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Sem centroavante, com velocidade e eficiência, Brasil de Dunga chega à sétima vitória

Dunga é um técnico pragmático. Os seus times dificilmente sofrem demais, ainda que também raramente apresentem um futebol muito vistoso. Mas é preciso reconhecer que sua seleção tem uma grande qualidade: adora jogos grandes. Jogar contra a França, em Saint-Dennis, principal estádio do país, é um desafio. Ainda mais uma França que fez boa Copa e tem grandes nomes. O Brasil também tem bons nomes, apesar do 7 a 1. Nesta quinta-feira, em mais um amistoso grande, o Brasil fez um jogo muito eficiente e venceu a França com autoridade por 3 a 1. Foi a sétima vitória seguida de Dunga na sua volta à Seleção Brasileira, mas este não é o único mérito do time de Dunga.

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O curioso é pensar que o Brasil venceu a França por 3 a 1 sem precisar jogar o seu melhor. Porque o time nem fez um grande primeiro tempo, por exemplo. A França abriu o placar com um gol de cabeça de Raphael Varane, em um escanteio cobrado por Matthieu Valbuena. A França era melhor, mas também não criava tantas chances de gol. Mesmo assim, foi quem ameaçou mais no primeiro tempo. O Brasil teve dois bons momentos, em um chute de Roberto Firmino e outro de Neymar. Isso até o gol, criado por Firmino, que deu passe para Oscar marcar.

Aliás, o ataque teve dificuldades para se encontrar, mas teve um grande mérito de Dunga na armação do time. Sem ter um camisa 9 confiável – Diego Tardelli, o nome que vinha sendo titular, se machucou e Luiz Adriano ficou no banco -, Dunga apostou em um ataque muito leve e rápido, com Neymar e Roberto Firmino. Com isso, Não havia um centroavante parado como referência. Foi assim que Firmino apareceu na entrada da área para fazer o passe para Oscar entrar na área e marcar, de bico, sem vergonha.

Só que no segundo tempo, o Brasil tratou de aproveitar as chances que teve e aí ganhou o jogo. Primeiro, em um contra-ataque em velocidade, uma marca da seleção de Dunga. Com dificuldades em jogar pelo meio, foi uma jogada individual que abriu a defesa francesa.

Pressionando no campo de ataque, o Brasil pegou a bola e definiu com muita rapidez. Willian driblou, fez a jogada pelo meio, carregou a bola e abriu para Neymar, pela esquerda. O atacante dominou e chutou forte de pé esquerdo, no alto. Lembrando o gol na final da Copa das Confederações. Um golaço de Neymar, o 43º gol pela Seleção em 61 jogos com a camisa do Brasil. Uma marca espantosa, que faz com que seja possível o que parecia impossível: alcançar a marca de Pelé, de 77 gols. Se mantiver o ritmo – é difícil, mas é possível -, Neymar chegará a esse número de gols em 2018.

Depois, veio um gol de bola parada. Neymar cobrou escanteio na cabeça de Luiz Gustavo, que deu uma cabeçada de manual, de tesa, no chão, sem defesa. Belo gol, o seu segundo em 31 jogos pelo Brasil. O volante, aliás, foi um dos poucos que conseguiu fazer uma boa Copa, apesar de tudo. Ele teve ao seu lado Elias, do Corinthians, que esteve bem, mas não tão bem como nos jogos do Corinthians. Mesmo assim, é um jogador que dá velocidade ao meio, algo que para um time com tanta habilidade e velocidade, combina muito.

Com a vitória sobre a França, são sete vitórias em sete jogos do Brasil de Dunga: Colômbia, Equador, Argentina, Japão, Turquia, Áustria e França. Quanto a resultado, Dunga não tem sobre o que ser questionado. O futebol ainda precisa melhorar sim, é preciso fazer mais testes, mas tudo isso fica atrás na fila de Dunga por uma razão simples: ele sabe que sem resultados, não fica no cargo. Mano Menezes testou muito mais, só que perdeu jogos demais e acabou demitido. Claro, não só por resultados em campo, sabemos que havia um contexto político que facilitou. Mesmo assim, não havia resultados que o segurassem.

Dunga se mantém como um técnico que monta uma seleção muito forte, difícil de ser batida, o que é sempre digno de elogios. Há o que melhorar, especialmente no futebol jogado. Mas não dá para negar que o Brasil tem bons jogadores e pode ter um bom time. Em certo aspecto, a Seleção de Dunga lembra o Corinthians de Tite: mesmo quando não é brilhante, vence. Inclusive os jogos grandes. Esse é, sem dúvida, um mérito, que será colocado à prova, pela primeira vez em jogos oficiais, na Copa América, em junho.


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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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