‘Sistema tóxico. Vi coisas indignas’: Ex-base do Milan liga vexame da Itália a bastidores obscuros
Atacante de 21 anos associou terceira ausência seguida da Azzurra em Copas a ambiente marcado por favorecimentos e distorções
A eliminação da Itália para a Bósnia, na repescagem para a Copa do Mundo de 2026, não expôs somente mais um fracasso esportivo. Para além do campo, o tropeço reacendeu críticas antigas sobre a estrutura do futebol italiano — e uma delas veio de dentro.
A queda para os bósnios confirmou a terceira ausência consecutiva da Itália em Mundiais, aprofundando uma crise que já deixou de ser circunstancial e passou a parecer sistêmica.
Ex-jogador das categorias de base do Milan, Federico Mangiameli aproveitou o novo colapso da Azzurra para fazer um duro desabafo nas redes sociais, associando a derrocada da seleção italiana a um ambiente que classificou como “tóxico” e “repugnante”.
Hoje com 21 anos e longe do circuito principal, Mangiameli passou pelas bases de Milan, Bologna e Torino antes de seguir para o modesto Club Milano (amador). O atacante, que também representou a seleção italiana sub-15, usou sua trajetória no futebol de formação para sustentar um ataque frontal aos bastidores do esporte no país.
Em vez de tratar a eliminação como um acidente de percurso, ele sugeriu que o vexame da seleção é, na verdade, reflexo direto de práticas que, segundo ele, estão naturalizadas no dia a dia do futebol italiano.
— Por um lado, me sinto frustrado; por outro, me sinto feliz. Só quem já viveu neste mundo sabe o quão repugnante é realmente o que se passa nos bastidores. Agentes que empurram os seus jogadores das divisões inferiores para a Serie C com envelopes de 50 mil euros, equipes da Serie A e equipes de base compostas apenas por jogadores estrangeiros com salários exorbitantes, ou treinadores que nem sequer podiam decidir a sua escalação inicial — escreveu.
🗣️ Jogador da base do Milan até os 19 anos, o atacante Federico Mangiameli (21) 🇮🇹, hoje no amador Club Milano, relacionou, em seu Instagram, o fracasso da seleção italiana aos bastidores obscuros do futebol italiano:
"Por um lado, sinto-me frustrado; por outro, sinto-me feliz.… pic.twitter.com/N9kVbaYpKt
— AC Milan Brasil (@ACMilan_Brasil) April 1, 2026
Ataque ao sistema em meio ao colapso da Itália
A força do desabafo de Mangiameli está justamente no momento em que ele aparece. A Itália não apenas perdeu a vaga na Copa: ela reforçou a imagem de uma potência histórica incapaz de se reorganizar mesmo após sucessivos alertas. A tetracampeã mundial agora soma três fracassos seguidos em qualificações, algo impensável há poucos anos e devastador para um país que sempre se entendeu como protagonista do futebol europeu.
Nesse cenário, a fala do ex-Milan ganha tração por tocar em um ponto sensível: a percepção de que o problema vai muito além de uma geração ruim ou de um técnico pressionado. Mangiameli também relatou episódios de desumanização e favorecimento, ampliando a crítica para o comportamento de dirigentes e a lógica que, segundo ele, rege o ambiente
— Testemunhei coisas indignas relacionadas ao dinheiro e vi colegas de equipe serem tratados de forma horrível por dirigentes. Tudo isto faz parte do sistema do futebol italiano. Um sistema tóxico que, felizmente, deixei para trás há algum tempo.
— Ao contrário de outros esportes, tornou-se algo que não deve ser tomado como exemplo: pessoas que falsificam coisas, favorecimentos, indivíduos ignorantes e mal-educados que fariam qualquer coisa por uns trocados. E tudo isto é o resultado — concluiu.
Ainda que as declarações partam de alguém que não se firmou na elite, elas ajudam a compor o retrato de um futebol que, há algum tempo, parece falhar naquilo que deveria sustentar sua reconstrução: a formação, a meritocracia e a credibilidade do processo.
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A última participação da Itália em uma Copa do Mundo foi em 2014, no Brasil. Na ocasião, a Azzurra se despediu ainda na fase de grupos, encerrando a campanha com apenas três pontos em nove possíveis. A equipe estreou com vitória sobre a Inglaterra, mas acabou derrotada por Costa Rica e Uruguai, em uma eliminação precoce que, hoje, soa como o início de uma queda mais profunda.
Tetracampeã mundial, com títulos conquistados em 1934, 1938, 1982 e 2006, a seleção italiana também esteve perto de ampliar sua galeria em outras duas oportunidades. Vice em 1970 e 1994, a seleção acabou superada pelo Brasil nas duas decisões: primeiro por 4 a 1, no México, e depois nos pênaltis, nos Estados Unidos, após empate sem gols no tempo normal.