Itália

Por onde andam os tetracampeões mundiais da Itália de 2006? Spoiler: muitos viraram técnicos

Dezesseis dos 23 integrantes do elenco tetracampeão mundial quinze anos atrás tiveram alguma experiência com a prancheta na mão

Zidane bateu um pênalti cometido por Materazzi com cavadinha contra Gianluigi Buffon (e quase errou). Materazzi, então, se redimiu e empatou de cabeça. Também com a cabeça, Zidane exigiu uma defesa maravilhosa de Buffon na prorrogação e depois mudou os rumos da final da Copa do Mundo ao acertar o peito de Materazzi. David Trezeguet errou um pênalti, Fabio Grosso acertou um pênalti, Mauro Camoranesi perdeu o cabelo, e a Itália foi tetracampeã do mundo.

LEIA: Há 10 anos, a Itália tornava real o sonho do tetra contra a França na Copa 2006

Ufa. A decisão da Copa de 2006, que completa 15 anos nesta sexta-feira, foi bastante movimentada e faz aniversário em uma data apropriada, a poucos dias de a Itália potencialmente ganhar mais um título. Disputará a final da Eurocopa no próximo domingo contra a Inglaterra em Wembley. A comissão técnica de Roberto Mancini conta com um tetracampeão, Daniele de Rossi, e o incrível é que ele seja o único.

Porque dos 23 jogadores que conquistaram o mundo na Alemanha, 16 vieram alguma experiência como treinadores, nem que seja apenas uma breve passagem por alguma comissão técnica, pelas categorias de base ou pelas divisões inferiores. Conquistaram acessos, conquistaram a Superliga Indiana e alguns até treinaram clubes como Milan, Napoli e Juventus. E esse número pode aumentar porque um daqueles campeões – Buffon – ainda nem se aposentou.

A seguir, por ordem numérica, o paradeiro dos 23 jogadores italianos que sobreviveram àquela epopeia em Berlim para dar à Itália o seu quarto título mundial.

#1 – Gianluigi Buffon

Buffon volta ao Parma (Foto: Divulgação)

Acredite se quiser, ainda está jogando bola. Passou um ano pelo Paris Saint-Germain para experimentar a vida fora da Itália, mas retornou à Juventus, pela qual foi geralmente reserva na última temporada. Depois, promoveu outro retorno, agora para ajudar o Parma a sair da segunda divisão.

#2 – Cristian Zaccardo

Esse teve um fim de carreira curioso – e recente. Fez 15 jogos pela Premier League… de Malta, com a camisa do Hamrun Spartans e depois passou alguns meses no Tre Fiori, de San Marino, em 2019. Isso lhe concede um currículo pouco comum no futebol europeu porque são pouquíssimos jogadores (talvez mais nenhum) que ao mesmo tempo podem de se gabar de ter conquistado a Copa do Mundo e a Copa de San Marino. É atualmente empresário

#3 – Fabio Grosso

Marcado pelo pênalti que deu o título à Itália, Grosso é integrante da longa lista de tetracampeões mundiais que estão tentando a sorte como treinador. E ele está realmente tentando bastante. Seu mais recente trabalho, no Frosinone, substituindo o ex-colega de seleção Alessandro Nesta, será o quinto desde que começou a nova carreira no comando do Bari, em 2017, depois de ganhar experiência na base da Juventus. Também passou por Verona, Brescia (três jogos e menos de um mês) e Sion, da Suíça.

#4 – Daniele De Rossi

A aventura de De Rossi pelo Boca Juniors foi infelizmente muito curta. Em janeiro de 2020, tanto ela quanto a carreira do volante chegaram ao fim. Os planos de se tornar treinador foram imediatamente anunciados e, enquanto estuda para tirar as licenças, os primeiros passos estão sendo dados ao lado de Roberto Mancini, do qual é auxiliar na seleção italiana.

#5 – Fabio Cannavaro

Fabio Cannavaro, técnico do Guangzhou Evergrande (Photo by Buddhika Weerasinghe/Getty Images)

Bom, primeiro que agora ele tem cabelo. E é treinador também. Substituiu o ex-chefe Marcelo Lippi no comando do Guangzhou Evergrande. Perdeu o emprego para Felipão e ganhou experiência no Al-Nassr da Arábia Saudita e no Tianjin Quanjian antes de voltar para terminar o que havia começado. Foi campeão chinês de 2019 e chegou a comandar temporariamente a seleção do país em duas partidas. Segue no comando do Guangzhou Evergrande.

#6 – Andrea Barzagli

Não se aposentou há muito tempo, até porque a coisa começou a ficar realmente boa para ele depois dos 30 anos, quando acertou com a Juventus e ganhou oito vezes a Serie A. Parou de jogar em 2019 e imediatamente tentou a sorte no mundo dos treinadores como um dos assistentes de Maurizio Sarri na Velha Senhora. Em maio do ano passado, anunciou a sua saída da comissão técnica dizendo que havia tomado uma “decisão de estilo de vida”, o que deixa meio em dúvida se realmente abraçará a nova carreira depois de passar um tempo maior com a família.

#7 – Alessandro Del Piero

Foi para o outro lado da bancada. Após anos como comentarista da Sky Sports da Itália, Del Piero foi anunciado em março para compor a equipe do ESPN FC, um programa de estúdio exclusivo da ESPN+ dos Estados Unidos. Saiu da Juventus em 2012 e ainda bateu bola pelo Sydney FC da A-League e pelo Delhi Dynamos da Superliga Indiana.

#8 – Gennaro Gattuso

Gattuso, do Napoli (Foto: Fabrizio Corradetti/La Presse/Imago/One Football)

Esteve à frente dois grandes clubes da Itália e ainda não convenceu que é um grande treinador. Teve altos e baixos tanto no Milan quanto do Napoli, do qual saiu ao fim da última temporada após não conseguir se classificar à Champions League. O próximo passo deveria ser pela Fiorentina, mas rescindiu seu contrato dias depois de ser contratado por divergências com a diretoria que envolveram seu empresário Jorge Mendes. Entrou na lista do Tottenham, chegou a iniciar as conversas, mas o clube acabou recuando após a repercussão negativa com a torcida. Está sem clube no momento.

#9 – Luca Toni

Parou de jogar em 2016, após uma passagem pelo Verona, e recentemente tem participado de coberturas da RAI. Foi um dos comentaristas da Eurocopa na emissora italiana.

#10 – Francesco Totti

Totti, da Roma (Foto: Getty Images)

O fim da carreira de Totti foi uma história de corações partidos. Recebeu poucas oportunidades em sua última temporada sob o comando de Luciano Spalletti e, depois de dois anos como diretor do clube, saiu por não se sentir envolvido nos processos de tomada de decisão. Sentou-se em novembro do ano passado para um café com a nova gestão liderada pelos norte-americanos Dan e Ryan Friedkin para discutir um possível retorno. Enquanto ele não acontece, abriu sua própria empresa de observação e administração de carreiras de jogadores.


#11 – Alberto Gilardino

Treinador. Comandou o Rezzato na quarta divisão e o Pro Vercelli na terceira antes de assinar com o Siena – que declarou falência e teve que recomeçar da Serie D. Foi demitido em janeiro deste ano, apesar de cinco vitórias em nove rodadas e de estar no topo da tabela da Série D. Uma decisão tão estranha – motivada por divergências com a diretoria – que foi revertida em um mês. Gilardino retornou, terminou em quinto lugar, conseguiu vaga nos playoffs do acesso, mas foi derrotado pelo Trastevere nas semifinais.

#12 – Angelo Peruzzi

Teve sua experiência como assistente na seleção italiana, principal e sub-21, e na Sampdoria, mas trocou o terno pela cartola. É diretor da Lazio.

#13 – Alessandro Nesta

Um dos maiores zagueiros da história do futebol italiano parou de jogar pelo Montreal Impact, da Major League Soccer, e teve sua primeira experiência como técnico no futebol norte-americano, no comando do Miami FC, da NASL (segunda liga do país em importância). Brigou pelo acesso à Serie A no comando do Peruggia em 2018/19 e passou quase dois anos no comando do Frosinone, também da segunda divisão, até ser demitido e trocado por Fabio Grosso.

#14 – Marco Amelia

Também treinador. Mas ainda está bem no comecinho. Teve duas experiências na Serie D com o Lupa Roma e o Vastese antes de atender ao chamado do Livorno, clube que mais defendeu como jogador, na terceira divisão.

#15 – Vincenzo Iaquinta

Até queria virar treinador também, mas teve um pequeno empecilho: foi condenado a dois anos de prisão por posse ilegal de armas. A sentença foi confirmada em 2020 e, embora ele tenha recebido liberdade condicional, a associação à poderosa máfia ‘Ndrangheta por meio do pai Giuseppe, definitivamente levada à tona durante o processo, não pega muito bem nas entrevistas de emprego.

#16 – Mauro Camoranesi

Figura fundamental do tetracampeonato não apenas por ter sido titular, mas principalmente por ter motivado os companheiros a conquistarem o título para que pudessem raspar sua cabeça. Retornou à América do Sul para terminar a carreira de jogador e começar a de técnico. Comandou equipes da segunda divisão do México, o Tigre, da Argentina, e tem uma moral surpreendente na Eslovênia, onde já foi treinador do Tabor Sezana e até do Maribor, time dominante do país – foi demitido em fevereiro.

#17 – Simone Barone

Foi levado por Gianluca Zambrotta para ser auxiliar técnico no Delhi Dynamos, da Superliga Indiana, após trabalhar na base do Modena e do Parma. Também passou pelos jovens da Juventus e estava no sub-17 do Sassuolo até aceitar ser o técnico principal do Corregese, da quarta divisão.

#18 – Filippo Inzaghi

Pippo Inzaghi, do Benevento (Foto: Imago / One Football)

Começou comendo o filé: treinou o Milan, naquele momento em que o rossonero estava tentando emplacar todos os ídolos da sua história. Não deu certo e teve que ir roer o osso no comando do Venezia, da terceira divisão italiana. Começou de fato a construir uma carreira sólida como treinador que o levou a conquistar o acesso com o Benevento – e jogando um futebol bem bacana. Não conseguiu manter o clube na elite, porém, e agora está no comando do Brescia.

#19 – Gianluca Zambrotta

Teve sua experiência como treinador na terceira divisão da Suíça e na Superliga Indiana, e foi assistente de Fabio Capello no Jiangsu Suning, mas abriu mão de ser técnico. Nos últimos anos, virou conselheiro da Federação Italiana de Futebol e é um dos embaixadores da Euro 2020.

#20 – Simone Perotta

Diz no Instagram que trabalha pelo “verdadeiro futebol, feito de valores”. É atualmente vice-presidente do Setor Juvenil e Escolar da Federação Italiana.

#21 – Andrea Pirlo

Andrea Pirlo, da Juventus (Giuliano Marchisciano / OnePlusNine / Insidefoto / Imago / OneFootball)

Deveria ter tido um ano tranquilo nas categorias de base da Juventus, mas foi precocemente promovido ao time titular para substituir Maurizio Sarri. Perdeu o scudetto e quase dobrou o desastre ao correr risco de ficar fora da próxima Champions League. Saiu para dar lugar ao retorno de Massimiliano Allegri. De todos os tetracampeões que se tornaram treinadores, é o que fica melhor de terno.

#22 – Massimo Oddo

Começou bem a carreira de técnico levando o Pescara à elite do Campeonato Italiano. Mas depois… foi demitido da Udinese com 11 derrotas seguidas. Durou pouco no Crotone e fez uma temporada pelo Peruggia (embora tenha sido mandado embora e recontratado no meio do caminho). O último trabalho, entre agosto e novembro do ano passado, foi novamente no Pescara.


#23 – Marco Materazzi

Foi até muito bem como zagueiro-treinador (mais treinador que zagueiro) do Chennaiyin durante três temporadas da Superliga Indiana e chegou a conquistar a edição de 2015. Pelo jeito não curtiu muito a experiência porque ainda não teve outro trampo com a prancheta na mão.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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