Itália

Juventus tem prejuízo de € 209,9 milhões na temporada 2020/21 e segue defendendo a Superliga Europeia

Pandemia da COVID-19 afetou significativamente a Juventus, que já tinha problemas financeiros; clube defende “legitimidade” da Superliga Europeia

A Juventus teve um prejuízo de € 209,9 milhões na temporada 2020/21, segundo divulgado nesta sexta-feira, o que significa o dobro do que foi reportado no ano anterior. Em 2019/20, o prejuízo foi de € 89,7 milhões, um aumento de 134%. É o maior prejuízo registrado pelo clube na história, tendo como principal causa da pandemia de coronavírus, segundo o relatório divulgado pelos bianconeri. O prejuízo foi coberto com reservas que o clube tinha em caixa, graças a aporte de

“Para interpretação correta das informações, deve ser notado que o ano fiscal de 2020/21 foi significativamente afetado – como para todas as empresas do setor – pela pandemia da Covid-19 e as consequentes medidas de restrição impostas pelas autoridades”, afirma o balanço da Juve.

“A pandemia afetou significativamente, direta e indiretamente, as receitas de bilheteria, receitas de vendas de produtos e licenças e receitas de transferências de jogadores, com consequente e inevitável impacto negativo tanto na economia e na natureza financeira no resultado do período e no patrimônio líquido, e na natureza financeira do fluxo de caixa e dívida”, continua o documento.

“Esses efeitos negativos foram parcialmente cobertos por maiores receitas de direitos de transmissão de televisão e rádio, devido ao adiamento em relação ao ano anterior de algumas partidas nacionais e internacionais por causa da pandemia”.

“Em detalhe, a maior perda foi por queda nas receitas de € 92,7 milhões como consequência tanto de efeito diretamente causados por efeitos da pandemia na bilheteria e venda de produtos, licenciamento e similares (€ 47,9 milhões no total), assim como na queda de venda de jogadores (€ 128 milhões); esses efeitos negativos foram parcialmente compensados por receitas maiores de direitos de televisão e rádio (€ 68,9 milhões, dos quais € 63 milhões relativos ao maior número de partidas disputadas no período em questão)”, explica o documento.

“Os custos operacionais aumentaram em € 35,2 milhões, principalmente por causa de maiores despesas em pessoas, pagos integralmente e regularmente no período de referência; a mudança é pelo fato deste item ter sido beneficiado no ano anterior por custos menores por negociações individuais com os funcionários no contexto da pandemia”.

Empréstimos e aporte de capital da Exor

Há um outro aspecto importante relatado pela Juventus: empréstimos bancários. “Em 20 de junho de 2021, o grupo teve linha de crédito bancário de € 573,1 milhões, dos quais € 335,9 milhões não foram utilizados”, diz o documento.

Além da linha de crédito bancária, a Juventus aprovou o aumento de capital do grupo que é acionista majoritário. Foi aprovado um aporte de € 400 milhões, que ainda está sob escrutínio das autoridades e deve ser finalizado até o fim do ano.

Segundo o relatório, a ideia é que esse aumento de capital ajude a cobrir os problemas relativos à pandemia e seus impactos nos resultados financeiros do clube. Os objetivos descritos são “consolidar o equilíbrio econômico e financeiro, manter a competitividade esportiva e aumentar a visibilidade da marca da Juventus”.

Previsão de novo prejuízo

O relatório da Velha Senhora ainda aponta que a previsão é que termine a temporada 2021/11 com um “prejuízo significativo”. O ano ainda será fortemente afetado pela pandemia, já que há diversas restrições, especialmente no que diz respeito ao estádio e à presença de público. “É esperado que o desempenho financeiro do grupo melhore significativamente começando do ano financeiro de 2022/23”, diz o comunicado.

A Juventus faz parte do grupo Exor, que tem, entre outras empresas mais famosas, a Fiat, Ferrari e a Jeep. O grupo é controlado pela família Agnelli e a Juventus é presidida por Andrea Agnelli.

As perdas foram significativas no clube, o que fez com que a saída de Cristiano Ronaldo para o Manchester United tenha significado um grande alívio, ao menos do ponto de vista financeiro. Dentro de campo, Ronaldo teve sucesso individualmente, mas o projeto esportivo falho do clube não permitiu que o seu impacto levasse a voos mais altos.

Juventus defende a Superliga

Um dos pontos que o relatório financeiro da Juventus toca é a Superliga. A iniciativa foi da criação ao colapso em 48 horas em abril. Além da Juventus, outros 11 clubes fizeram parte da iniciativa, mas pouco a pouco eles foram desistindo. Só três deles continuam comprometidos com a ideia: a própria Juventus, o Real Madrid e o Barcelona. Não por acaso, três clubes em crise financeira, apesar de serem gigantes de arrecadação. Os três clubes também continuam fora da Associação Europeia de Clubes (ECA).

“No dia 19 de abril de 2021, a Juventus anunciou a execução de um acordo com outros 11 clubes europeus para a criação da Superliga, uma nova competição europeia de futebol, alternativa às competições da Uefa, mas não às ligas nacionais”, diz o comunicado da Juve.

“A competição seria organizada e gerida pela ESLC (European Super League Company SL), da qual cada clube fundador teria a mesma participação e direitos, então todo o projeto da Superliga pertence exclusivamente aos clubes e não de terceiros, criando assim uma sobreposição entre aqueles que assumem o risco do negócio e aqueles que administram os direitos televisivos e radiofônicos relativos às competições esportivas”, afirma ainda a Juventus no comunicado.

“Como está hoje, não é possível prever com certeza qual será o resultado e o desenvolvimento futuro do projeto da Superliga, que tem uma legitimidade da qual a Juventus permanece confiante”, conclui o documento.

É importante lembrar que a ideia da Superliga Europeia é muito defendida por Andrea Agnelli e o seu fracasso foi uma derrota pessoal para ele também. Não apenas no campo das ideias, mas também em termos de poder dentro da Exor. Houve muita pressão para que ele renunciasse ao cargo de presidente do clube e uma mudança chegou a ser cogitada. Defender o projeto, mesmo com ele fracassado, é uma forma também de Andrea Agnelli dizer que não é um erro.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo