Serie A

A Inter confirma a chegada de Simone Inzaghi, uma boa aposta dentro das limitações que o clube enfrenta

Depois do rompimento com a Lazio na última semana, o novo treinador foi anunciado pelos interistas com contrato de dois anos

Desde a semana passada, o anúncio de Simone Inzaghi como novo treinador da Internazionale dependia apenas da oficialização. A saída intempestiva da Lazio indicava seu caminho, assim como toda a imprensa italiana já antecipava o acerto do ex-atacante para substituir Antonio Conte. Nesta quinta-feira, então, veio a confirmação. Os nerazzurri asseguraram aquilo que todo mundo já sabia, dando contrato de dois anos ao técnico. Terá uma missão dura, considerando a crise vivida na administração do clube e o patamar atingido nesta temporada. Ainda assim, pega uma equipe competitiva das mãos de Conte.

Os cinco anos como treinador da Lazio mostraram como Simone Inzaghi tem capacidade para dar esse passo. Em todas as temporadas, o técnico conseguiu levar os biancocelesti para as copas europeias. Conquistou também uma edição da Copa da Itália. E seu ápice viria na campanha de 2019/20, quando chegou a brigar pelo título durante um bom tempo, embora a paralisação da Serie A pela pandemia tenha provocado uma queda vertiginosa dos laziali – que ainda assim se classificaram à fase de grupos da Champions League. De qualquer maneira, o ex-atacante construiu bases sólidas o suficiente para ser cotado como um dos melhores comandantes da Itália – mesmo contando com um elenco relativamente limitado.

Na Internazionale, Inzaghi parece encontrar um ambiente favorável para fazer seu trabalho desabrochar. Assume um elenco melhor e deve aplicar um estilo de jogo que não difere tanto do que se via com Antonio Conte. Os ataques verticais e as transições rápidas ainda devem se manter como o plano dos nerazzurri. Até por não representar uma mudança de direção abrupta, Inzaghi parece o ideal para substituir Conte. Passa longe da bagagem e da história vitoriosa de seu antecessor na casamata, mas, considerando as limitações dos interistas neste momento, dá para acreditar que o novato se saia bem.

A questão maior está sobre como a Inter virá para a próxima temporada. Dono do clube, o Grupo Suning está em severa crise e já indicou que não preservará o elenco campeão, diante da necessidade de fazer caixa. Conte saiu por isso, ao não aceitar trabalhar com menos e não querer abrir mão do que tinha construído em dois anos. Inzaghi não sabe exatamente quem ficará. A intenção dos interistas é segurar Romelu Lukaku, o craque da equipe, mas coadjuvantes importantes correm sérios riscos de serem vendidos em breve – como Lautaro Martínez e Achraf Hakimi. Buscar o bicampeonato parece mais difícil que quebrar a hegemonia da Juventus.

Diante do que tinha na Lazio, entretanto, Simone Inzaghi não viu o que perder. Depois de cinco anos, o rendimento da equipe não era o melhor nesta temporada e o desgaste interno existia. O treinador estava infeliz pela forma como sua renovação de contrato foi conduzida pelos biancocelesti. Mas não que ele fosse o único descontente, com o presidente Claudio Lotito se mostrando magoado com a mudança de postura do comandante na última semana. Inzaghi apalavrou sua permanência num dia e, no outro, apontou que não se via mais no Estádio Olímpico – quando recebeu também a proposta da Inter para dobrar seu salário.

A mudança a Milão, de qualquer forma, parece o passo natural a uma carreira que começou muito bem na Lazio. Simone Inzaghi tentará se provar num ambiente que não conhece e onde a pressão é maior. Tentará mostrar como está mesmo entre os melhores treinadores da Serie A e que não depende da relação umbilical com os laziali, desde os tempos de jogador, para causar impacto na competição. Não será simples, dentro das turbulências da Inter e da própria insatisfação de parte dos jogadores com a política de desmanche adotada pelo Grupo Suning. Mas, dentro daquilo que os nerazzurri tinham no mercado, é uma boa aposta.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Bloqueador de anúncios? Aí é falta desleal =/

A Trivela é um site independente, que precisa das receitas dos anúncios. Desligue o seu bloqueador para podermos continuar oferecendo conteúdo de qualidade de graça e mantendo nossas receitas. Considere também nos apoiar pelo link "Apoie" no menu superior. Muito obrigado!