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Selecionamos cinco grandes atuações para celebrar a carreira europeia de Totti

Francesco Totti tinha 14 anos quando entregou a bola nas mãos do capitão da Roma, Giuseppe Giannini. Era gandula na região da Curva Nord, do Olímpico, no segundo jogo da final da Copa da Uefa de 1991, contra a Internazionale, e certamente sonhava que, um dia, seria ele quem apressaria um jovem aspirante a jogador a repor a bola rapidamente durante uma final europeia. Totti realizou muitos sonhos, mas este lhe escapou. Nunca teve muita sorte com a Roma em sua carreira internacional, que pode ter terminado na última quinta-feira, com a derrota para o Lyon, nas oitavas de final da Liga Europa.

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O condicional se faz necessário porque Totti ainda não confirmou o que fará no futuro. Seu contrato com a Roma termina no final desta temporada e, neste momento, o cenário mais provável é que a lenda se aposente e talvez assuma um cargo de treinador nas categorias de base do clube. Questionado sobre o assunto, disse que “nada é óbvio no futebol” e que não teria motivo para parar se estiver em um bom estado “mental e físico”. Mas também é inegável que Totti já tem 40 anos e está com cada vez menos espaço no clube. Jogou apenas 786 minutos nesta temporada, equivalente a menos de nove partidas inteiras. Foi titular seis vezes.

Tanto na Liga Europa quanto na Champions League, o máximo que a Roma de Totti conseguiu foi chegar às quartas de final, mas isso não impediu que o craque brilhasse em seus 103 jogos europeus – 57 em Champions, 46 em Copa da Uefa ou Liga Europa. Selecionamos cinco grandes atuações do italiano para celebrar sua carreira internacional por clubes que, se realmente não tiver terminado, está certamente chegando ao fim.

05/12/1995 – Roma 3 x 1 Brondby

Totti ainda se consolidava no time titular quando deu uma amostra do que poderia fazer nas oitavas de final da Copa da Uefa de 1995/96. A Roma ainda estava a alguns anos do scudetto e ocupava o meio da tabela – seria 5º colocado na Serie A daquela temporada. Totti fez apenas quatro gols em todas as competições, e um deles abriu o placar do jogo de volta contra o Brondby, pegando o rebote do goleiro do clube dinamarquês. A Roma havia perdido por 2 a 1, fora de casa. Abel Balbo ampliou a vantagem italiana, mas, aos 39 minutos do segundo tempo, Peter Möller descontou. A eliminatória caminhava para a prorrogação quando apareceu a genialidade de Totti: ele recebeu na entrada da área, de costas para o gol, e rapidamente emendou de calcanhar para Carboni, que entrava na área pela esquerda. Carboni bateu colocado e garantiu a classificação da Roma, que seria eliminada pelo Slavia Praga, nas quartas de final.

26/02/2002 – Roma 3 x 0 Barcelona

A Roma fez uma boa campanha europeia na temporada seguinte à conquista do título italiano. O regulamento daquela edição da Champions League previa duas fases de grupo antes das quartas de final. O time treinado por Fabio Capello passou pela primeira em segundo lugar, atrás do Real Madrid. Na segunda, caiu na mesma chave do Liverpool e do Barcelona e foi eliminado em terceiro lugar, com o mesmo número de pontos dos ingleses – perdeu no confronto direto. No entanto, deu tempo de uma grande vitória sobre os catalães, por 3 a 0, no Olímpico. Com duas assistências de Totti. Primeiro, recebeu dentro da grande área, pela esquerda, segurou a bola muito bem e rolou para Candela chegar batendo. A bola desviou em Emerson e enganou o goleiro catalão, que era Pepe Reina. Alguns minutos depois, fez novamente um grande trabalho de pivô. Dominou, na entrada da área, entre três marcadores, e esperou a passagem de Montela. Deu o passe preciso para o atual técnico do Milan limpar a marcação já no domínio e bater no canto.

26/02/2003 – Valencia 0 x 3 Roma

Curiosamente, no mesmo dia do show contra o Barcelona, mas um ano depois. A Roma mais uma vez passou da primeira fase de grupos, empatada em pontos com o líder Real Madrid. E chegou a vencer no Bernabéu. A campanha da segunda fase de grupos foi bem pior. Os italianos, na chave de Arsenal, Ajax e Valencia, ganharam apenas uma partida. Mas que partida! Destruíram os espanhóis – duas vezes finalista da Champions alguns anos antes – no Mestalla, por 3 a 0. Totti marcou duas vezes: de cabeça e batendo de primeira da entrada da área. E ainda deu um passe precioso para Émerson fazer o terceiro.

06/03/2007 – Lyon 0 x 2 Roma

Foi a temporada mais prolífica da carreira de Totti. Com 32 gols em todas as competições – 26 na Serie A -, o italiano conquistou a Chuteira de Ouro do futebol europeu. Foi, também, uma das duas vezes que a Roma chegou às quartas de final da Champions League sob o comando do seu eterno capitão. Totti foi decisivo para que isso acontecesse. Após um empate sem gols no Olímpico, venceu o Lyon, por 2 a 0, na França – e era o Lyon de Juninho Pernambucano, prestes a conquistar o sexto título francês seguido. Aos 22 minutos, Tonetto cruzou da esquerda, e Totti completou de cabeça. Antes do intervalo, o craque deu um lindo lançamento para Mancini marcar um gol antológico, em que pedalou diversas vezes para cima de Réveillère e soltou a bomba no ângulo.

Bônus: nas quartas de final, a Roma venceu o Manchester United, no Olímpico, por 2 a 1, e a atuação de Totti como centroavante móvel – ou falso 9 – funcionou tão bem que motivou Alex Ferguson a usar algo parecido na temporada seguinte, com Tevez, Rooney, Cristiano Ronaldo, Giggs ou Nani no setor ofensivo. Na Inglaterra, a Roma foi derrotada por 7 a 1.

29/09/2016 – Roma 4 x 0 Astra Giurgiu

Não foi uma partida tão importante quanto as anteriores, válida pela fase de grupos da Liga Europa, mas há um detalhe relevante: Totti já tinha 40 anos de idade. Mesmo assim, atuou os 90 minutos e teve uma atuação brilhante, com participação direta em três gols. Cobrou a falta para Strootman completar, mandou uma bomba que o goleiro Lung Jr. desviou à trave – e Fazio marcou no rebote – e deu um passe primoroso para Salah fazer o quarto. Em outro lance, deixou o egípcio na cara do gol com um sutil toque de calcanhar. O canto do cisne de um craque que merecia ter tido mais sorte nas competições europeias.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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