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O adeus de Totti dos gramados é o fim de um sonho vivido intensamente na Roma

Futebol é sonho. Sonhos dos torcedores, que vibram nas arquibancadas, lendo as notícias, assistindo aos jogos, discutindo nos bares ou em casa, com amigos, com a família, com os colegas de trabalho. Sonhos dos jogadores, que almejam a glória, as conquistas e, por que não, a idolatria daqueles que sonham fora das quatro linhas. A combinação de tudo isso é muito rara e improvável, mas eventualmente acontece. Francesco Totti é a personificação do que é ser alguém que veste a camisa por paixão e sai de torcedor a jogador, de jogador a ídolo, de ídolo a lenda. O dono da camisa 10 da Roma deixará os gramados ao final desta temporada 2016/17, segundo informado pelo novo diretor de futebol do clube, Monchi. E a saudade já aperta os corações dos apaixonados pela Roma.

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“Em termos de Totti, eu já sabia que havia um acordo com o clube que este seria o ano final da sua carreira como jogador, então ele começaria como diretor”, afirmou o Monchi em entrevista coletiva como novo diretor de futebol da Roma. “Francesco é Roma, eu quero estar o mais perto dele quanto for possível. Eu adoraria aprender ao menos 1% do enorme montante que ele sabe”, continuou.

Aos 40 anos completos no dia 27 de setembro passado, Totti deixará de ser um adorado ídolo no banco de reservas, como tem sido nesta temporada, para ser o maior jogador da história do clube. O dono da camisa 10, jogador que mais vezes vestiu a camisa do clube, 783 (até aqui, número que aumentará), aquele que mais gols fez com a camisa giallorossa, 307, imensamente à frente do segundo colocado, Roberto Pruzzo; o artilheiro da Serie A na temporada 2006/07, com 26 gols naquela temporada.

Dono do título de campeão italiano em 2000/01, além de duas Copas da Itália (2006/07, 2007/08), além de duas Supercopas da Itália (2001, 2007). E não foi só pela Roma que Totti brilhou. Na seleção italiana, começou com a conquista Europeu sub-21 em 1996. A sua maior conquista, porém, viria só 10 anos depois. Em 2006, foi o camisa 10 da Itália na histórica conquista da Copa do Mundo, na Alemanha. Muitos títulos, alguns prêmios individuais e uma série de medalhas e troféus. O maior deles, porém, não tem forma, não tem peso físico, não tem um lugar na parede.

Totti é aquele tipo de ídolo que vai muito além das análises técnicas. Não se trata de analisar quem foi o melhor jogador, tecnicamente, que vestiu a camisa da Roma. Nem saber quem levantou mais títulos. Totti é o jogador que mais ocupa os corações dos torcedores, um título que vale muito mais do que qualquer troféu, qualquer prêmio de melhor do mundo, qualquer eleição de jogador do ano. Totti conseguiu ser, na vida, aquilo que ele admirava enquanto criança: ídolo do clube do coração.

As chuteiras de Totti serão penduradas ao final da temporada e o último jogo deve ser muito emocionante. Será no dia 28 de maio, contra o Genoa, no Estádio Olímpico de Roma, última rodada da Serie A 2016/17. Um dia que será, sem dúvida alguma, de muita emoção para todos os envolvidos, que poderão homenagear o seu craque em campo, onde ele se sentiu à vontade de fazer os seus sonhos também dos torcedores. Ou o sonho dos torcedores se tornar também seu. Uma simbiose de campo e vozes das arquibancadas, uma união de amor incondicional, com derrotas e vitórias. Um amor tão grande que vai muito além dos resultados.

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O jogo pode até mesmo ser a despedida de duas lendas do clube. Isso porque Daniele De Rossi, 33 anos, tem contrato só até o fim da temporada e ainda não foi renovado. Mas Monchi acredita que De Rossi continuará atuando pelos giallorossi. “O desejo e os interesses das duas partes são recíprocos, os queremos continuar juntos e nós teríamos que ser particularmente desajeitados para não chegar a um acordo”, afirmou. “Ele é um rapaz fantástico e nós tentaremos atingir este objetivo”.

Com a saída de Totti, De Rossi assumiria o seu papel definitivo de capitão do time. Pelo futebol que tem jogado, mesmo com o declínio físico evidente, fica claro que De Rossi tem condições de continuar. Até para os corações romanistas não perderem dois dos seus mais importantes jogadores da história de uma só vez. Perder Totti para o tempo já é duro demais.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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