Como Fabregas levou o Como às cabeças na Itália com ‘loucuras’ modernas e jogando para o camisa 10
Ex-meia tem levado joia argentina ao estrelato com modelo de jogo fluido e com foco claro no seu camisa 10
Cesc Fabregas foi um dos grandes meias do futebol mundial na virada dos anos 2000. Como jogador, o espanhol fez parte do time sem atacantes do Barcelona de Pep Guardiola e da Espanha campeã consecutiva de Euro e Copa do Mundo. Agora, leva essa bagagem à vida de treinador.
No comando do Como, Fabregas comandou a equipe para a elite do futebol italiano e, na temporada seguinte, se manteve tranquilamente na Serie A. Na atual temporada, briga nas cabeças e é o time que menos perdeu no campeonato — apenas uma vez.
Com apenas 38 anos, o ex-meia tem sido ainda mais ousado. Agora, o Como joga com grandes trocas de posições, mudança de estrutura durante o jogo e alterna entre momentos de pressão sufocante e defesa baixa e compacta. E isso faz do time italiano um dos mais interessantes de toda a Europa.
As rotações e ousadias do Como de Fabregas
Fabregas leva a campo uma equipe em um 4-2-3-1 tradicional: volantes com boa capacidade de construir e defender, pontas com boa capacidade de drible, um camisa 10 criativo e um centroavante “clássico”.
As mudanças começam a aparecer já na primeira fase de construção. No Como, os volantes descem para a linha de defesa e os zagueiros abrem, empurrando os laterais para frente. O principal motivo disso é para abrir o campo e arrastar marcadores.
Os pontas, por sua vez, avançam mais e o centroavante se mantém no limite dos zagueiros. Todo esse esquema abre espaço no meio-campo, para onde a bola deve ir — e onde Nico Paz pode brilhar.

Com os volantes puxando a pressão e Álvaro Morata, o centroavante, fixando os zagueiros, Paz geralmente tem muito espaço para aproveitar atrás da primeira onda de pressão adversária. E o Como busca passes de ruptura para o seu camisa 10 com frequência.
A ideia de trazer os volantes para a posição dos zagueiros também tem implicações técnicas: Lucas Da Cunha, Máximo Perrone e Maxence Caqueret, os principais volantes do time, têm mais qualidade no passe e visão de jogo para encontrar o meia à frente.
Quando não há ângulo para esse passe direto, o Como ainda tem opções de ligação direta. Morata é uma saída óbvia: um centroavante alto, dominante como pivô e que pode rapidamente reciclar a posse para Paz vindo de trás. Mas também há a opção de diagonais longas para os pontas, que estão mais avançados, fazerem o mesmo movimento.
A ideia principal, no entanto, é abrir o campo. Segundo a Opta, 56,7% dos passes do time de Fabregas são para os lados — apenas a Inter de Milão (58,3%) joga mais pela lateral. O que faz todo o sentido com o modelo de jogo, no entanto, é que o Como cruza pouco: é apenas o 15º na liga. O objetivo de abrir o campo é para encontrar espaço no meio.
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Como Fabregas montou o time para Nico Paz brilhar
O principal nome do Como é Nico Paz. A joia argentina de 21 anos deixou o Real Madrid na última temporada e rapidamente ganhou destaque sob o comando de Fabregas. Agora, o técnico tem um modelo de jogo que foca nas habilidades do seu camisa 10.
Nico’s signature move 🍬💙#nicopaz #argentina #como1907 pic.twitter.com/8uSW1LgpM9
— Como1907 (@Como_1907) November 11, 2025
Paz é um dos principais meias criativos da Europa. Alto, habilidoso e bom finalizador, o argentino participou de nove gols em 12 rodadas da Série A e tem números excelentes em 2025/26. Segundo dados da “Opta”, entre meias das cinco grandes ligas, Paz é superior a:
- 95% dos jogadores em finalizações;
- 93% em gols marcados;
- 92% em dribles tentados;
- 90% em chances criadas.
Tudo isso sem tocar tanto na bola quando outros meias (abaixo de 27% da comparação) e ainda menos toques na área adversária — está abaixo de 42% dos outros meias nesse quesito.
Isso acontece porque o Como prioriza sua joia na construção, mas o contrário também é verdade: é justamente por essa produção que ele é o foco. Tanto em saídas curtas quanto longas. E todo o modelo feito para Paz ter espaço pelo meio é representado nos números: a maior parte das suas 28 chances criadas na Serie A vieram de regiões centrais.

E quando consegue progredir ao ataque, a equipe segue procurando seu camisa 10 — e há um padrão claro de conexão de Paz com Morata. Quando o espanhol desce para receber como pivô, o argentino ataca suas costas para receber mais perto da área. A dupla sempre busca ficar próxima, para progredir curto, ou fazer contramovimentos para que o espaço gerado por um seja aproveitado pelo outro.
Mais do que um time para Paz
Mesmo que o jovem argentino seja o foco do time, nenhuma equipe de alto nível se sustenta com apenas um jogador principal. Fabregas se apoia em Paz para também criar oportunidades para os demais, principalmente os pontas.
A proximidade de Paz e Morata para tentar levar a bola ao camisa 10 também é usada de outra forma: com a dupla recuando para ficar perto da construção, geralmente dois marcadores os acompanham e acabam liberando espaço para os pontas atacarem às suas costas. E nomes como Jayden Addai e Jesús Rodriguez aproveitam seu posicionamento naturalmente alto para correr em diagonal, para o meio do campo.

Os laterais também têm diferentes funções e podem acabar em diversos lugares do campo nas rotações quase que de “futebol total” de Fabregas. Incialmente são eles quem dão amplitude e empurram defensores para liberar espaço para os volantes criarem.
No entanto, eles também podem ajudar na primeira fase de construção recuando para ser opção de passe curto e puxando um opositor. Isso libera mais espaço no meio para Paz ou para o ponta daquele lado. E também têm liberdade para fazer corridas “fora-dentro”, um movimento difícil de ser marcado pela necessidade de um timing perfeito para acompanhar.
Uma das defesas mais agressivas da Europa
O Como sofreu apenas sete gols na Serie A até o momento. Em todas as cinco grandes ligas, somente Roma e Arsenal, ambos com seis gols sofridos, têm uma defesa melhor.
Isso se dá principalmente pela pressão alta e agressiva — que, inclusive, é a mais feroz de toda a Europa. O Como é o time com o menor número de passes por ação defensiva entre as cinco grandes ligas: permite que apenas oito passes sejam trocados antes de tentar roubar a bola. Quem chega perto é o Paris Saint-Germain (8,2).

A pressão do Como é orientada individualmente e procura fazer o oponente levar a bola à lateral ou de volta ao goleiro. E uma vez que o adversário caiu na armadilha, os jogadores não vêm problema em desgrudar do seu marcador para ajudar a pressionar a bola.
O sistema de pressão pós-perda agressivo também é uma forma de criar chances rapidamente e pegar o adversário desprotegido — um dos pilares do sistema defensivo de Fabregas.
Ainda assim, mesmo quando não rouba a bola imediatamente, o Como sabe se manter compacto e defender baixo. No entanto, a mesma agressividade continua quando está na sua própria área: a equipe vai tentar roubar a bola de forma agressiva o quanto antes.
Fabregas montou um time muito sólido defensivamente, que rouba a bola o quanto antes e tem a maior posse de bola da Serie A. Um goleiro com muita coragem na distribuição, trocas de posição para construir e criar espaço para seu camisa 10 habilidoso. Com tática rebuscada e ousada, o ex-meia tem dado orgulho a seus antigos treinadores em seu trabalho na Itália.



