Willian teve uma noite tão boa como coadjuvante de Neymar que protagonizou a Seleção

O Brasil pode não ter agradado a todo momento na boa vitória sobre a França. Durante o início do segundo tempo, entretanto, a Seleção apresentou um futebol que agradou: muita mobilidade, trocas de posições e gols. Em uma tarde na qual os Bleus não contavam com força máxima no meio-campo, o seu setor mais forte, os brasileiros se aproveitaram dos espaços dados. Principalmente, porque Neymar teve um parceiro à altura para se combinar nas subidas ao ataque: Willian. Com duas assistências, o meia brilhou no triunfo em Saint-Denis.
O Willian chega à Seleção em um excelente momento. Por mais que o Chelsea não viva os seus melhores dias na temporada, o meia tem feito muito bem o seu papel. Tanto que não deu brechas a quadrado no meio-campo. Enquanto Oscar se torna um meio-campista cada vez mais auxiliar dos volantes, sem aquela capacidade de armação que se espera, Willian ganha mais liberdade para criar em velocidade. Ao lado de Hazard, forma uma dupla bastante vertical para o jogo pelas pontas.
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Nesta quinta, Willian não esteve aceso durante todo o tempo. Durante a primeira etapa, sobretudo, ficou bastante preso ao lado direito do ataque, enquanto o jogo se acumulava nos pés de Neymar pela esquerda. Tanto que o gol de Oscar saiu por ali, em uma bola na qual o camisa 10 abriu pelo meio e Roberto Firmino saiu da área para tabelar com Oscar. Não que o Brasil tenha criado muito mais por ali, com apenas outra chance de gol, em chute de Neymar que Mandanda espalmou.
Já na segunda etapa, Willian apareceu bem mais solto, o que foi valioso para a Seleção. Sem se prender a um setor do campo, apareceu para criar pelo meio e também para trocar de posições com Neymar. O camisa 10 era quem chamava a responsabilidade, variando o ritmo de seu jogo e desnorteando a defesa francesa. Abria as brechas para que os companheiros também chegassem. Willian aproveitou, assim como Elias, também mais solto como volante.
O segundo gol nasceu a partir dessa movimentação. Willian passou em diagonal e achou um excelente passe para Neymar fuzilar. Também é preciso ressaltar o trabalho de Firmino no centro da área, puxando a marcação de Varane. Já no terceiro tento, Willian cobrou escanteio com capricho, para Luiz Gustavo desviar de cabeça. E o meia até poderia ter deixado o seu, em infiltração pela esquerda, exigindo boa defesa de Mandanda.
Willian não é craque como Neymar e pode ser menos técnico que Oscar – ou que Philippe Coutinho, que merece mais chances na equipe. Entretanto, suas virtudes são muitas. Além de saber tratar a bola, o meia possui uma grande inteligência tática e é versátil, atuando bem em qualquer faixa do campo. Para um time que precisa variar o seu jogo, como diante do físico meio-campo francês, é uma excelente arma. Só não pode se esconder tanto, como na primeira etapa. Aproveitando os espaços, Willian é um excelente coadjuvante para Neymar e Hazard. A ponto de ter espaço também para ser protagonista de vez em quando, como nesta vitória no Stade de France.



