Itália

Iaquinta é condenado à prisão por posse ilegal de armas em processo relacionado à máfia

Ser campeão do mundo é um título para poucos e Vincenzo Iaquinta é um dos que pode se orgulhar disso. O ex-jogador italiano fez uma boa carreira na Serie A, com uma passagem de sete anos pela Udinese, antes de defender a ainda mais tradicional e pesada Juventus, onde passou mais seis anos. Esteve na Azzurra campeã mundial em 2006. E foi condenado por dois anos por posse ilegal de armas, como parte de um julgamento da máfia italiana.

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O processo contra Iaquinta não é novo. Ele foi indiciado em dezembro de 2015 por posse ilegal de armas, além de intenção de ajudar a ‘Ndrangheta, máfia calabresa. O promotor que o indiciou pediu pena de seis anos. O seu pai, Giuseppe Iaquinta, foi condenado a 19 anos de prisão por colaboração com o grupo criminoso. No julgamento, o ex-jogador foi considerado culpado pela posse ilegal de armas, mas foi inocentado de colaboração com a máfia.

Iaquinta tinha em sua posse de um revólver Smith & Wesson 357 magnum, uma arma 7.65 Browning Kel-tec e 126 balas. O ex-jogador explicou às autoridades que ele mantinha as armas em casa, mas então elas foram repassadas ao seu pai, proibido de ter posse de armas desde 2012 por associação com pessoas ligadas à ‘Ndrangheta.

Pouco antes de se transferir para a Juventus, em 2007, o atacante passou as armas para a posse de pai. Na época, Giuseppe Iaquinta não ficaria proibido de ter posse de armas, como ficaria a partir de 2012. Porém, Iaquinta não informou as autoridades sobre a transferência da posse da arma, como é exigido por lei. Assim, seu pai continuou tendo acesso a uma arma, mesmo depois de ser impedido pela justiça de ter acesso legal.

“Eu sou uma pessoa famosa”, afirmou o jogador em seu julgamento, em maio. “Eu comprei as armas para o futuro, mais do que qualquer coisa, quando eu parasse de jogar. Eu gostava de ir para a estação de tiro quando eu estava em casa”, continuou o ex-jogador, tentando explicar a sua situação.

Foram atribuídas sentenças a 148 réus depois de duas semanas de deliberação. Iaquinta, porém, não irá para a cadeia, mesmo condenado, porque a decisão é em primeira instância e o seu crime é considerado menor. O seu pai, porém, deve ficar preso, no mínimo em prisão domiciliar, por crimes mais graves de associação com a máfia.

Iaquinta, que se aposentou em 2013, aos 34 anos, se planejava para ser treinador. Só que o processo em 2015 impediu que ele seguisse com o seu projeto. Até conseguiu tirar a sua licença da Uefa em 2016, mas os problemas com a justiça eram graves demais para se dedicar a isso. No processo movido contra o jogador e o pai, membros da ‘Ndrangheta presos contaram que a família do jogador recebia benefícios, inclusive para pressionar funcionários de Udinese e Juventus para que o jogador atuasse.

A sentença por posse ilegal de armas pode ser pequena, mas a associação do seu pai à máfia, com a condenação de 19 anos de prisão, certamente causa problemas para o ex-jogador seguir com o sonho de ser treinador e seguir no futebol. Até porque, convenhamos, que clube teria coragem de dar um emprego ao campeão do mundo de 2006 com esse problema?

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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