Futebol italiano

Novidades, promessa forte e esquema tático: As primeiras pistas de Roberto Mancini na Itália

De volta à seleção, Mancini fará sua reestreia nesta sexta-feira (25), diante da Bélgica

Roberto Mancini voltou à seleção italiana com pouco tempo para trabalhar e, logo no primeiro treino em Coverciano (Florença), já apresentou algumas das ideias que pretende colocar em prática. Ainda que tenha evitado cravar a formação que utilizará nos quatro compromissos desta Data Fifa, o treinador, segundo a “Gazzetta dello Sport”, iniciou os trabalhos com o 4-3-3 como referência.

A escolha, por enquanto, não representa uma definição, mas oferece uma primeira pista sobre o caminho que a Azzurra pode seguir na estreia da Liga das Nações, contra a Bélgica.

A atividade desta segunda-feira (21) teve forte componente tático. Mancini comandou diretamente o treinamento, enquanto seus auxiliares trabalharam a circulação da bola de um lado para o outro. A movimentação serviu de preparação para um exercício em que todos os jogadores foram envolvidos nas funções sem a posse. A ideia era fazer com que o elenco assimilasse os deslocamentos necessários para manter a organização defensiva independentemente de quem estivesse em campo.

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Antes mesmo de os jogadores iniciarem o trabalho no gramado, Mancini havia realizado uma espécie de aula tática no auditório principal do centro de treinamento. O encontro serviu para apresentar conceitos e movimentos que seriam posteriormente reproduzidos em campo.

A sessão também foi utilizada para observar diferentes combinações. Mancini colocou a linha defensiva diante de uma formação com dois centroavantes, representados por Pio Esposito e Gianluca Scamacca, além de dois jogadores abertos no ataque, Antonio Vergara e Samuele Inácio. O objetivo foi testar as respostas da defesa diante de diferentes movimentações ofensivas e começar a identificar quais jogadores se adaptam melhor às funções exigidas pelo novo modelo.

Lesões mudam o cenário na Itália e abrem espaço para novidades

Federico Dimarco, lesionado, foi cortado da convocação da seleção italiana
Federico Dimarco, lesionado, foi cortado da convocação da seleção italiana (Foto: Domenico Cippitelli / IPA Sport / IMAGO)

As ausências também já interferem nas primeiras escolhas de Mancini. Matteo Ruggeri ainda não havia se juntado ao grupo e chegará posteriormente para ocupar a vaga de Federico Dimarco, lesionado. Com o ala da Internazionale fora dos planos para os próximos compromissos, Calafiori aparece como alternativa para assumir o lado esquerdo da defesa, enquanto Honest Ahanor surge como opção no banco.

No meio-campo, a lesão de Cristante também modificou a composição do elenco. Samuele Ricci é o nome escolhido para ocupar o espaço deixado pelo jogador. São mudanças que obrigam Mancini a encontrar soluções rapidamente, justamente em um momento no qual o treinador ainda tenta entender o grupo que terá à disposição nesta sua segunda passagem pela Azzurra.

A convocação também marca a chegada de rostos novos à seleção. Mohamed Ali Zoma, Issa Doumbia e Alessandro Romano receberam a primeira oportunidade e estão entre os jogadores que despertam atenção neste início de trabalho. A presença deles reforça uma das características da nova etapa de Mancini: a tentativa de ampliar as opções da Itália e conhecer diretamente atletas que podem fazer parte do ciclo dos próximos anos.

— Se eu tivesse convocado jogadores mais velhos, teria havido críticas. Convidei jogadores jovens porque é certo conhecê-los diretamente para ter uma equipe forte no futuro. O futebol evolui, muitas vezes é preciso mudar para alcançar objetivos. Vamos tentar fazer algo bonito e positivo. Vai levar tempo, mas vamos dar o máximo — disse o novo técnico durante coletiva.

Mancini reassumiu o comando depois de a Itália ficar fora da terceira Copa do Mundo consecutiva, cenário que aumentou a necessidade de reconstrução da equipe. O treinador conhece bem o ambiente: foi responsável pela Azzurra entre 2018 e 2023, período no qual conquistou a Eurocopa de 2021 e conduziu a equipe a uma sequência de 37 partidas sem derrota, recorde entre seleções.

Pressa por resultados, mas espaço para reconstrução

Roberto Mancini posa com a camisa da Itália
Roberto Mancini posa com a camisa da Itália (Foto: Alfredo Falcone / LaPresse / IconSport)

Apesar de reconhecer que o trabalho exigirá tempo, Mancini não pretende tratar o novo ciclo como um processo sem cobrança imediata. A primeira oportunidade para medir suas ideias será contra a Bélgica, em casa, na próxima sexta-feira (25), às 15h45 (de Brasília). Depois, a Itália terá dois compromissos fora de seus domínios, diante de Turquia e França, antes de reencontrar os turcos como mandante.

A sequência coloca a seleção diante de adversários relevantes logo no início da nova passagem de Mancini. Itália, França, Bélgica e Turquia formam o Grupo A da Liga das Nações, em uma chave na qual os dois primeiros colocados avançam diretamente às quartas de final. O terceiro colocado terá de disputar um playoff pela permanência na primeira divisão da competição.

Por isso, as primeiras impressões deixadas por Mancini não passam apenas pela escolha da formação tática. O treinador também começa a estabelecer uma hierarquia, observar jovens, lidar com lesões e testar comportamentos defensivos em um intervalo curto.

— Estou certo de que levaremos alguma coisa para casa nos próximos quatro anos. Eu nunca começo para perder. É preciso vencer, e rápido. Estamos otimistas.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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