Serie A

Juventus e Inter fizeram um duelo tático e sem graça que acabou em empate

Em um duelo de poucas chances e muita marcação, os dois primeiros colocados da Serie A não saíram de um empate, o que foi melhor para a Inter, líder e atuando fora de casa

O duelo entre Juventus e Internazionale teve alguns dos elementos mais esperados: muita disputa, uma rivalidade ferrenha, marcação forte e um embate tático intrincado. Além de tudo isso, fizeram um jogo bastante feio de se assistir, sem que nenhum dos dois times conseguissem se impor. O empate por 1 a 1 no Allianz Stadium, em Turim, ficou de bom tamanho para um duelo mais brigado do que jogado. Com times conhecidos por seus fortes sistemas defensivos, as duas equipes travaram um duelo em que pouco se criou e muito se marcou. Nada muda na classificação da Serie A, que segue com os nerazzurri na primeira posição e os bianconeri em segundo.

O Derby D’Italia aconteceu quando as duas equipes estão no topo da tabela. A Inter entrou na rodada como líder, com 31 pontos, com a Juventus logo atrás, em segundo com 29 pontos. O jogo era uma chance da Juve ultrapassar a rival, aproveitando que joga em casa.

Massimiliano Allegri colocou o time no seu esquema de três zagueiros e tinha desfalques de Danilo, Mattia De Sciglio e Timothy Weah, todos machucados. Federico Gatti, Bremer e Daniele Rugani formaram a linha defensiva, com Wojciech Szczesny no gol. No meio-campo, Hans Nicolussi Caviglia foi a novidade atuando pelo meio ao lado de Weston McKennie e o capitão da Juventus no jogo, Adrien Rabiot. Nas alas, Andrea Cambiasso na direita e Filip Kostic na esquerda. No ataque, a dupla Federico Chiesa e Dusan Vlahovic.

A Inter, comandada por Simone Inzaghi, também manteve o seu esquema, com três zagueiros. Yann Sommer foi o goleiro, com Matteo Darmian, Stefan de Vrij e Francesco Acerbi na defesa. Denzel Dumfries, pela direita, e Federico Dimarco, pela esquerda, foram os alas. No meio-campo, Hakan Çalhanoglu, Nicolò Barella e Henrikh Mkhitaryan. No ataque, Lautaro Martínez e Marcus Thuram, que foi uma boa contratação do time para a temporada.

Primeiro tempo com alguns bons momentos e dois gols

O jogo começou com os dois times cautelosos, como era de se esperar. Com estumas táticos similares, os dois times tinham um preenchimento pelo meio que dificultava o rival jogar. Eram times espelhados, taticamente, então acabavam também se anulando em muitos aspectos.

A Juventus teve uma boa chance aos 15 minutos. Depois de uma cobrança de lateral forte para dentro da área de McKennie, a bola foi ajeitada para Federico Chieca, de pé esquerdo, chutar forte, mas errar o alvo. Pouco depois, em uma jogada pela direita, Dumfries cruzou para Lautaro, na segunda trave, tocar de cabeça, mas desequilibrado, e Szczesny conseguiu defender sem problemas.

O primeiro gol saiu aos 26 minutos. Vlahovic tomou a bola de Dumfries no meio-campo, acionou Federico Chiesa na esquerda e o atacante foi até o fundo, tocou rasteiro para o meio onde Vlahovic, totalmente desmarcado, tocar de chapa de pé direito, no canto, e marcar 1 a 0. Um ataque mortal do time da casa.

A empolgação pelo gol não durou muito no Allianz Stadium. Denzel Dumfries começou a jogada no campo de defesa, tocou para Barella, que rapidamente colocou para Marcus Thuram na direita. O camisa 9 avançou e cruzou rasteiro para o meio, onde Lautaro Martínez apareceu antes de Federico Gatti para tocar no canto e marcar: 1 a 1.

Depois do gol, o ritmo do jogo caiu. Os dois times pareceram esperar pelo intervalo. Em uma partida tão apertada, ninguém queria se arriscar demais.

O futebol não voltou para o segundo tempo

O segundo tempo recomeçou equilibrado. Aos quatro minutos, a Inter chegou com perigo pela esquerda com Barella, que deu passe de calcanhar para Mkhitaryan e ele cruzou rasteiro para a área. Marcus Thuram finalizou, mas não pegou bem na bola e a defesa de Szczesny defendeu com tranquilidade.

Nenhum dos dois times tinha feito alterações no intervalo. Allegri foi o primeiro a mexer no time, aos 15 minutos. Colocou em campo Manuel Locatelli, que habitualmente é titular da equipe, no lugar de Hans Niculussi Caviglia. A Juventus parecia com mais dificuldade de chegar ao ataque e esperava que Locatelli pudesse ajudar dar uma saída de bola mais limpa pelo meio.

A estratégia da Inter era tentar atrair a Juventus para uma marcação alta e, assim, usar a sua velocidade nas suas costas. A Juventus, porém, não caiu na armadilha. O time de Allegri marcava em cima sem apertar, sem dar o bote e sem abrir espaços. A Juventus esperava, pacientemente, por um erro da Inter para recuperar a bola e trabalhar a jogada.

Ninguém parecia querer se arriscar no jogo. A partida era um duelo tático cuidadoso. Aos 24 minutos, Simone Inzaghi mudou a Inter: sacou os dois alas, Dumfries e Dimarco, e colocou Juan Cuadrado, ex-Juventus, e Carlos Augusto.

Cuadrado foi recebido com muitas vaias pela torcida do seu ex-clube. A cada vez que ele pegava na bola, os torcedores vaiavam intensamente o colombiano. Aos 35 anos, o ala passou oito anos da sua carreira atuando pelos bianconeri e era um jogador muito querido, mas a sua saída ao final do contrato e a chegada a uma rival como a Inter fez com que a recepção fosse bastante hostil.

O jogo não andava e a Juventus mexeu de novo. Saíram os dois atacantes, Chiesa e Vlahovic, e entraram Arkadiusz Milik e Moise Kean. Uma tentativa que tinha muito mais a ver com a questão física, já que tanto Chiesa quanto Vlahovic sofrem com lesões frequentes. Milik e Kean poderiam oferecer mais fisicamente nos últimos minutos.

No lado da Inter, saiu Çalhanoglu, cansado por um jogo de intensidade física alta, e entrou Kristjan Asllani. Assim como no caso da Juve, a mudança tinha muito mais a ver com a questão física do que com uma mudança técnica ou tática.

Já aos 43 minutos, a Inter fez mais duas mudanças com as entradas de Davide Frattesi no lugar de Barella e Marko Arnautovic no lugar de Thuram. Arnautovic, especialmente, era uma opção para o balão na área, já que é um jogador alto e forte. A Juve fez uma substituição de ala por ala: saiu Kostic e entrou Alex Sandro, um jogador que atualmente é mais defensivo e até joga como zagueiro, eventualmente.

No fim, o empate por 1 a 1 acabou sendo um resultado de acordo com o que vimos em campo. Nenhum dos dois times foi superior ao outro a ponto de merecer a vitória, nem fizeram algo que justificasse saírem com os três pontos. Ninguém se arriscou demais em um campeonato que ainda tem muito para ser jogado.

Os dois times são conhecidos mais por suas características defensivas do que ofensivas, ainda que a Inter tenha se tornado uma equipe mais forte no ataque desde a temporada passada. Nesta, o time é o melhor ataque da Serie A (30 gols), acima do Napoli (26). Além disso, é a melhor defesa, com apenas sete gols sofridos, seguido justamente pela Juventus, que só sofreu oito.

Por tudo isso, não é exatamente uma surpresa que os times tenham feito um jogo tão travado. É de se esperar que no segundo turno, quando a situação no campeonato deve ser outra, a postura dos times também deve ser diferente. Só que aí a vantagem será da Inter, que jogará em San Siro.

O empate leva a Inter e 32 pontos, enquanto a Juventus chega a 30. Os dois estão um pouco à frente do Milan, terceiro colocado, que tem 26 pontos depois de vencer a Fiorentina no sábado. A Juventus só volta a jogar na próxima sexta-feira (1/12), quando entrará em campo contra o Monza, fora de casa.

Já a Inter tem um compromisso na quarta-feira (29/11), quando enfrentará o Benfica pela Champions League, em um jogo importante para disputar a liderança do seu grupo na Champions League. No domingo (3/12), fará outro clássico: vai até o Estádio Diego Armando Maradona para enfrentar o Napoli, que tenta se recuperar na Serie A.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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