Itália

Como Napoli e Roma usam a mesma formação de formas diferentes para se destacar na Itália

Antonio Conte e Gian Piero Gasperini usam o mesmo 3-4-2-1 e dominam o futebol italiano, mas com estilos e propostas diferentes

Napoli e Roma se enfrentarão neste domingo (15), às 16h45, pela 25ª rodada da Serie A. O clássico marca mais um encontro entre dois dos técnicos mais influentes do futebol italiano: Antonio Conte e Gian Piero Gasperini.

Conte é multicampeão com Juventus, Inter de Milão e, na última temporada, com os napolitanos. Gasperini é colocado como um dos técnicos mais “românticos” e com estilo ousado e ofensivo da liga. E, curiosamente, ambos usam a mesma formação.

O 3-4-2-1 usado por Conte já teve fama de retranqueiro, enquanto a mesma disposição com o técnico romanista é tida como agressiva e bonita de se ver. Por quê?

O Napoli levou Conte a várias mudanças

Mesmo sendo um técnico de extremo sucesso, Conte nunca foi visto como sinônimo de um jogo de controle, domínio com a posse e Jogo de Posição. Mas é inegável que seu Napoli atual é um time que flerta mais com essa ideia.

Antonio Conte, técnico do Napoli
Antonio Conte, técnico do Napoli (Foto: Imago)

Na atual temporada, seus 58% de posse de bola já são superiores aos 54% do ano passado, quando foi campeão. E a forma como constrói em seu 3-4-2-1 reflete isso. Dividindo o campo em três terços tradicionais, a ideia principal é:

  • No tiro de meta, criar uma saída em 5-2 no primeiro terço, com o goleiro no meio de dois zagueiros, mais dois jogadores abertos nas laterais e dois volantes como apoios centrais;
  • O foco é atrair pressão para perto do próprio gol e apostar na vantagem numérica que sete jogadores nesse setor promovem para criar espaços no segundo terço;
  • Durante a construção, o goleiro é bastante usado e também é comum que o time crie um quadrado no meio-campo, em forma de 3-2-2, para que haja ligação facilitada com os terços ofensivos.

No entanto, mesmo que a ideia inicial da construção seja progredir por baixo, caso não consiga, o Napoli é um time confortável em sair longo. Principalmente porque a formação coloca um centroavante alto para duelos aéreos e dois pontas que fecham pelo meio.

Com Lukaku ou Hojlund, lançamentos para o ataque têm boas chances de gerar uma segunda bola para a equipe de Conte atacar rápido e “cortar caminho”. E mesmo que a construção saia pelo chão, a última linha geralmente empurra a defesa para trás, com um atacante perigoso fisicamente e pontas rápidos para receberem pelas costas. Isso promove espaço entrelinhas para progredir.

Esse espaço criado entrelinhas é crucial para o jogo do Napoli. Principalmente porque há fluidez para pontas e meias atacarem esse espaço vazio e ocuparem outras posições, mesmo que estejam longe da sua original.

McTominay, por exemplo, ganhou grande destaque com essa função. De segundo volante no Manchester United a um meia que ataca espaços e entra na área, se torna outra ameaça para o Napoli criar pelo lado e procurar cruzamentos com dois jogadores altos e perigosos no ar.

Os zagueiros também são importantes para Conte, tanto defensivamente quanto ofensivamente, e precisam ser móveis. Isso se dá por dois principais motivos:

  • Em construção, se o Napoli não consegue criar superioridade numérica e encontrar o entrelinhas, um dos defensores avança para puxar a marcação ou ser opção de passe livre à frente;
  • Em fase defensiva, os atacantes e meias pressionam alto. Para não deixar espaços entrelinhas, os zagueiros podem deixar suas posições para fechar essa região e impedir que haja progressão rápida por baixo.

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A Roma de Gasperini se tornou uma máquina de solidez

Com grande trabalho na Atalanta, Gasperini ficou conhecido pela forma feroz de pressionar individualmente por todo o campo e na intensidade para atacar com velocidade. No entanto, sua Roma com uma das melhores defesas da Europa gerou curiosidade.

As mudanças se dão desde a forma de construir. Durante a primeira fase, os volantes recuam e o 3-4-2-1 forma uma linha de cinco — isso faz os zagueiros abrirem mais para os lados e gera opções de passe que antes não existiam.

Enquanto isso, os alas avançam e a linha ofensiva é “empurrada”, criando muitas vezes um meio vazio proposital para ser atacado sem marcação. Mas também há a vantagem numérica pela lateral que é criada ao tirar jogadores do meio: ambos os lados terão grande capacidade de avançar com tabelas e infiltrações.

Gasperini, técnico da Roma
Gasperini, técnico da Roma (Foto: Imago)

Defensivamente, a pressão alta e individual dos trabalhos anteriores de Gasperini segue em alta. Os jogadores da Roma têm seus opositores bem definidos e os perseguirão durante todo o campo.

Sua pressão feroz faz da Roma o segundo time com menos passes por ação defensiva (PPDA) da Serie A, atrás apenas do Como. Isso é um indicativo de que o oponente troca poucos passes antes de um romanista tentar roubar a bola.

Um dos motivos para o sucesso defensivo é o fato de Cristante ser o xerife da equipe: em fase defensiva, geralmente ele é o responsável por marcar o principal armador adversário, independentemente de onde esteja. Isso impede que o principal jogador da construção adversária seja anulado e receba menos a bola, uma vez que está sempre marcado.

A pressão sufocante tem sido o principal ponto de sucesso nas defesas italianas. O Como, outra equipe de destaque nesse sentido, tem a segunda melhor defesa da Serie A (16 gols sofridos). A líder é a Roma: apenas 14 gols sofridos em 24 jogos.

De um lado, um treinador antes conhecido como retranqueiro mudou seu estilo para algo que poderia facilmente ser visto em um time de Pep Guardiola. Do outro, um romântico que transformou o estilo “maluco” e agressivo em uma das melhores defesas da Itália. E dois especialistas em um 3-4-2-1 tão versátil que domina a Itália.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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