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Os 40 anos de Hernán Crespo, o camisa 9 moldado para ser letal

Para se formar um grande centroavante, são necessárias qualidades bastante específicas. O verdadeiro camisa 9 possui as suas virtudes próprias, de quem sabe estufar as redes. Seu papel não é exatamente tratar bem a bola, mas maltratá-la com bordoadas que a mandem para longe das mãos de um goleiro. Ter ótima noção de espaço, raciocínio rápido, força física, bom domínio, habilidade para os dribles curtos. Características que se reuniam muito bem em Hernán Crespo, para quem parecia não existir bola ruim: ele sempre dava um jeito de arrematá-la, mesmo de primeira. O argentino podia não ser o jogador mais hábil, mas a destreza aparecia em seus pés quando o cheiro de gol atingia em seu olfato. Um goleador moldado  à missão que lhe foi dada. E que completa 40 anos como um dos centroavantes mais letais de seu tempo.

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Crespo se identifica mais com as cores do River Plate, o clube onde surgiu, e do Parma, onde foi reconhecido como artilheiro na Europa. No entanto, também rodou por grandes equipes do continente e quase sempre cumpriu seu objetivo: fazer gols. Na Lazio, viveu aquele que foi provavelmente seu momento mais brilhante. Ainda passou por Internazionale, Milan e Chelsea, acumulando taças com cada um deles. Mesmo sem ser tão efetivo com a aproximação do final de sua carreira, o argentino era um jogador útil. Porque, quando se precisava dele, não eram necessárias muitas chances para que o placar fosse modificado.

Já pela seleção argentina, Crespo marcou sua época. A concorrência era duríssima, com as dificuldades em ser utilizado junto a Batistuta. Ainda assim, o camisa 9 se tornou o terceiro maior artilheiro da história da Albiceleste, arrebentando principalmente nas Eliminatórias. Só nunca viveu o mesmo sucesso nas três Copas do Mundo que disputou, nunca passando das quartas de final. A maldição de toda uma geração de craques. Sua única consolação veio em 2006, em seu último Mundial, quando acabou escolhido para o time ideal do torneio.

Aos 40 anos, Crespo continua no futebol. Sem receber salários, permaneceu trabalhando bravamente como técnico das categorias de base do Parma. Para ensinar um pouco do tanto que sabia dentro de campo. Se os jovens centroavantes precisassem de conselhos, teriam um dos melhores mestres disponíveis no mercado. E que ainda pode ajudar a formar muitos outros camisas 9 de verdade.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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