Serie A

Clube a clube, este é o guia Trivela da Serie A 2023/24

Depois de voltarmos a ver o Napoli campeão depois de 33 anos, preparamos um guia especial falando dos 20 times que disputam a Serie A em 2023/24

O Napoli quebrou um jejum que durava 33 anos e se tornou o quarto campeão em quatro anos consecutivos na Serie A. A Juventus conquistou o seu nono título consecutivo na temporada 2019/20, a Inter de Milão venceu em 2020/21, o Milan foi campeão em 2021/22 e o Napoli fechou essa conta em 2022/23. É justo dizer que para a temporada 2023/24, tudo está absolutamente aberto para a conquista do título. Os quatro últimos campeões sonham com a taça novamente e parece difícil definir quem é o favorito.

O futebol italiano tem recuperado muito do seu prestígio pelo que acontece em campo. Desde a Atalanta de Gian Piero Gasperini até o Napoli de Luciano Spalletti, na temporada passada, o futebol italiano tem causado um bom impacto. Além de personagens como José Mourinho, o carismático técnico da Roma, que se tornou ídolo na capital italiana, ou Lautaro Martínez, que de destaque agora se tornou o capitão da Inter, passando por Federico Chiesa, promessa de bom futebol na Juventus, e Rafael Leão, que conduziu o Milan ao scudetto há dois anos. Tem ainda o bom time de Maurizio Sarri, a Lazio, que tenta mais uma vez se manter no alto. Isso sem falar em times como Fiorentina, do ofensivo técnico Vincenzo Italiano, ou o bem-sucedido projeto do Sassuolo, sempre revelando talentos.

Embalado pela boa campanha na Europa na temporada passada, com clubes italianos finalistas nas três competições europeias – e em todas sendo adversários duros -, o futebol italiano chega com um ar de indefinição grande para as disputas no alto da tabela e também contra o rebaixamento. A expectativa é que, desta vez, a disputa seja mais acirrada, já que na temporada passada o Napoli passou por cima dos adversários.

Confira abaixo o guia com análise clube a clube:

Charles De Ketelaere é uma aposta da Atalanta (reprodução/Atalanta)

Atalanta

Estádio: Gewiss Stradium  (21.747 pessoas)
Técnico:
Gian Piero Gasperini
Posição em 2022/23:
5º lugar
Projeção:
Briga por vaga europeia
Principais contratações:
Charles De Ketelaere (M, Milan), El Bilal Touré (A, Almería), Gianluca Scamacca (A, West Ham), Mitchel Bakker (D, Bayer Leverkusen), Sead Kolasinac (Olympique de Marseille), Michael Adopo (M, Torino)
Principais saídas:
Rasmus Hojlund (A, Manchester United), Jérémie Boga (A, Nice), Joakim Maehle (D, Wolfsbug), Marco Sportiello (G, Milan)
Brasileiros no elenco:
Éderson (M)

A temporada 2022/23 teve altos e baixos para a Atalanta, mas acabou de forma positiva, com o quinto lugar e uma vaga na Liga Europa. Depois de anos que o time chegou até mesmo à Champions League, a Atalanta pareceu ter esgotado a sua fórmula. Os principais nomes foram saindo e muitos dos que ficaram pareciam já não render o mesmo. Assim, o time terá que construir uma nova base.

O time comandado por Gian Piero Gasperini tinha questões a resolver e houve um ruído entre o treinador e a diretoria. O estilo visto em outros anos não teve o mesmo sucesso e ficou claro que era preciso uma reformulação. A diretoria da Dea entregou o que o seu treinador pediu: bons reforços para renovar e melhorar o elenco.

A começar pelo gol. Marco Sportiello terminou a temporada como titular e foi para o Milan, mas a Dea tem outra boa opção: Marco Carneschi. O goleiro de 23 anos passou a última temporada emprestado à Cremonese, onde conseguiu ter um bom desempenho, e agora volta à Atalanta para brigar por posição no time.

Carneschi brigará por posição com Juan Musso, argentino de 29 anos e que começou a temporada passada como titular. Uma terceira opção é Francesco Rossi, que passou a temporada passada atuando no pequeno Teramo e deve ser apenas uma opção no banco.

A defesa é o setor onde o time menos deve mexer em relação à temporada passada. Rafael Tolói continua e deve ser o capitão do time, com Berat Djimsiti e o jovem Giorgio Scalvini, de apenas 19 anos e visto como um talento para a seleção italiana. O time ainda tem o experiente José Luis Palomino, 33 anos, o jovem Caleb Okoli, de 22 anos, e o ainda mais jovem Giovanni Bonfanti, de 20 anos.

A ala esquerda vinha sendo ocupada pelo Joakim Maehle, que deixou a equipe para jogar no Wolfsburg, mas a Dea repôs a sua saída com dois nomes: o bom Mitchel Bakker, do Bayer Leverkusen, e o experiente Seas Kolasinac, que chega do Olympique de Marseille, sendo que este último pode atuar como terceiro zagueiro pela esquerda. Dois jogadores com bastante vocação ofensiva, como tem sido o padrão do time nos últimos anos. No lado direito, os nomes seguem os mesmos com o holandês Jans Hateboer e Davide Zappacosta.

Onde o time mais vai mudar é no ataque. Nomes consagrados como Duván Zapata e Luis Muriel, ambos colombianos de 32 anos, perderam espaço na temporada passada e devem deixar a Atalanta ainda nesta janela. São dois jogadores com mercado, inclusive na própria Itália e, diante da necessidade de renovação, é improvável que continuem. Até por isso, o clube já foi atrás de novos jogadores para a posição.

El Bilal Touré chega do Almería como a maior contratação da história da Atalanta, por €28 milhões. O malinês, de 21 anos, é uma aposta interessante para o ataque, com força física e velocidade. Na última temporada, fez 21 jogos e marcou sete gols. Além dele, chega um jogador que tende a ser titular: Gianluca Scamacca, de 24 anos. Os dois chegam para disputarem vagas no ataque, que pode ser formado por um ou até com os dois jogadores.

O time ainda tem o ótimo Ademola Lookman, de 25 anos, que foi muito bem na temporada passada. A chegada de Charles De Ketelaere, meia belga talentoso que vem inicialmente por empréstimo do Milan, é algo que pode animar os torcedores. O jogador não engrenou pelos rossoneri, mas tem um estilo de jogo que encaixa bem nas ideias de Gasperini. É um meia que carrega a bola e chega na área, capaz de marcar gols. Uma opção diferente a nomes como Teun Koopmeiners, que se tornou importante na temporada passada, e Éderson, que costuma jogar mais atrás, como volante. Se assemelha mais com Mario Pasalic, a melhor opção de meia ofensivo da equipe.

A Atalanta tem um bom elenco para disputar o objetivo inicial, de uma vaga na Liga Europa, mas pode até brigar mais acima se as coisas se encaixarem de primeira. Potencial a Dea tem.

Thiago Motta, do Bologna (Icon Sport)

Bologna

Estádio: Renato Dall’Ara (36.462 lugares)
Técnico:
Thiago Motta
Posição em 2022/23:
9º lugar
Projeção:
briga contra o rebaixamento
Principais contratações:
Sam Beukema (D, AZ), Dan Ndoye (A, Basel), Oussama El Azzouzi (M, Union Saint Gilloise)
Principais saídas:
Marko Arnautovic (A, Internazionale), Jerdy Schouten (M, PSV), Denso Kasius (D, AZ), Gary Medel (M, Vasco), Roberto Soriano (M, sem clube), Nicola Sansone (A, sem clube)
Brasileiros no elenco:
Emanuel Vignato (italiano com passaporte brasileiro)

A boa temporada do Bologna em 2022/23 fez com que Thiago Motta se tornasse um treinador valorizado, especulado, por exemplo, no PSG. Apesar de ter permanecido, o treinador não parece muito satisfeito. O Bologna não fez um mercado de transferências muito empolgante até aqui e ainda corre sério risco de piorar ainda mais a situação. A perda do atacante Marko Arnautovic, por exemplo, que foi para a Inter, deixa a equipe com uma opção de qualidade a menos no elenco.

As chegadas são modestas. O time contratou o zagueiro Sam Beukema, de 24 anos, que vem do AZ, o ponta Dan Ndoye, de 22 anos, que vem do Basel, e Oussama El Azzouzi, de 22 anos, que chega do Union Saint Gilloise. Três jogadores jovens, que são apostas da equipe, mas que não mudam o nível da equipe, ao menos inicialmente.

Os reforços do time na janela são as manutenções de jogadores como o lateral direito Stefan Porsch, que estava emprestado pelo Hoffenheim e foi contratado em definitivo, assim como o meio-campista Nikola Moro, que estava emprestado pelo Dynamo Moscou.

Ao longo de toda a pré-temporada, Thiago Motta mostrou a sua insatisfação com a direção do Bologna por não reforçar o time. O desempenho do time, que chegou a brigar por vaga na Conference League, parece mais distante na nova temporada que chega. O time terá que primeiro precisa pensar em não ser rebaixado. Ir além disso parece um pouco demais no momento.

Claudio Ranieri é celebrado pelos jogadores (Icon Sport)

Cagliari

Estádio: Unipol Domus (16.416 lugares)
Técnico:
Claudio Ranieri
Posição em 2022/23:
campeão do playoff da Serie B
Projeção:
briga contra o rebaixamento
Principais contratações:
Simone Scuffet (G, Cluj), Ibrahim Sulemana (M, Verona), Tommaso Augello (D, Sampdoria), Eldor Shomurodov (A, Roma), Jakub Jankto (M, Getafe), Gaetano Oristanio (M, Internazionale)
Principais saídas:
Eldin Lolic (G, Tuzla City), Vincenzo Milito (A, Ascoli), Antonio Barreca (D, Sampdoria)
Brasileiros no elenco:
Paulo Azzi

O Cagliari conseguiu um acesso de tirar o fôlego na temporada passada. O time terminou a temporada regular em quinto lugar, posição que levou o time aos playoffs. Primeiro, eliminou o Parma, quarto lugar, nas semifinais. Na final, enfrentou o Bari, terceiro colocado e favorito. Depois de empate por 1 a 1 em Cagliari, venceu por 1 a 0 fora de casa, com um gol no final, e saiu com o acesso do Estádio San Nicola. Tudo isso sob o comando do carismático Claudio Ranieri, que tem uma ligação com o clube.

Na primeira divisão, o desafio não será pequeno. O Cagliari já larga como um dos times favoritos a brigar contra o rebaixamento. Para isso, o estilo de Ranieri de um jogo seguro defensivamente e com transições rápidas e mortais com muito jogo pelos lados do campo e cruzamentos para a área deverá ser executado com eficácia.

O time não perdeu destaques do time no acesso e conseguiu adicionar alguns bons nomes ao elenco. O goleiro Simone Scuffet, que já foi visto como promessa nos tempos de Udinese, retorna ao futebol italiano depois de passagens pelo Apoel, no Chipre, e Cluj, da Romênia. Será concorrente de Boris Radunovic, o titular, ao menos inicialmente.

O meio-campista Ibrahim Sulemana, de apenas 20 anos, chega do Verona para tentar ganhar espaço. O bom lateral esquerdo Tommaso Augello, da Sampdoria, é mais um que reforça o clube da Sardenha, além de um meio-campista bom de apoio, Jakub Jankto, que chega do Getafe, aos 27 anos. O principal nome é o atacante uzbeque Eldor Shomurodov, de 28 anos, que vem por empréstimo da Roma. Deve ser uma boa opção para o ataque.

O ataque do time ainda tem dois nomes importantes. O veterano Leonardo Pavoletti, de 34 anos, herói do acesso e capitão do time, deve começar como referência. Deve ser o titular ao menos até a recuperação completa de Gianluca Lapadula, ítalo-peruano que está machucado. São opções importantes de ataque, ainda mais com dois atacantes à frente, já que Ranieri gosta de usar o 4-4-2 como sua formação padrão.

Um dos bons nomes do time é o uruguaio Nahitan Nández, que se manteve no time depois do rebaixamento e ajudou os sardos a subirem para a primeira divisão novamente. O time tem outro uruguaio no elenco, o meia Gastón Pereiro, que foi emprestado ao Nacional, de Montevidéu, na temporada passada que o clube passou na segunda divisão.

A missão do Cagliari será árdua, mas evitar o rebaixamento deve ser o máximo que o time de Ranieri pode almejar.

Paolo Zanetti, técnico do Empoli (Icon Sport)

Empoli

Estádio: Carlo Castellani (19.847 lugares)
Técnico:
Paolo Zanetti
Posição em 2022/23:
14º
Projeção:
Brigar contra o rebaixamento
Principais contratações:
Emmanuel Gyasi (A, Spezia), Matteo Cancellieri (A, Lazio), Filipo Ranocchia (M, Juvenuts), Giuseppe Pezzella (D, Parma), Elia Caprile (G, Bari)
Principais saídas:
Guglielmo Vicario (G, Tottenham), Fabiano Parisi (D, Fiorentina), Nicolô Cambiaghi (M, Atalanta)
Brasileiros no elenco:
nenhum

A missão do Empoli na temporada segue a mesma: brigar contra o rebaixamento. O time comandado por Paolo Zanetti teve baixas importantes e não fez um mercado até aqui que dê para dizer que melhorou o time, pelo contrário. Assim, a missão de escapar do rebaixamento será mais dura.

Os Azzurri perderam dois jogadores cruciais com as saídas do goleiro Guglielmo Vicario, para o Tottenham, e do lateral esquerdo Fabiano Parisi, para a Fiorentina. No gol, conseguiu repor bem: buscou o goleiro Elia Caprile, que jogou a última temporada no Bari, emprestado pelo Napoli, e chega como uma grande promessa, aos 21 anos.

Na lateral esquerda, porém, a saída de Parisi, um jogador com tudo para ser da seleção italiana, não tem uma reposição à altura. A escolha de Giuseppe Pezzella, de 25 anos, que estava no Lecce, emprestado pelo Parma, não convence. Será mais uma chance para o jogador mostrar valor, depois de surgir no Palermo e não se firmar em nenhum dos clubes pelos quais passou, como Udinese, Genoa, Parma, Atalanta e Lecce.

A boa notícia é a contratação do atacante Emmanuel Gyasi. O ponta, de 29 anos, foi destaque do Spezia, que acabou rebaixado na Serie A. O atacante ganês continua na primeira divisão, com a missão de ajudar o Empoli a manter-se por lá. O meio-campista Filippo Ranocchia, de 22 anos, é outra aposta interessante. O jogador vem por empréstimo da Juventus, depois de jogar emprestado ao Monza na temporada passada. Ele mostrou talento, mas precisará também de consistência, o que ainda não conseguiu ter.

Arthur Melo é novidade na Fiorentina (Icon Sport)

Fiorentina

Estádio: Artemio Franchi (43.147 lugares)
Técnico:
Vincenzo Italiano
Posição em 2022/23:

Projeção:
Briga por Liga Europa
Principais contratações:
Lucas Beltrán (A, River Plate), Fabiano Parisi (D, Empoli), M’Bala N’Zola (A, Spezia), Yerry Mina (D, Everton), Arthur Melo (M, Juventus), Oliver Christensen (G, Hertha Berlim), Gino Infantino (M, Rosario Central)
Principais saídas:
Arthur Cabral (A, Benfica), Igor (D, Brighton), Riccardo Saponara (M, Verona)
Brasileiros no elenco:
Dodô, Arthur Melo

A Fiorentina viveu um fim de temporada empolgante e decepcionante ao mesmo tempo. Foi empolgante porque o time chegou até a final da Conference League, mas também foi decepcionante porque perdeu o título para o West Ham. O time comandado por Vincenzo Italiano mostrou ótimo futebol ao longo da temporada, com um jogo ofensivo, envolvente e que poderia ter ficado até acima na tabela da Serie A. A reta final, priorizando o torneio europeu, fez o time perdeu pontos importantes. Mesmo assim, termina bem a temporada e dando a sensação que poderia seguir na mesma linha. O bom mercado que a equipe fez também anima.

O time tem uma perda muito importante: o centroavante Arthur Cabral, de 25 anos, que foi para o Benfica. Para o seu lugar, a equipe Viola fez uma aposta das mais interessantes: Lucas Beltrán, centroavante argentino de 22 anos que vem do River Plate. O jogador vinha se destacando pelo campeão argentino e chega com potencial para dar um salto importante na sua carreira.

Chegou também o atacante M’Bala Nzola, que chega do Spezia, rebaixado à Serie B, que fez boa temporada. O angolano fez 34 jogos e marcou 15 gols na temporada e oferece uma opção de mais presença de área. Além dos dois, o time já tem no elenco Luka Jovic, que alternou bons e maus momentos pela equipe, mas ainda é um nome capaz de substituir Arthur.

Outro bom reforço para a equipe é a chegada do lateral esquerdo Fabiano Parisi. Aos 22 anos, ele é um jogador com potencial de seleção italiana e trará concorrência ao capitão do time, Cristiano Biraghi. Caso Vincenzo Italiano queira atuar com três zagueiros, Biraghi pode ser um deles e Parisi entrar na lateral.

Na defesa, a saída de Igor, zagueiro brasileiro, não deve fazer tanta falta. O jogador era mais reserva do que titular e, para repor a sua saída, o time contratou o colombiano Yerry Mina, de 28 anos. Alto, forte e com bom jogo aéreo, deve repor bem a saída do brasileiro. Tem ainda a aposta do time em Gino Infantino, meio-campista de apenas 20 anos, que chega do Rosario Central.

Outra aposta, e aí bem arriscada, é a chegada de Arthur Melo, emprestado pela Juventus. O meio-campista foi um pedido de Vincenzo Italiano, que acredita que pode recuperar o brasileiro. É uma chance para o brasileiro mostrar serviço já que, aos 26 anos, ainda tem muito futebol pela frente.

Com bons reforços, um bom elenco e um técnico que mostrou trabalho e criou um estilo de jogo eficiente e atraente, a Fiorentina é certamente um time para briga na parte de cima da tabela. Senão por vaga na Champions, porque a concorrência é pesada, certamente por uma vaga na Liga Europa.

Jogadores do Frosinone comemoram (Icon Sport)

Frosinone

Estádio: Benito Stirpe (16.227 lugares)
Técnico:
Eusebio Di Francesco
Posição em 2022/23:
Campeão da Serie B
Projeção:
Briga contra o rebaixamento
Principais contratações:
Riccardo Marchizza (D, Sassuolo), Giorgi Kvernadze (A, Kolkheti Poti), Marvin Cuni (A, Saarbrücken)
Principais saídas:
Samuele Mulattieri (A, Sassuolo), Daniel Boloca (M, Sassuolo), Luca Moro (A, Spezia)
Brasileiros no elenco:
nenhum

O Frosinone conseguiu o título da Serie B na temporada passada com uma excelente campanha, com 80 pontos em 38 jogos — sete a mais do que o segundo colocado, Genoa. Só que o time tem uma mudança importantíssima para esta temporada: saiu o técnico Fabio Grosso, que estava no clube desde março de 2021, e liderou a equipe ao título da segunda divisão. Era uma premissa do que estava por vir e que o técnico parece ter visto:

A escolha do substituto de Fabio Grosso não gera muita confiança. Eusebio Di Francesco fez um bom trabalho no comando da Roma, onde teve altos e baixos, mas deixou uma boa impressão. Desde que deixou a equipe da capital, porém, o treinador, de 53 anos, nunca conseguiu emplacar bons trabalhos. Passou pela Sampdoria, Cagliari e Verona, sempre com times que lutavam contra o rebaixamento. Foi demitido em todos, com aproveitamento muito baixo. Só isso já seria ruim, mas fica pior: o time perdeu muitos jogadores importantes da campanha na Serie B.

A principal saída é de Samuele Mulattieri. O atacante estava emprestado pela Inter e fez 12 gols em 29 jogos na Serie B. O jogador foi emprestado nesta temporada ao Sassuolo. Outro atacante deixou a equipe, Luca Moro, que jogou muitos minutos e marcou seis gols. O meio-campista Daniel Boloca, de 23 anos, também deixou a equipe, depois de ser fundamental. É outro que defenderá o Sassuolo.

Pior do que perder jogadores importantes é ver que as contratações feitas no mercado estão longe de parecerem ter o tamanho para substituir à altura os que saíram. Os canarini contrataram o jovem ponta Giorgi Kvernadze, de 20 anos, que chega do modesto Kolkheti Poti, da segunda divisão da Geórgia. Não é muito animador.

Marvin Cuni, centroavante de 21 anos, chega do Bayern, mas não do time principal, e sim do Bayern II, que joga a terceira divisão alemã. Marco Brescianini, meio-campista, chega emprestado do Milan depois de jogar a temporada passada pelo Cozenza, clube que ficou em 17º na Serie B e se salvou no playoff de ser rebaixado à Serie C. O Frosinone ainda contratou Abdou Harroui e Riccardo Marchizza, que vieram do Sassuolo, onde eram reservas que pouco atuavam.

O resumo é que o Frosinone parece pior agora do que estava na temporada passada, na Serie B. Escapar do rebaixamento parece uma missão quase impossível em um cenário como esse.

Mateo Retegui (centro) chegou fazendo gol no Genoa (Icon Sport)

Genoa

Estádio: Luigi Ferraris (34.901 lugares)
Técnico:
Alberto Gilardino
Posição em 2022/23:
2º na Serie B
Projeção:
Escapar do rebaixamento
Principais contratações:
Mateo Retegui (A, Tigre), Junior Messias (A, Milan), Morten Thorsby (M, Union Berlim), Daniele Sommariva (G, Pescara), Aarón Martín (D, Mainz), Nicola Leali (G, Ascoli), Koni De Winter (D, Empoli)
Principais saídas:
Domenico Criscito (D, aposentadoria), Luca Lipani (M, Sassuolo), Adrian Semper (G, Como)
Brasileiros no elenco:
Junior Messias

Comandado pelo conhecido ex-atacante Alberto Gilardino, o Genoa fez ótima campanha na Serie B na temporada 2022/23 e conseguiu o acesso em segundo lugar, terminando com uma margem confortável para o terceiro colocado, Bari.

O principal jogador do time foi Albert Gudmundsson, islandês de 26 anos que atua na ponta esquerda, mas ajudou também em outras posições do ataque. Além dele, outros jogadores se destacaram, como o meio-campista Kevin Strootman e o lateral Domenico Criscito. Este último se aposentou, mas os outros dois seguem na equipe para esta temporada na Serie A. São nomes experientes que compõem um time que tem expectativas de escapar do rebaixamento sem grandes problemas. A realidade, porém, é que o time precisa se preocupar com isso.

Como todos os times da 777 Partners, dona do Vasco e do Hertha Berlim, o Genoa vive problemas administrativos. A promessa de bonança nunca chegou plenamente (de novo, como aconteceu nos outros times do grupo americano), mas é verdade que o time conseguiu se reforçar nas últimas janelas de transferências. A base do time está mantida e há bons jogadores que podem cumprir o objetivo de não cair.

O principal reforço é o atacante Mateo Retegui, argentino de 24 anos que usou o seu passaporte italiano para defender a Azzurra enquanto era jogador do Tigre. Agora, vai atuar no país que defendeu no futebol internacional pela primeira vez. Retegui irá compor um ataque que já tem Massimo Coda, veterano de 34 anos que fez 10 gols. Retegui é mais jovem e mostrou talento para ser um jogador a marcar os gols que o time precisa.

A chegada de Junior Messias também pode ajudar. O ponta era um reserva no Milan, mas pode ser bem útil no Grifone, inclusive podendo atuar como ala. Pode formar um ataque perigosíssimo ao lado de Gudmundsson e Retegui, se essa for a opção de Gilardino.

O que anima os torcedores rossoblú é que a base do time é boa. O zagueiro romeno Radu Dragusin, de apenas 21 anos, se tornou um jogador importante e ganha a companhia de Koni De Winter, bela de 21 anos que jogou pelo Empoli na temporada passada. O meio-campo tem Milan Badelj, ex-Fiorentina, que aos 34 anos segue como um nome importante, além de Kevin Strootman. Ganham a companhia de Morten Thorsby, que já foi importante na Sampdoria e estava no Union Berlim na temporada passada.

Há elementos para que o Genoa não passe pelo sufoco do rebaixamento novamente, mas o time já caiu em situações similares, quando parecia ter elenco para continuar na Serie A e uma série de problemas os levou ao descenso. Desta vez, Gilardino e seus comandados têm armas para não cair na mesma armadilha.

Lautaro Martínez, novo capitão da Inter (Icon Sport)

Internazionale

Estádio: San Siro (75.923 lugares)
Técnico:
Simone Inzaghi
Posição em 2022/23:

Projeção:
briga por título
Principais contratações:
Marcus Thuram (A, Borussia Mönchengladbach), Marko Arnautovic A, Bologna), Davide Frattesi (M, Sassuolo), Yann Sommer (G, Bayern de Munique), Yann Aurel Bisseck (D, Aarhus), Juan Cuadrado (M, Juventus), Carlos Augusto (D, Monza), Emil Audero (G, Sampdoria), Raffaele Di Gennaro (G, Gubbio)
Principais saídas:
André Onana (G, Manchester United), Marcelo Brozovic (M, Al Nassr), Robin Gosens (D, Union Berlim), Milan Skriniar (D, PSG), Edin Dzeko (A, Fenerbahçe), Roberto Gagliardini (M, Monza), Danilo D’Ambrosio (D, Monza), Samir Handanovic (G, sem clube), Romelu Lukaku (A, Chelsea), Raoul Bellanova (D, Torino)
Brasileiros no elenco:
Carlos Augusto

A Inter teve uma temporada que acabou bem, apesar da derrota na final da Champions League para o Manchester City. O time de Pep Guardiola era mesmo o favorito ao título e os nerazzurri ainda conseguiram dificultar bastante a tarefa. A sensação no meio da temporada passada era que o ciclo de Simone Inzaghi como técnico do time estava terminando, mas a reta final da temporada, com classificação tranquila à Champions League, o título da Copa da Itália e a campanha até a final da Champions League reforçaram a confiança no treinador, que segue mais um ano no comando da equipe.

O grande nome da Inter é Lautaro Martínez. Aos 25 anos, ele foi escolhido como novo capitão do time, após as saídas de Samir Handanovic, Milan Skriniar e Marcelo Brozovic. O argentino viveu uma temporada individualmente excelente, com 28 gols em 57 jogos e um papel crucial para a campanha do time na Serie A e na Champions League. Com a braçadeira de capitão, ele terá que liderar uma Inter que terá diferenças importantes em relação à temporada passada.

O elenco passou por uma transformação. Foram muitas saídas, a começar pelo gol. O titular André Onana foi para o Manchester United e Samir Handanovic, ídolo e capitão do time, também deixou a equipe após o fim do seu contrato. A posição foi completamente reformulada, porque até o terceiro goleiro, Alex Ordaz, deixou a equipe. Assim, chegaram Yann Sommer, goleiro de peso para assumir a titularidade, vindo do Bayern; Emil Audero, destaque da Sampdoria; e Raffaele Di Gennaro, esse para ser terceiro goleiro e que volta para o clube, depois de se formar na base da Inter.

Na defesa, a Inter perdeu um grande nome, Milan Skriniar, que foi para o PSG após o fim do seu contrato. Chegou o jovem Yann Aurel Bicceck, de 22 anos, nascido em Colônia e que jogou pelo clube, mas estava no Aarhus, da Dinamarca, na temporada passada. Seu valor, um preço de ocasião (€7 milhões) o torna uma aposta de pouco risco.

Mais importante foi a manutenção de Alessandro Bastoni, pilar do sistema defensivo, Stefan De Vrij, que também tinha contrato só até o fim desta temporada e renovou, e Francesco Acerbi, que estava emprestado pela Lazio e foi contratado em definitivo. Além deles, o time ainda tem Matteo Darmian, lateral de origem, mas que atuou muitas vezes como zagueiro, inclusive na final da Champions League.

Nas alas, com a saída de Robin Gosens, que foi reserva de Federico Dimarco a temporada toda, chegou o brasileiro Carlos Augusto, ex-Corinthians, que estava no Monza. Ele chega para compor elenco por ali. No lado direito, o time segue com Denzel Dumfries, sempre muito especulado para sair, mas que continua nos nerazzurri, além da ótima opção de Juan Cuadrado, que chegou para ser uma opção versátil em diversas posições.

No meio-campo, Marcelo Brozovic fará falta, vendido ao Al Nassr. O croata ficou ausente por muitos jogos na temporada passada por lesão, o que levou Inzaghi a achar uma solução interna, com Hakan Çalhanoglu recuado para iniciar as jogadas, ao lado de Nicolò Barella e Henrikh Mkhitaryan. Essa deve ser a formação inicial do time. Davide Frattesi foi a principal contratação, muito disputado no mercado com o rival Milan. É um jogador de seleção italiana, com capacidade de chegar ao ataque com qualidade.

Kristjan Asllani, que estava emprestado pelo Empoli, foi contratado em definitivo. Por características, ele era visto como um potencial substituto para Brozovic e deve ganhar mais minutos nesta temporada. Há outros jogadores no setor que podem preencher lacunas na equipe. Stefano Sensi, voltou de empréstimo ao Monza e deve ser aproveitado. Os jovens Lucien Agoumé, de 21 anos, que estava emprestado ao Troyes na temporada passada, Giovanni Fabbian, que passou a temporada passada emprestado ao Reggina, serão avaliados por Inzaghi para saber se serão aproveitados ou novamente emprestados.

O ataque passou por uma grande mudança. Romelu Lukaku voltou fazendo juras de amor ao clube, se machucou durante a temporada e não conseguiu se estabelecer como titular, embora tenha sido importante em alguns momentos. O titular mais constante foi Edin Dzeko, ao lado do sempre presente Lautaro Martínez. Tanto Lukaku quando Dzeko deixaram o clube. Lukaku de uma maneira que deixou dirigentes insatisfeitos: depois do clube se acertar com o Chelsea pela sua compra, ele desapareceu, com uma proposta da Juventus — onde torcedores protestam contra sua chegada.

Para suprir quem saiu, a Inter conseguiu Marcus Thuram, ótimo atacante francês que chega sem custos do Borussia Mönchengladbach, e Marko Arnautovic, que estava no Bologna e, aos 34 anos, retorna a um clube onde jogou quando jovem, há 13 anos. Retorna com status de um artilheiro importante, com passagens por Premier League, e que pode agregar muito vindo do banco, em papel similar ao que Dzeko exerceu nos últimos anos.

Há ainda algumas dúvidas. Joaquín Correa foi um reserva em toda a temporada e há interesse de outros clubes na sua contratação, algo que a Inter não se opõe. Sua saída é provável até o fim da janela. O time pode aproveitar Sebastiano Esposito, de 21 anos, jogador da seleção sub-21 que estava emprestado ao Bari, na Serie B, na temporada passada. Há ainda a possibilidade de buscar outra opção no mercado para encorpar um elenco que precisará de opções para disputar todas as frentes.

As muitas mudanças na pré-temporada são um atenuante para que a Beneamata não comece voando na Serie A. Inzaghi precisará adaptar as novas peças ao elenco rapidamente e encontrar soluções para os jogadores que saíram. Os reforços parecem interessantes, dentro de uma realidade financeira que não compete com os ricos clubes da Premier League ou mesmo Bayern de Munique e PSG. A pré-temporada um tanto caótica deve cobrar o seu preço, mas a Inter sabe que terá que achar um caminho, especialmente na Serie A, onde os concorrentes vivem situação similar.

Os desafios de Inzaghi na temporada são claros: os nerazzurri entram na temporada como favoritos ao título, com condições de voltar a levantar a taça, como aconteceu em 2020/21. Claro, classificar à Champions League é um objetivo primário, mas o clube almeja mais do que isso. Além de brigar pelo Scudetto, há a expectativa de uma boa campanha na Champions League. Repetir o feito de chegar à final é improvável, mas chegar às fases eliminatórias é algo que se espera da equipe.

Federico Chiesa, da Juventus (Icon Sport)

Juventus

Estádio: Allianz Stadium (41.507 lugares)
Técnico:
Massimiliano Allegri
Posição em 2022/23:

Projeção:
Disputa pelo título
Principais contratações:
Timothy Weah (A, Lille), Facundo González (D, Valencia), Andrea Cambiasso (D, Bologna)
Principais saídas:
Juan Cuadrado (m, Inter), Leandro Paredes (M, Roma), Ángel Di Maria (A, Benfica)
Brasileiros no elenco:
Danilo, Alex Sandro, Bremer

A Juventus chega a esta temporada depois de dois anos seguidos de decepção e como uma grande interrogação. O retorno de Massimiliano Allegri em 2021 foi visto como um tiro certo para voltar aos dias de levantar taças com naturalidade e competir na Europa — na sua primeira passagem, ele levou a Velha Senhora a duas finais de Champions. Passados dois anos, a Juventus não conseguiu atingir esse objetivo.

Fora das competições europeias pela punição por fraude financeira, os bianconeri tiveram que apertar os cintos e planejar a próxima temporada sem grandes contratações. Por outro lado, a sua base está mantida e segue como um time muito competitivo. Como já é habitual, as equipes dirigidas por Massimiliano Allegri não são encantadoras de se ver, mas o time esteve na segunda posição em boa parte da campanha passada, até que as punições tenham tirado a chance do time competir por uma vaga na Champions. Longe do ideal, mas ainda bastante forte para o futebol italiano.

É essa a expectativa para esta temporada. Especialmente porque o time não terá competições europeias — foi excluído da Conference League pela Uefa como punição pela fraude financeira — e isso foi visto como algo positivo, já que a competição não traz tanto prestígio assim e a premiação não é tão atraente para um clube do tamanho da Juve.

O problema é que sem a grana de uma competição como a Champions, trazer reforços de peso é muito complicado e sempre há o risco de perder jogadores. A saída de Ángel Di Maria, por exemplo, foi muito mais por uma questão financeira do que técnica, já que o argentino teve bom desempenho. A saída de Juan Cuadrado teve menos o aspecto técnico e mais lima questão de escolha de não renovar com um veterano que, sim, tinha bons salários, mas não eram limitantes para o clube. A escolha, ali, foi mais técnica.

Uma das novidades é Danilo com a braçadeira de capitão. O brasileiro será o capitão do time, com a ausência de Leonardo Bonucci. Ele se tornou uma grande liderança no elenco e foi convertido de lateral em zagueiro. Deve liderar a defesa dos bianconeri, que por vezes pode ser integralmente brasileira com Alex Sandro, outro que eventualmente joga como zagueiro, e Bremer.

A contratação mais importante foi para o ataque, com o americano Timothy Weah, que chega do Lille. O jogador vem de boa temporada pelo Lille, onde mostrou muita versatilidade. Mesmo sendo atacante de origem, jogou como lateral esquerdo e lateral direito ao longo da campanha, além da sua posição natural, de ponta pela direita. Uma característica que supre bem a saída de Cuadrado, jogador que fazia algo similar.

No mais, o time terá que se virar com o que já tem. Essa é a má notícia, mas a boa é que há bastante qualidade no elenco. O goleiro Wojciech Szczesny se mostrou confiável nos últimos anos e segue na posição, com Mattia Perin na reserva. A defesa tem agora o capitão, Danilo, como zagueiro, junto a Bremer, Federico Gatti, Daniele Rugani e Facundo González. Ainda tem o caso Leonardo Bonucci, com mais um ano de contrato com o clube, mas que foi excluído da pré-temporada e que se desenha uma disputa judicial, porque o clube não quer mais contar com ele.

Um dos jogadores emprestados pela Juventus na temporada passada e que deve ter espaço na temporada é Andrea Cambiasso, que jogou pelo Bologna. Ele chega para concorrer com Alex Sandro, enquanto há outros nomes da posição que devem sair, como Luca Pellegrini, em negociações com a Lazio, e Gianluca Frabotta, emprestado ao Lecce na temporada passada e que pode ser emprestado a outro clube nesta.

No meio-campo, Adrien Rabiot renovou contrato e deve ser um jogador bastante utilizado ao lado de Manuel Locatelli. Além deles, há uma grande expectativa sobre Paul Pogba. O meio-campista se machucou antes mesmo de iniciar a temporada passada e pouco conseguiu contribuir para o time, já que passou a maior parte do tempo no estaleiro. Desta vez, recuperado, Allegri e os torcedores da Juventus esperam que ele possa ser um jogador que conduza a equipe adiante.

Um caso similar ao de Pogba é o de Federico Chiesa. É outro jogador em quem se deposita muitas expectativas que possa brilhar, mas que foi atrapalhado pelas lesões na temporada passada. Desta vez, mais inteiro, pode ajudar a fazer a diferença. Outro caso é o de Dusan Vlahovic. O sérvio desperta muito interesse no mercado e a Juventus cogitou vendê-lo para fazer dinheiro e contratar Romelu Lukaku. Os protestos da torcida parecem terem feito o clube mudar de ideia e o sérvio, de 23 anos, deve liderar a linha ofensiva. Entre lesões e más atuações, ele não conseguiu entregar o que se esperava dele, mas há claro potencial ali. Além deles, a Juve tem opções que não enchem os olhos, mas podem ajudar na rodação, como Moise Kean e especialmente Arkadiusz Milik, contratado em definitivo do Olympique de Marseille.

Com tudo isso, a Juventus pode não ser um time que encante, mas certamente não deve ser subestimado. O que a equipe fez na temporada passada, sendo muito competitiva ao menos para ficar entre os quatro primeiros enquanto não teve a punição, indica que os comandados de Allegri podem fazer frente aos rivais. Mesmo com todos os problemas, a Juventus segue um time perigoso e ninguém irá estranhar se conseguir brigar pela ponta da tabela com qualquer um dos rivais.

Ciro Immobile, capitão da Lazio (Icon Sport)

Lazio

Estádio: Olímpico de Roma (73.261 lugares)
Técnico:
Maurizio Sarri
Posição em 2022/23: 2º
Projeção:
Briga por vaga na Champions
Principais contratações:
Taty Castellanos (A, Girona), Daichi Kamada (M, Eintracht Frankfurt), Nicolìo Rovella (M, Monza), Gustav Isaksen (A, Midtjylland), Diego González (A, Celaya)
Principais saídas:
Sergej Milinkovic-Savic (M, Al Hilal), Luka Romero (A, Milan), Stefan Radu (D, aposentadoria)
Brasileiros no elenco:
Marcos Antonio, Felipe Anderson

A Lazio vem de uma temporada muito bem-sucedida, em que conseguiu um ótimo vice-campeonato da Serie A e volta à Champions League. No terceiro ano do trabalho de Maurizio Sarri, a expectativa é que o time consiga manter o bom desempenho e os bons resultados. Só que há problemas.

A base foi mantida, o que é positivo, mas o time perdeu um jogador difícil de substituir: o meio-campista Sergej Milinkovic-Savic, um dos que foi para a Arábia Saudita, assinando com o Al Hilal. É uma perda significativa porque o sérvio é um jogador único, que une muita qualidade técnica com a bola, em passes, finalizações e visão de jogo, com valências físicas, como força, impulsão, jogo aéreo e boa capacidade de marcação.

Sabendo que não terá como substituir o sérvio à altura, a Lazio buscou uma boa alternativa: o meia Daichi Kamada, que tem muitas qualidades ofensivas, com visão jogo, muita movimentação e boa chegada ao ataque. Chegou também um jovem bastante promissor: Nicolò Rovella, de 21 anos, que pertence à Juventus e estava no Monza na temporada passada. Sem ser aproveitado, ele chega por empréstimo com opção de compra e tem potencial de ser um titular e chegar à seleção italiana principal — atualmente ele é parte da seleção sub-21.

As contratações mais importantes do time vêm para o ataque. Taty Castellanos, centroavante argentino, chega do Girona depois de boa temporada na Espanha. O jogador tinha vínculo com o New York City, outro clube do grupo City, como o Girona. Sua contratação em definitivo é para ser o reserva de Ciro Immobile, algo que faltava ao elenco.

Outro jogador de ataque que chega é o dinamarquês Gustav Isaksen, de 22 anos, que vem do Midtjylland. Leve e rápido, ele se torna uma opção a Felipe Anderson, além de ser uma opção eventualmente até para atuar junto com o brasileiro criando jogadas para Immobile (ou Castellanos).

No mais, a Lazio confia em uma base que é bastante sólida. O técnico Maurizio Sarri conta com o ótimo goleiro Ivan Provedel, tem Alessio Romagnoli, que entrou bem no time na temporada passada, Patric, Nicolò Casale e Mario Gila. Nas laterais, mantém os bons Elseid Hysaj e Manuel Lazzari na direita e Adam Marusic, e Mohamed Fares como opções na esquerda.

Marcos Antonio deve ser ainda mais importante para a Lazio nesta temporada. O meio-campista é muito dinâmico, tem boa técnica e cobre grandes partes do campo. Cresceu muito sob o comando de Maurizio Sarri, que ajudou diversos jogadores a melhorarem seus níveis. O time ainda tem a aposta no jovem Diego González, ponta paraguaio de 20 anos que chega do Celaya, da segunda divisão mexicana.

O bom trabalho de Maurizio Sarri, que entrará em sua terceira temporada pelos azuis celestes, gera expectativas para a temporada atual. O objetivo é ficar entre os quatro primeiros e ir à próxima Champions League e, se a oportunidade aparecer, tentar algo mais.

Remi Oudin, do Lecce (Icon Sport)

Lecce

Estádio: Ettore Giardiniero (31.559 lugares)
Técnico:
Roberto D’Aversa
Posição em 2022/23:
16º
Projeção:
Luta contra o rebaixamento
Principais contratações:
Mohamed Kaba (M, Valenciennes), Ylber Ramadani (M, Aberdeen), Hamza Rafia (M, Pescara), Patrick Dorgu (D, Nordsjaelland), Sinedin Smajlovic (D, Taby), Pontus Almqvist (A, Rostov)
Principais saídas:
Morten Hjulmand (M, Sporting), Assan Ceesay (A, Damac), Lorenzo Colombo (A, Milan), Samuel Umtiti (D, Lille), Rémi Oudin (A, Bordeaux)
Brasileiros no elenco:
Gabriel Strefezza

O Lecce vem de uma temporada que se salvou do rebaixamento por muito pouco. O susto foi grande com o time terminando cinco pontos à frente de Verona e Spezia, que fizeram um duelo contra o rebaixamento. A expectativa é novamente brigar para escapar do descenso e a tarefa definitivamente não é nada fácil.

Para começar, o time teve uma mudança de técnico. Saiu Marco Baroni, no cargo desde 2021, para entrar Roberto D’Aversa. Aos 48 anos, o treinador tem experiência no Virtus Lanciano, Parma e Sampdoria. O seu trabalho no Parma foi o mais duradouro.

Foi lá que D’Aversa conseguiu dois acessos consecutivos, da Série C para a Serie B e dali para a Serie A. Ele manteve o time na primeira divisão na sua primeira temporada. Seria demitido pouco antes do início da terceira temporada, em agosto de 2020. Seis meses depois, em janeiro de 2021, foi recontratado pelo Parma, mas não conseguiu salvar o time do rebaixamento. Acabou deixando o clube depois disso. Na Sampdoria, em 2021/22, não durou muito e caiu com 22 jogos no comando da equipe.

O time perdeu Morten Hjulmand, referência no meio-campo, que foi para o Benfica, além do atacante Rémi Oudin, que retornou ao Bordeaux após o empréstimo. Também saíram Samuel Umtiti, Assan Ceesay e Lorenzo Colombo, outros que estavam emprestados.

A esperança, então, é o brasileiro Gabriel Strefezza, que tem passaporte italiano (como o nome indica) e foi o artilheiro do time na última Serie A, com oito gols. Além dele, outro companheiro de ataque, Federico Di Francesco, permanece. São os dois jogadores que habitualmente jogam pelas pontas. Na defesa, também permanecem o goleiro Wladimiro Falcone e os zagueiros Federico Baschirotto e Marin Pongracic, que foram importantes na campanha passada.

O time se reforçou como pode, embora não seja nada empolgante. O meio-campista Youssef Maleh, de 34 anos, chega da Fiorentina, onde era reserva, para tentar ter mais minutos de jogo. O volante Mohamed Kaba vem de boa temporada no Valenciennes e tentará ser um ponto de referência no meio-campo defensivo, algo necessário após a saída de Hjulmand. Ainda no meio meio-campo, o time encorpa o elenco com Ylber Ramadani, de 27 anos, que chega do Aberdeen. Chegam também o atacante Pontus Almqvist, que vem do Rostov, o meia ofensivo Hamza Rafia, 24 anos, que vem de jogar a Serie C pelo Pescara, Zinedin Smajlovic chega da terceira divisão sueca.

Com nenhum reforço chamando muito a atenção, a missão será dura. O Lecce começa a temporada com muitas preocupações para evitar o descenso.

Rafael Leão, do Milan (Icon Sport)

Milan

Estádio: San Siro (75.923 lugares)
Técnico:
Stefano Pioli
Posição em 2022/23:

Projeção:
briga pelo título
Principais contratações:
Samuel Chukwueze (A, Villarreal), Cristian Pulisic (A, Chelsea), Yunus Musah (M, Valencia), Tijjani Reijnders (M, AZ), Ruben Loftrus-Cheek (M, Chelsea), Noah Okafor (A, Red Bull Salzburg), Luka Romero (A, Lazio), Marco Sportiello (G, Atalanta)
Principais saídas:
Sandro Tonali (M, Newcastle), Charles De Ketelaere (M, Atalanta), Junior Messias (A, Genoa), Ante Rebic (A, Besiktas), Ciprian Tatarusanu (G, Abha), Matteo Gabbia (D, Villarreal), Zlatan Ibrahimovic (A, aposentadoria), Brahím Diaz (M, Real Madrid), Sergiño Dest (D, Barcelona), Aster Vranckx (M, Wolfsburg)
Brasileiros no elenco:
Nenhum

O Milan chega para esta temporada com uma boa expectativa. O time foi semifinalista da Champions League e conseguiu, a duras penas, é verdade, o quarto lugar na Serie A, garantindo a participação no principal torneio continental novamente. O técnico Stefano Pioli segue no comando e precisou fazer uma reformulação no time e, com boas reforços, o time pode sonhar com a conquista do Scudetto novamente.

A principal perda do elenco foi Sandro Tonali. Volante crucial na campanha do título de 2021/22, o jogador foi para o Newcastle. Para o seu lugar, o Milan conseguiu bons reforços: chegaram Yunus Musah, americano que estava no Valencia, Tijjani Reijnders, do AZ, e Ruben Loftus-Cheek, do Chelsea. Três boas opções para o setor, que poderá ser montado como o técnico quiser, já que já tinha bons jogadores no setor, como Ismaël Bennacer, Tommaso Pobega e Rade Krunic, todos muito utilizados na temporada passada.

No gol, o time segue contando com o excelente Mike Maignan para ser titular, mas a lesão do francês deixou claro que o reserva Ciprian Tatarusanu não estava à altura. Por isso, Marco Sportiello foi contratado da Atalanta e se torna um bom reserva para o titular francês.

O ataque é onde há mais alterações. Olivier Giroud segue como opção principal, mas o francês tem 36 anos, prestes a fazer 37 e precisa de outros jogadores para revezar com ele. Pensando nisso, Noah Okafor, de 23 anos, chega do Red Bull Salzburg para ser reserva, já que Divock Origi, contratado na temporada passada, não convenceu. Se quiser, o Milan ainda tem dois jogadores jovens que podem fazer a função. Lorenzo Colombo, de 21 anos, foi muito bem pelo Lecce na temporada passada e pode ser um reserva útil. Marko Lazetic, de 19, é outro que esteve emprestado e é uma aposta para o futuro.

Um dos grandes problemas do time estava nas opções pelas pontas. Rafael Leão segue como craque do time, mas o ponta pela direita nunca se estabilizou. Quem acabou a temporada por ali foi Brahim Diaz, que voltou ao Real Madrid. Assim, o time claramente precisa de opções, inclusive para ausências eventuais de Leão.

Os reforços são de peso. Chegaram Samuel Chukwueze, nigeriano de 24 anos que chega do Villarreal e gosta de atuar na ponta direita; e Christian Pulisic, americano de 24 anos que chega do Chelsea e, embora a posição preferida seja aberto pela direita, pode atuar tanto como meia central quanto aberto pelo lado esquerdo. São duas excelentes opções, que chegam até para serem titulares, se o time se adaptar a jogar com eles. Eles oferecem opções melhores que Alexis Saelemaekers, que foi o jogador mais usado por ali ao longo da temporada passada. Além deles, o time levou Luka Romero, de 18 anos, que chega da Lazio e tem potencial.

No mais, o time segue com uma base muito forte. Na defesa, Fikayo Tomori é o principal jogador e tem ainda Pierre Kalulu e Malick Thiaw, que fizeram ótima temporada, e a presença do experiente Simon Kjaer. Nas laterais, o time tem Theo Hernández na esquerda, provavelmente o melhor da sua posição no mundo, e o capitão do time, Davide Calabria, pela direita. Ainda tem Alessandro Florenzi como uma opção na direita, que pode atuar mais à frente se necessário.

Com um bom elenco, um trabalho já estabelecido e boas reposições para a saída, a sensação é que o Milan conseguiu ficar melhor do que na temporada passada. Com isso, espera poder ter menos instabilidade e, antes de tudo, conseguir uma vaga na Champions League, mas para além disso, disputar o título. Potencial para isso o time tem.

Mateo Pessina, do Monza (Icon Sport)

Monza

Estádio: U-Power Stadium – Brianteo (16.917)
Técnico:
Raffaele Palladino
Posição em 2022/23:
11º
Projeção:
meio da tabela
Principais contratações:
Roberto Gagliardini (M, Inter), Danilo D’Ambrosio (D, Inter), Valentin Carboni (A, Inter), Georgios Kyriakopoulos (D, Sassuolo), Giorgio Cittadini (D, Atalanta), Stefano Gori (G, Perugia)
Principais saídas:
Alessio Cragno (G, Sassuolo), Carlos Augusto (D, Inter), Nicolò Rovella (M, Lazio), Stefano Sensi (M, Inter), Marlon (D, Fluminense), Filippo Ranocchia (M, Empoli)
Brasileiros no elenco:
Samuele Vignato

O Monza fez uma excelente campanha no seu retorno à Serie A, considerando seus padrões. O time vinha da Serie B e conseguiu ficar na primeira divisão sem grandes problemas, confortavelmente no meio da tabela. Com um elenco formado por muitos jogadores emprestados, havia o temor que a equipe se desmanchasse ao final da temporada. Embora tenha perdido alguns jogadores, o Monza conseguiu manter a com boas possibilidades de continuar no meio da tabela.

Um dos destaques do Monza foi o técnico Rafaelle Palladino. Aos 39 anos, ele foi escolhido no começo da temporada 2022/23 para o seu primeiro trabalho à frente de um time principal, depois de um ano de experiência no time sub-19 do próprio Monza, e teve muito sucesso. O treinador colocou um estilo de jogo que conseguiu muitos pontos importantes com ousadia e um time ofensivo em diversos momentos. O time ainda sofreu muitos gols, mas a ousadia compensou para vencer mais jogos e conseguir pontos o bastante para que a equipe sequer corre risco de descenso.

Muitos dos jogadores emprestados foram contratados em definitivo, como o agora capitão Matteo Pessina, jogador de seleção italiana; o atacante Gianluca Caprari, um dos destaques da equipe; e os zagueiros Pablo Marí e Armando Izzo. O atacante Andrea Petagna, que alterou entre titular e opção no banco, também ficou. Todos eles fizeram a transferência definitiva ao clube.

Dos emprestados que não ficaram, destaque para Nicolò Rovella, emprestado pela Juventus à Lazio nesta temporada com opção de compra, e Stefano Sensi, que voltou à Inter e deve ser aproveitado no elenco de Simone Inzaghi.

Os Brianzoli ainda fizeram boas contratações, aproveitando oportunidades de mercado. Chegou um pacotão da Inter, com Roberto Gagliardini, de 29 anos, e Danilo D’Ambrosio, de 34, que chegam ao clube após o fim dos seus vínculos com os nerazzurri; e Valentin Carboni, jovem atacante argentino do clube de Milão, que chega por empréstimo.

Também por empréstimo chegaram Georgios Kyriakopoulos, que atuou no Bologna na temporada passada e tem contrato com o Sassuolo, lateral esquerdo que preenche a lacuna de Carlos Augusto; Giorgio Cittadini, zagueiro que chega por empréstimo da Atalanta; e o goleiro Stefano Gori, emprestado pela Juventus e que na temporada passada atuou pelo Perugia.

O time ainda tem a curiosidade de ter um italiano com passaporte brasileiro. Samuele Vignato, de apenas 19 anos, é jogador da seleção de base da Itália, mas pode ser convocado pelo Brasil. Isso porque Samuele é filho de pau italiana e mãe brasileira. Nasceu em Negrar e começou a carreira no Chievo e desde 2021 está no Monza. Meia ofensivo, ele não teve muitas oportunidades na temporada passada, mas pode ganhar mais minutos neste ano.

O objetivo segue o mesmo: permanecer na primeira divisão sem sustos, com um confortável lugar no meio da tabela. O time tem todas as condições para isso, especialmente porque manteve a base, o treinador, e conseguiu alguns bons reforços. Todo cuidado é pouco, porém, porque vimos times na Serie A com bons elencos serem rebaixados por inícios de temporada ruins.

Victor Osimhen, do Napoli (Icon Sport)

Napoli

Estádio: Diego Armando Maradona (54.726 lugares)
Técnico:
Rudi Garcia
Posição em 2022/23:
Campeão
Projeção:
briga pelo título
Principais contratações:
Jens Cajuste (M, Reims), Natan (D, Red Bull Bragantino)
Principais saídas:
Kim Minjae (D, Bayern de Munique), Tanguy Ndombélé (M, Tottenham)
Brasileiros no elenco:
Natan, Juan Jesus

Depois de uma temporada mágica com a conquista do Scudetto, que quebrou um jejum de 33 anos, o Napoli conseguiu manter quase todos os seus principais jogadores e chega com força para disputar uma nova temporada. Só que nem tudo são flores. O time perdeu o seu principal zagueiro, Kim Minjae, e o técnico que conseguiu a façanha de levar o título, Luciano Spalletti, em uma saída polêmica, em tese a seu pedido. Ele pode acabar na seleção italiana, desde que a Federação Italiana pague para o livrar do seu contrato vigente com o Napoli até 2024.

O sempre falastrão presidente Aurelio De Laurentiis fez uma aposta inusitada para ser o técnico da equipe campeã: o francês Rudi Garcia, ex-Roma, que tinha sido demitido pouco antes do Al Nassr, da Arábia Saudita. Aos 59 anos, Rudi Garcia tem experiência, mas chega aos Partenopei depois de uma sequência de trabalhos que não são exatamente empolgantes.

Foi razoável na Roma e no Olympique de Marseille, com altos e baixos. Teve bons momentos também no Lyon, que levou a uma semifinal de Champions League, mas também acabou demitido após não conseguir vaga na Champions League. Depois disso, trabalhou no Al Nassr na temporada 2022/23, sendo o primeiro técnico de Cristiano Ronaldo na Arábia Saudita. O time ficou em segundo lugar na liga e terminou a temporada sem títulos e ele foi demitido.

Com a chance no Napoli, o técnico “caiu para cima” com a chance de comandar um elenco de qualidade e um time que chega em suas mãos azeitado. Conhecido por não fazer grandes mudanças, ele tem uma oportunidade de ouro. O time só perdeu um titular e mantém o seu espetacular ataque com Khvicha Kvaratskhelia e Victor Osimhen. Além disso, o time manteve Giovanni Siomeone, contratado em definitivo do Verona, e Giacomo Raspadori, outro que fica definitivamente em Nápoles.

Para repor a saída de Kim Minjae, o Napoli fez uma aposta: o zagueiro brasileiro Natan, formado na base do Flamengo e que estava no Red Bull Bragantino desde 2022. Zagueiro canhoto e alto, Natan chega para ser um reserva no elenco dos Partenopei, mas que precisará ser usado com frequência. Para o time titular, Amir Rrahmani deve ter a companhia de Leo Ostigard, que se adaptou bem ao time, mas foi reserva na maior parte da temporada passada. Ainda tem a experiência de Juan Jesus, de 32 anos, que deve ajudar Natan a se adaptar mais rápido, até pelo estilo de jogo similar.

No mais, Rudi Garcia tem o mesmo time que o torcedor do Napoli se acostumou a ver. O time perdeu um reserva do meio-campo, Tanguy Ndombélé, mas mantém o trio titular cm Stanislav Lobotka, Frank Anguissa e Piotr Zielinski — este último muito assediado pelo mercado saudita, mas que, aparentemente, permanecerá no clube italiano para a temporada. Com isso, Jens Cajuste, sueco de 24 anos, chega como aposta vindo do Reims para compor elenco e se adaptar com tranquilidade.

Com a Champions League pela frente mais uma vez e um bom elenco, o Napoli tem ambições de brigar para manter o Scudetto e também fazer um bom papel na Europa, chegando às fases finais, como foi na temporada anterior. O elenco permite acreditar que isso é possível. Rudi Garcia terá que provar que está à altura do desafio.

José Mourinho, técnico da Roma (Icon Sport)

Roma

Estádio: Olímpico de Roma (73.261 lugares)
Técnico:
José Mourinho
Posição em 2022/23:

Projeção:
Briga por Champions
Principais contratações:
Leandro Paredes (M, Juventus), Renato Sanches (M, PSG), Evan Ndicka (D, Eintracht Frankfurt), Houssem Aouar (M, Lyon), Rasmus Kristensen (D, Leeds)
Principais saídas:
Roger Ibañez (D, Al Ahli), Nemanja Matic (M, Rennes), Georginio Wijnaldum (M, PSG)
Brasileiros no elenco:
Nenhum

José Mourinho vai para a sua terceira temporada no comando da Roma e, apesar da derrota na final da Liga Europa na temporada passada, o amor entre ele e os torcedores só aumentou. O time não conseguiu vaga na Champions League, mas mostrou qualidade em muitos momentos e algumas contratações funcionaram muito bem. Com mais tempo de trabalho e poucos, mas bons reforços, a Roma espera subir um degrau e, enfim, brigar por vaga na Champions League.

Para esta temporada, a Roma perdeu Nemanja Matic, experiente volante de 35 anos, que aceitou uma lucrativa proposta do Rennes. O meio-campista sérvio foi um dos que mais atuou com a camisa da Roma na temporada, estando presente em 50 jogos (sendo 35 dos 38 da Serie A). A reposição, porém, foi de ótima qualidade.

A Roma buscou dois ótimos meio-campistas para ocupar o setor: Leandro Paredes, que estava emprestado à Juventus na temporada passada e pertencia ao PSG, que chega em definitivo, e Renato Sanches, que chega por empréstimo com opção de compra vindo do PSG. Além dos dois, o time já tinha contratado Houssem Aouar, um jogador de características mais ofensivas para o meio-campo, que ajuda a dar mais opções para Mourinho.

Roger Ibañez, que foi um jogador importante na rotação da Roma, deixou o clube rumo ao paraíso financeiro da Arábia Saudita e, para o seu lugar, os giallorossi buscaram Evan Ndicka, de 23 anos, que chega sem custos ao final do seu contrato com o Eintracht Frankfurt. Com 1,92 metro de altura, Ndicka foi titular era um titular habitual da equipe, fazendo 44 partidas, todas elas como titular. Irá concorrer na posição com Gianluca Mancini, uma das lideranças do elenco, Diego Llorente, Chris Smalling e Marash Kumbulla.

A principal contratação da temporada passada foi Paulo Dybala e o argentino foi tudo que se esperava dele. Suas atuações foram determinantes nos bons momentos da Roma, fazendo bons jogos e conseguindo bons resultados. O problema foi algo que, infelizmente, também é bastante frequente na carreira do habilidoso atacante: o alto número de lesões. No total, foram 18 jogos de ausência por lesão na temporada passada, além de jogos que ele não tinha condições de atuar os 90 minutos, como a final da Liga Europa diante do Sevilla.

Faltou regularidade à Roma na temporada passada, mas não faltou qualidade. O time novamente estará na disputa da Liga Europa e terá que se dividir entre as frentes. O time ainda tem buracos no elenco, como, por exemplo, a falta de um reserva confiável para Tammy Abraham, que começa a temporada lesionado e só deve retornar em janeiro. Andrea Belotti não é visto como um jogador confiável para ser o titular nesse período e é possível que a Roma busque outra solução no mercado. Duván Zapata, por exemplo, é um nome especulado.

O time comandado por José Mourinho começa outra temporada com esperanças. O elenco não é tão forte quanto dos rivais Inter, Napoli, Milan ou Juventus, mas é suficiente para brigar por uma vaga na Champions League, especialmente se algum desses tiver problemas, o que é possível. Além disso, o time olhará novamente com carinho para a Liga Europa para, quem sabe, desta vez ficar com a taça. A temporada passada mostrou que é possível.

Paulo Souza, da Salernitana (Icon Sport)

Salernitana

Estádio: Arechi (29.739 lugares)
Técnico:
Paulo Souza
Posição em 2022/23:
15º
Projeção:
briga contra o rebaixamento
Principais contratações:
Mateusz Legowski (D, Pogon Szczecin), Benoit Costil (G, Lille), Trivante Stewart (A, Mount Pleasant)
Principais saídas:
Tonny Vilhena (M, Panathinaikos), Krzysztof Piatek (A, Basaksehir), Federico Bonazzoli (A, Verona)
Brasileiros no elenco:
Nenhum

A Salernitana conseguiu escapar do rebaixamento mais uma vez, algo que já tinha conseguido a duras penas na temporada anterior. Desta vez, um dos responsáveis por isso foi o técnico Paulo Souza, que chegou durante a temporada, depois do questionável trabalho no Flamengo, e conseguiu melhorar o time e conseguir os pontos necessários para evitar o descenso. Para a temporada 2023/24, o desafio será o mesmo.

Paulo Souza chegou a Salerno em fevereiro e comandou o time em 16 jogos. Foram quatro vitórias, nove empates e três derrotas, o bastante para que a Salernitana terminasse em 15º na tabela, 11 pontos à frente de Verona e Spezia, que duelaram contra o rebaixamento em playoff — o Spezia acabou rebaixado.

Um dos principais jogadores do time foi o atacante Boulaye Dia, que estava emprestado pelo Villarreal e foi contratado em definitivo por €12 milhões, o maior investimento do time no mercado de transferências. Outros jogadores emprestados na temporada passada foram contratados em definitivo, como o zagueiro Lorenzo Pirola e o ponta Antonio Candreva. Além deles, chegou o goleiro Benoit Costil, de 36 anos, que chega do Lille, onde era reserva. Ele será reserva de Guilhermo Ochoa e disputa posição com Luigi Sepe e Vinzenzo Fiorillo.

O mercado foi modesto, além de contratações de jogadores que já estavam por lá. Um nome que surge de forma curiosa é o atacante jamaicano Trivante Stewart, de 23 anos. O jogador atuava pelo Mount Pleasant, da Jamaica, e seu desempenho do jogador em 2022 o fez ser chamado pela primeira vez para a seleção jamaicana. Foram apenas três jogos pelos Reggae Boyz, mas ele entrou no radar do futebol europeu. Nos 66 jogos a liga jamaicana, o jogador marcou 30 gols. Será uma atração interessante para se assistir.

A missão da Salernitana é difícil, mas possível. Diante de uma concorrência que também está com problemas, o time tem a vantagem de ter um técnico que se mantém desde a temporada passada e com a mesma base que sobreviveu na temporada passada.

Andrea Pinamonti, do Sassuolo (Icon Sport)

Sassuolo

Estádio: Mapei Stadium  – Città del Tricolore (21.584 lugares)
Técnico:
Alessio Dionisi
Posição em 2022/23:
13º
Projeção:
meio da tabela
Principais contratações:
Daniel Boloca (M, Frosinone), Luca Lipani (D, Genoa), Cristian Volpato (M, Roma), Samuele Mulattieri (A, Inter), Filippo Missori (D, Roma), Uros Racic (M, Braga), Matías Viña (D, Bournemouth), Mattia Viti (D, Nice), Alessio Cragno (G, Cagliari)
Principais saídas:
Davide Frattesi (M, Inter), Rogério (D, Wolfsburg), Mert Müldür (D, Fenerbahçe)
Brasileiros no elenco:
Matheus Henrique

O Sassuolo é um dos projetos de clube mais bem-sucedidos no futebol italiano. O clube tem por política apostar em jovens e jogadores que estão sem espaço nos grandes clubes italianos, ou mesmo de alguns outros países, e valorizá-los. Tem sido uma prática comum que tem feito muito bem à equipe, que consegue sempre gerar recursos e continuar fazendo a roda de apostas girar. É verdade que nem toda aposta do time vinga, mas o número de acertos tem compensado aqueles que dão errado. Um bom exemplo é Manuel Locatelli, que não teve espaço no Milan, foi para o Sassuolo, se valorizou, chegou à seleção italiana e está na Juventus.

Para a temporada 2023/24, o clube aposta na manutenção de Andrea Pinamonti, jogador de 24 anos, revelado pela Inter, mas que nunca conseguiu ter espaço nos nerazzurri. Os neroverdi apostam alto nele: pagaram €20 milhões à Inter para mantê-lo em definitivo no Mapei Stadium. Foi o maior investimento do clube na janela, mesmo depois de uma temporada que o centroavante não teve grandes números — foram apenas cinco gols em 32 jogos.

Curiosamente, o Sasusolo aposta em outro atacante vindo da Inter para ser reserva de Pinamonti e que brilhou na última edição da Serie B: Samuele Mulattieri. Ele foi o camisa 9 do Frosinone de Fabio Grosso que conseguiu o acesso à Serie A com um pé nas costas. Aos 22 anos, ele tem a chance de tentar explodir nos neroverdi, onde promessas, como ele, costumam ter espaço.

O Frosinone é a origem de outra aposta do Sassuolo: o meio-campista Daniel Boloca, de 24 anos, romeno e que foi um dos titulares que ajudaram a boa campanha. Chega para ser uma boa opção no meio-campo e com potencial para se tornar rapidamente titular e importante. Uma aposta ainda mais jovem é Luca Lipani, de 18 anos, que chega do Genoa, por €8 milhões. Com essas contratações, o Sassuolo tem reposições para a importante saída de Davide Frattesi, que foi para a Inter

Outro que entra na categoria de aposta é Cristian Volpato, formado na base da Roma. Aos 19 anos, o meia ofensivo ficou conhecido por recusar a convocação da Austrália para a Copa do Mundo — ele nasceu em Camperdown, na Austrália, onde também cresceu. Depois de recusar a Austrália, ele foi chamado para a seleção sub-21 da Itália, em novembro de 2022.

A defesa também é um setor com uma boa aposta. Mattia Viti, de 21 anos, chega do Nice, onde passou apenas uma temporada. O jogador foi contratado pelos franceses em 2022 vindo do Empoli, ele teve pouco espaço no time da Ligue 1. Zagueiro alto e canhoto, com boa saída de bola, o Sassuolo o contratou com opção de compra e acredita que ele pode ser tornar um jogador importante no time — e uma boa venda no futuro.

Além das apostas, o Sassuolo aproveitou algumas oportunidades de mercado. Uma delas é a chegada de Matías Viña, lateral esquerdo ex-Roma e ex-Palmeiras, que estava emprestado ao Bournemouth na temporada passada. O uruguaio chega por empréstimo da Roma, com opção de compra. Aos 25 anos, ele segue o perfil do clube: até 25 anos e que ainda não explodiu, mas tem potencial.

É o mesmo caso de Uros Racic, sérvio que chega do Valencia por empréstimo, depois de ter jogado a temporada passada cedido ao Braga. Bom com as duas pernas, alto e com bom poder de marcação e chegada ao ataque, ele chega por um valor baixo, €2,2 milhões, e tem apenas 25 anos. É mais um caso que o Sassuolo encontra uma oportunidade de valorizar um jogador que considera ter potencial.

A contratação do goleiro Alessio Cragno é uma das poucas que foge do perfil do Sassuolo de aposta em jovens. Aos 29 anos, ele se destacou atuando pelo Monza na temporada passada, por empréstimo do Cagliari. O Monza exerceu a opção de compra e o empresta ao Sassuolo, que tem opção de compra. Ele chega para ser o reserva do veterano Andrea Consigli, de 36 anos, e pode assumir a posição em um futuro próximo.

Considerando o número de contratações, é bem possível que o Sassuolo ainda esteja pensando em uma grande venda até o fim da janela de transferências, no dia 1º de setembro. O nome mais possível de sair é Domenico Berardi, que é o capitão e principal jogador do time. O jogador, de 29 anos, é especulado na Juventus e pode ser sua última chance de sair para um time maior. Com o elenco que o time tem, é possível que o alto número de opções no ataque já seja pensando nessa perda.

Seja como for, o Sassuolo deve ser um time divertido de ver, com o seguimento do bom trabalho de Alessio Dionisi, mais um na linha de bons técnicos que passa pelos neroverdi, com um estilo de jogo ofensivo, de troca de passes e que permite o florescimento de bons jogadores. Um estilo, aliás, que se encaixa bem com Matheus Henrique, brasileiro de 25 anos que está por lá, ex-Grêmio, e tem sido um titular constante. É de se esperar que o Sassuolo termine a temporada mais ou menos como na última, no meio da tabela.

Nicola Vlasic, contratado em definitivo pelo Torino (Icon Sport)

Torino

Estádio: Olímpico Grande Torino (28.177 lugares)
Técnico:
Ivan Juric
Posição em 2022/23:
10º
Projeção:
meio da tabela
Principais contratações:
Raoul Bellanova (D, Inter), Adrien Tamèze (M, Verona) e Mihai Popa (G, Voluntari)
Principais saídas:
Wilfried Singo (D, Monaco), Valentino Lazaro (M, Inter), Aleksei Miranchuk (M, Atalanta)
Brasileiros no elenco:
nenhum

O Torino não tem muitas novidades para a temporada e isso tem pontos positivos e negativos. O time comandado por Ivan Juric entregou bons resultados, considerando o elenco que tem, e repetir o 10º lugar parece um bom cenário para a equipe. O elenco dos Granata é melhor do que os times que lutam contra o rebaixamento, mas está muito distante dos times que devem ocupar a parte de cima da tabela. Ficar no meio da tabela é mais ou menos o limite que o time tem, o que significa que o trabalho terá que ser bem feito para evitar riscos.

Entre as boas notícias está a manutenção de seus jogadores de defesa, o principal trunfo da equipe na temporada passada. Assim como em 2022/23, na temporada 2023/24 o time deve atuar com três zagueiros, de forma a proteger bastante a sua área. Ricardo Rodríguez, lateral esquerdo convertido em zagueiro, é o líder do time e veste a braçadeira de capitão. O time tem bons nomes, como o zagueiro Perr Schuurs e Alessandro Buongiorno, zagueiros que compõem a linha defensiva.

No meio-campo, o time tem uma base jovem e de qualidade. Samuele Ricci, 21 anos, tem funções mais defensivas, tendo ao seu lado o ótimo Ivan Ilic, de 22, contratado em definitivo do Verona. O time perdeu o ala direito Wilfried Singo, de 22 anos, vendido ao Monaco. Para o seu lugar chegou Raoul Bellanova, que esteve emprestado à Inter na última temporada. Assim como Singo, é um jogador com características ofensivas, mas que não conseguiu se firmar nos nerazzurri — onde Denzel Dumfries é dono da posição. No Torino, deve ser titular e mostrar o que pode fazer. O time tem um problema do lado esquerdo, com Mërgim Vojvoda atuando por ali. Não há muitas opções e isso pode ser um problema ao longo da temporada.

O setor ofensivo tem Nikola Vlasic, que foi comprado do West Ham e deve seguir como um jogador importante. Ao seu lado, Nemanja Radonjic é inconstante e Simone Verdi pode ser uma opção. A grande aposta do time é Antonio Sanabria, que segue como o principal atacante e o responsável pelos gols no Toro. Um dos problemas da equipe é que o ataque funciona mal no time, com poucos gols e quase só Sanabria levando perigo à meta adversário. Será preciso melhorar isso para conseguir resultados melhores do que os vistos na temporada passada. Uma opção é Pietro Pellegri, centroavante que surgiu bem, mas aos 22 anos, ainda não conseguiu se estabelecer.

Juric sabe que o seu trabalho não é fácil, mas que ao menos escapar do rebaixamento não deve ser tarefa difícil. Para conseguir algo mais, será preciso que o time se encaixe e, principalmente, seja mais eficiente no ataque.

Lorenzo Lucca, da Udinese (Icon Sport)

Udinese

Estádio: Dacia Arena (25.144 lugares)
Técnico:
Andrea Sottil
Posição em 2022/23:
12º
Projeção:
meio da tabela
Principais contratações:
Brenner (A, Cincinnati), Etienne Camara (M, Huddersfield), Lorenzo Lucca (A, Ajax), Jordan Zemura (D, Bournemouth), Oier Zarraga (M, Athletic Bilbao), Domingos Quina (M, Rotherham), Christian Kabasele (D, Watford), Marley Aké (A, Dijon), João Ferreira (D, Watford)
Principais saídas:
Rodrigo Becão (D, Fenerbahçe), Roberto Pereyra (M, sem clube), Destiny Udogie (D. Tottenham)
Brasileiros no elenco:
Walace e Brenner

A Udinese não tem grandes ambições na temporada 2023/24 e se o time conseguir não correr riscos já será o suficiente. Como tem sido habitual, a família Pozzo, dona do clube, faz um grande intercâmbio de jogadores com o Watford, outro clube com os mesmos donos. Assim, muitos jogadores que estava no Watford pintam no clube italiano, seja para cobrir buracos do elenco, seja para dar destino a jogadores que não estão sendo aproveitados.

O time comandado por Andrea Sottil tem algumas saídas significativas. A primeira é o zagueiro Rodrigo Becão, que era capitão do time e foi para o Fenerbahçe. A segunda é de Roberto Pereyra, jogador que se tornou histórico no clube, que deixou a equipe após o fim do seu contrato. Além dos dois, a saída do lateral esquerdo Destiny Udogie, que foi para o Tottenham, é relevante. Quem chega para o seu lugar é Jordan Zemura, do Bournemouth, muito fruto da observação feita na Inglaterra.

Pereyra atuou por vezes como um ala pela direita e quem assumiu esse papel na pré-temporada foi Festy Ebosele, lateral de origem. A defesa não terá muita novidade, com Adam Nahuén Pérez, Jaka Bijol e Adam Masina compondo o setor, como aconteceu em momentos sem Becão na temporada passada.

O meio-campo segue com o brasileiro Walace como um jogador importante e um líder. Sandi Lovric e Oier Zarraga tendem a ser seus companheiros. A dúvida é se Lazar Samardzic fica ou vai para a Inter, como foi especulado em toda janela. O meia sérvio é um jogador importante para dar criatividade e é um jogador de características mais ofensivas, que pode ajudar a mudar o time.

No ataque, Florian Thauvin e Beto são os favoritos a ocuparem os postos de titulares. O português, aliás, é o ponto focal ofensivo do time e devemos ver muitas jogadas em função do camisa 9, que é bom finalizador e tem bom jogo aéreo.

Há, porém, duas novas e boas opções: Brenner, 23 anos,  ex-São Paulo, chega do Cincinnati, dos Estados Unidos, e é uma opção de goleador veloz, que pode inclusive atuar pelos lados do campo ou como segundo atacante, como Thauvin. Outro é Lorenzo Lucca, centroavante que surgiu no Pisa, foi para o Ajax e não conseguiu se destacar. Ele é um centroavante mais típico: 2,01 metro de altura, de presença física e que já mostrou, nos tempos de Pisa, que é bom finalizador. Na sua estreia pelo clube em jogos oficiais, jogou apenas 17 minutos em duelo da Copa da Itália e marcou um belo gol.

A Udinese tem algumas cartas na manga, mas deve ser suficiente apenas para não correr riscos de cair. O que, na atual circunstância, não é algo pequeno.

Djuric (centro) comemora gol do Verona (Icon Sport)

Verona

Estádio: Marcantonio Bentegodi (39.211 lugares)
Técnico:
Marco Baroni
Posição em 2022/23:
18º
Projeção:
Brigar contra o rebaixamento
Principais contratações:
Riccardo Saponara (M, Fiorentina), Jordi Mboula (A, Racing Santander), Federico Bonazzoli (A, Salernitana), Michael Folorunsho (M, Bari)
Principais saídas:
Adrien Treméze (M, Torino), Kevin Lazagna (A. Fatih Karagümrük), Miguel Veloso (M, Pisa)
Brasileiros no elenco:
nenhum

O Verona sobreviveu ao rebaixamento de forma dramática na temporada 2022/23, superando o Spezia no jogo desempate, chamado de spareggio. Os dois times terminaram com a mesma pontuação, 31 pontos depois de 38 jogos. A vitória salvou o time da queda, mas não há muitos motivos para os torcedores dos Gialloblù terem muitas esperanças de dias melhores.

O técnico Marco Baroni foi contratado nesta temporada e chega tendo o mérito de ter salvado o Lecce na temporada passada. Ele substitui Marco Zaffaroni, que dirigiu o time de dezembro de 2022 até o fim da temporada. Antes, Salvatore Bochetti ficou apenas sies jogos após a demissão de Gabriele Cioffi, que começou a temporada. Uma esperança é justamente que o time não tenha tantas mudanças de técnicos, mas isso só será possível se a equipe conseguir não sofrer tanto.

A esperança reside no núcleo duro da equipe. O goleiro Lorenzo Montipò fez uma boa temporada e um bom jogo no spareggio, garantindo a permanência. O lateral Davide Faraoni, é o capitão, líder e uma referência, muito embora quase tenha colocado tudo a perder no jogo contra o Spezia por uma expulsão estúpida. A sua sorte é que o goleiro Montipò o salvou defendendo o pênalti que cometeu e resultou em sua expulsão.

No meio-campo, Darko Lazovic ocupa a posição de principal destaque do time. O sérvio é o sopro de criatividade e, aos 32 anos, precisará mostrar a sua qualidade para garantir pontos que podem ajudar o time a sobreviver mais um ano ao descenso. Pawel Dawidowicz, que pode atuar como zagueiro, jogou como volante no primeiro jogo da temporada para ter uma proteção extra no centro do campo. Ele inclusive marcou um dos gols contra o Ascoli, na Copa da Itália, jogou que abriu a temporada dos Butei.

No ataque, o time tem duas esperanças: o ponta Cyril Ngonge chegou em janeiro na temporada passada e foi fundamental para evitar a queda — isso mesmo dizendo, antes de assinar com o Verona, que não conhecia o clube e não gostava do futebol italiano. Os torcedores nem se importam: ele chegou, jogou e se mantém como destaque.

Milan Djuric, no ataque, é outro que pode ajudar, sendo um dos mais criativos do time, mas precisa ser mais eficiente e marcar mais gols, que fizeram falta na temporada passada — em 30 jogos, ele marcou apenas um gol e deu duas assistências. Suas atuações, de forma geral, foram boas, mas falta instinto matador para aproveitar as oportunidades.

O time contratou alguns reforços que podem ajudar. O principal deles é Riccardo Saponara, que veio da Fiorentina e mostrava qualidade. Deve ser titular do time e pode ser uma arma importante para criar jogadas de ataque.

O Verona contratou também Federico Bonazzoli, que parece um veterano aos 26 anos pelo número de clubes pelos quais já passou. De qualquer forma, é uma opção a mais em um ataque que produziu muito pouco e dependeu de jogadores como Adolfo Gaich, um especialista em tomar decisões erradas — e que fez dois gols em 16 jogos. Ele voltou ao CSKA Moscou, com quem tem contrato.

Entre os motivos para otimismo estão o promissor zagueiro Diego Coppola, de 19 anos. Jogador da seleção sub-20 italiana, ele começou a temporada como titular, no jogo contra o Ascoli pela Copa da Itália. Além dele, o retorno de Martin Hongla, camaronês que estava emprestado ao Valladolid na metade final da temporada passada, é positivo para a equipe. O meio-campista tem qualidade e foi titular na estreia do time na temporada na Copa da Itália.

O atacante Jordi Mboula, que gosta de atuar pelo lado direito, chegou sem custos vindo do Mallorca e foi bem na estreia, com um gol marcado. É uma opção para abastecer o ataque, comandado por Duric, embora deva ser inicialmente reserva.

O Verona tem condições de sofrer menos do que na temporada passada, mas ainda não há indícios que permitam ao torcedor ter confiança nisso. Seja como for, é provável que o time dê emoções fortes aos seus torcedores, que esperam que ao menos o time consiga sem salvar sem precisar do spareggio desta vez. Já seria uma evolução.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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