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Parma precisa vender até bancos dos vestiários para ter dinheiro e deve boicotar rodada

A cada semana, a situação do Parma se torna mais crítica. Beirando a falência, o clube não tem dinheiro para pagar as próprias contas de energia. Ídolo dos gialloblù e atual técnico da base, Hernán Crespo afirmou que os vestiários não possuem água quente. E qualquer oportunidade parece válida para os dirigentes fazerem dinheiro. Nesta semana, três bancos dos vestiários do estádio Ennio Tardini foram vendidos por €2 mil, a fim de atenuar um pouco o caos interno.

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No entanto, não é o ato desesperado que irá resolver a situação do Parma. Jogadores estão sem receber desde o início da temporada. E, apesar da promessa de que poderiam até mesmo pagar os custos da viagem até o Estádio Luigi Ferraris, os atletas deverão boicotar o jogo contra o Genoa, marcado para este final de semana. A recusa acontece diante das garantias nulas dadas pelo presidente Giampiero Manenti.

“Decidimos que não vamos jogar contra o Genoa. Pedimos para que o jogo seja adiado. Não há condições para disputar essa partida. A federação irá tomar as suas medidas, e nós tivemos a nossa decisão em acordo com os jogadores adversários. Esperaremos outra semana para ver o que o presidente fará. O que está acontecendo no Parma é uma situação extraordinária, que necessitam de ações extraordinárias. Esperamos que o reunião com a liga na próxima semana traga alguma esperança”, declarou Alessandro Lucarelli, capitão do time.

Nesta sexta, o prefeito de Parma se reuniu com o presidente do clube para discutir a situação. E a reunião não teve bons resultados. Federico Pizzarotti engrossou o discurso dos atletas, afirmando também que não permitirá a abertura do Estádio Ennio Tardini enquanto não tiver garantias: “Manenti não tem créditos como intermediário. Se é assim que o presidente do Parma age, então iremos fechar o estádio. Os jogadores do clube têm toda a minha solidariedade”. Na última semana, a partida em casa contra a Udinese foi cancelada por falta de dinheiro para pagar os seguranças.

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Manenti, por sua vez, diz que o dinheiro aparecerá na próxima semana, graças a um patrocinador que acerta os últimos detalhes. Na saída da prefeitura, o dirigente precisou ser escoltado pela polícia, diante da fúria dos torcedores. “Se este protesto é sobre a falta de dinheiro, por que só agora está acontecendo? Eles realmente acham que o problema sou eu? Nunca desapareci. Pelo contrário, trabalhei durante toda a semana. O clube não vai desaparecer. Falência não é algo que você pode decidir em dez dias. Nós estamos examinando o problema, temos um plano”, declarou.

Vendido duas vezes por € 1 desde dezembro, o Parma deverá quitar nas próximas semanas € 15 milhões em dívidas, apenas parte de seus débitos totais. Apesar dos problemas, a federação italiana e a Lega Calcio preferem não eliminar o clube da Serie A, evitando a interferência da justiça desportiva nos resultados finais. Enquanto isso, funcionários e torcedores precisam lidar com as incertezas sobre o futuro, sabendo que dificilmente a história terá um final feliz.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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