oscar e Willian. Entretanto, Dunga ainda passa por uma fase de testes. E o momento é de observar nomes. Diego Tardelli já tinha se destacado no final de 2014, enquanto Luiz Adriano teve poucos minutos para atuar. Nada que impeça também a volta de Hulk, por mais que o paraibano esteja longe de ser unanimidade.

Durante a Copa, Hulk sofreu com as críticas. De fato, errou muitos lances, especialmente nas tensas oitavas de final contra o Chile. No entanto, em uma equipe marcada pelo choro e pela falta de brio, o atacante foi um dos que mais suou a camisa. O esforço era evidente, mesmo jogando fora de posição – o que também o atrapalhou. Aos 28 anos, Hulk segue com idade para participar de mais um ciclo de Mundial. E não é daqueles que merecem ser queimados pelo vexame contra a Alemanha.

CONTRA A FRANÇA: Willian teve uma noite tão boa como coadjuvante de Neymar que protagonizou a Seleção

A versatilidade é um ponto positivo. Atualmente, Willian é o dono da ponta direita, mas Hulk pode ser uma opção importante para a posição. Especialmente por também poder fazer o papel de centroavante. Tempo de jogo em uma posição que depende de vários cacoetes é fundamental, e isso que Villas-Boas pode proporcionar a ele no Zenit. Se o clube ganha fluidez com o camisa 7 na frente, a Seleção também poderia se aproveitar disso, no esquema baseado nos contra-ataques rápidos com Dunga. Um nome a ser observado com mais atenção.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo