
Não bastasse a calamidade que o Parma vive, sua situação à beira do abismo se arrasta. O clube passaria por um dia decisivo nesta quinta, quando a falência provavelmente seria declarada. Passaria. Porque, como desgraça pouca é bobagem, os gialloblù enfrentam agora um novo problema: o presidente Giampietro Manenti foi preso. O Ministério Público identificou a participação do empresário em um esquema de lavagem de dinheiro. Além do dirigente, outras 21 pessoas acabaram na cadeia. Por conta disso, a reunião para definir a falência pode ser adiada.
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Manenti teria feito uso de cartões de crédito roubados ou clonados. A fraude teria gerado cerca de € 4,5 milhões. Os promotores afirmam que Manenti poderia ter disfarçado o dinheiro ilegal como receita de patrocínios ou compra de equipamentos. No entanto, o dinheiro não passou pelas contas do Parma, com a fraude descoberta antes que as transações se completassem.
Durante as últimas semanas, a principal reclamação do elenco do Parma se deu contra a falta de compromisso de Manenti. O presidente, que comprou o clube por € 1 em fevereiro, não pagou os salários atrasados dos funcionários, ainda que prometesse o dinheiro – em suspeitas que seria justamente vindo do esquema de lavagem de dinheiro. Durante a compra dos gialloblù, o empresário apresentou garantias financeiras de sua empresa bastante inferiores às que prometia. Também se reuniu com o prefeito de Parma nas últimas semanas, sem chegar a um acordo para salvar o time, sendo hostilizado pelos torcedores após o encontro.
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No início do mês, os outros clubes da Serie A emprestaram € 5 milhões ao Parma, para que o clube possa terminar a temporada. Mesmo assim, os dois jogos do time pela liga acabaram cancelados, por conta das pendências. Nos últimos dias, também surgiu a possibilidade de outro empresário comprar os gialloblù. Ele teria oferecido € 500 mil, mas Manenti só aceitaria vender os seus direitos sobre o clube por € 5 milhões. Alessandro Proto é empresário do ramo imobiliário e financeiro, mas cumpre prisão domiciliar por manipular o mercado com notícias falsas.
Enquanto a confusão se arrasta, os funcionários do Parma não recebem os seus salários há oito meses e o clube acumula € 96 milhões em dívidas. Talvez, Manenti até pudesse salvar a instituição. Mas com o dinheiro fraudulento, que também tornaria os gialloblù parte de sua máquina corrupta. Algo que, aliás, não seria novidade para o próprio clube, falido pela primeira vez em 2004, em meio ao escândalo que quebrou a Parmalat. Enquanto isso, as autoridades políticas italianas e os dirigentes lavam as mãos, em meio a um ciclo de problemas que se repete e que afunda não só o futebol local, mas a própria economia.
Para quem quiser se interar mais sobre o assunto, vale conferir o texto do nosso colunista Nelson Oliveira, no ótimo Quattro Tratti. A primeira parte do dossiê sobre a falência dos clubes italianos aponta as razões para um problema tão profundo, revelando que quase dois terços dos participantes da primeira divisão quebraram ao longo dos últimos 30 anos.



