‘Depois de recusar a Arábia Saudita, pensei: Será que fui um idiota?’
Riccardo Orsolini revela por que preferiu permanecer no Bologna, explica peso emocional da decisão e admite dúvida que o acompanhou após dizer “não” a proposta milionária saudita
Aos 28 anos, Riccardo Orsolini viveu um daqueles momentos que podem redefinir carreiras. Após seis anos e meio defendendo o Bologna, surgiu uma possibilidade concreta de deixar a Itália — algo inédito para um jogador formado, identificado e consolidado no futebol italiano.
A proposta vinha da Arábia Saudita, com cifras capazes de balançar qualquer atleta e de alterar não só os rumos profissionais, mas também toda a estrutura pessoal ao redor.
O atacante, porém, analisou a proposta sob um prisma que foi além das cifras. Avaliou o impacto esportivo de deixar a Serie A e se afastar do ambiente que o moldou, ao mesmo tempo em que mediu o custo pessoal de abrir mão de um clube que virou casa e de uma rotina construída ao longo de quase sete anos. Também pesou a percepção — ainda forte — de que tinha mais a entregar ao campeonato em que se consolidou.
— Não nego que considerei a oferta da Arábia. Seria hipócrita dizer o contrário. Preferi dar espaço à emoção em vez do bolso. Foi uma oferta muito generosa, que poderia ter mudado ainda mais a minha vida, mas pensei um pouco sobre isso. Teria mudado a geração Orsolini. Jogo futebol porque gosto, me diverte e me emociona. Neste momento, senti que ainda podia dar algo às minhas emoções — disse em entrevista ao “Cronache di Spogliatoio”.
No momento em que disse “não”, Orsolini encarou a insegurança natural de quem recusa um contrato milionário. A dúvida sobre ter tomado a decisão certa o acompanhou por algum tempo, até ser substituída pela certeza de que permanecer onde se sente vivo e reconhecido ainda pesa mais do que qualquer transferência internacional.
— Depois de recusar, pensei: ‘Meu Deus, será que fiz bem? Fui um idiota?’. O futebol é diversão, emoção. É assim que vivo o futebol, é isso que o futebol me transmite. Quero me divertir, quero ir para o campo com um sorriso todos os dias, quero rodear-me de pessoas que gostam de mim, que gostam de estar comigo. Para mim, isso é fundamental.
‘Não foi uma escolha difícil’: Orsolini não se arrepende

A permanência na Itália, segundo Orsolini, não teve apenas peso emocional. O camisa 7 reforçou que a decisão também passa por reconhecimento profissional e pelo entendimento de que o Bologna ainda oferece o ambiente competitivo e humano que ele considera essencial para seu rendimento.
Diante desse cenário, a resposta à proposta saudita surgiu com mais naturalidade do que o peso financeiro poderia sugerir. O atacante italiano, ao menos por hora, não se arrepende da negativa.
— Estou há muitos anos em Bolonha porque este ambiente me permitiu ter todas estas coisas aqui. Quando estou bem, reconheço o valor das pessoas e o carinho. Tenho muito respeito por estes códigos de honra. Esta foi a minha escolha. Não foi uma escolha difícil porque eu sabia o que tinha aqui. Espero não me arrepender, mas acho que não — concluiu.
Formado nas categorias de base do Ascoli, Orsolini chegou a ser comprado pela Juventus, mas deixou Turim sem disputar uma partida oficial sequer. Passou rapidamente pela Atalanta, onde teve pouco espaço, até encontrar estabilidade no Bologna, clube que defende desde o início de 2018.
Em maio de 2025, viveu o ponto alto de sua trajetória ao conquistar a Copa Itália — o primeiro grande título do Bologna em 51 anos. Na temporada 2024/25, alcançou ainda sua melhor marca individual, com 15 gols na Serie A e 17 no total, tornando-se o artilheiro da equipe.
Pela seleção italiana, Orsolini estreou em novembro de 2019 e soma 13 jogos e dois tentos.



