Itália

Fabio Capello: “Até os 12 anos, pelo menos, o futebol tem que ser jogador por diversão”

Ex-treinador comentou sobre as categorias de base, deu a sua visão sobre gestão de futebol e ironizou o fato de nunca ter sido chamado para falar na escola de treinadores da Itália

O ex-técnico Fabio Capello esteve no evento “Il Calcio che l’Italia deserves” (“O futebol que a Itália merece”, em tradução livre), organizado pelo Corriere dello Sport, e criticou a ideia de formar ideias táticas em crianças. O ex-treinador de Juventus e Roma ainda comentou sobre gestão de futebol, o VAR e ironizou nunca ter chamado para falar na escola de treinadores da Itália, em Coverciano. Capello teve muitos trabalhos marcantes, entre eles o título invicto da Serie A com o Milan, em 1992.

“Eu acho que neste momento temos que ter uma visão internacional das coisas, tentar encontrar os melhores onde eles estão conseguindo resultados, acima de tudo dar grande atenção à fase esportiva. Na fase esportiva, eu falo do campo, os resultados vêm das categorias de base, junto com uma direção que tenha uma visão internacional e ideias inovadoras. Na minha opinião, estamos um pouco atrás: só olhamos para nosso próprio jardim. Devemos tentar encontrar o lado positivo das críticas”, disse Capello.

Capello ainda foi irônico quando perguntaram se ele já tinha sido convidado a falar em Coverciano, centro de treinamento da seleção italiana e onde são dados os cursos de formação de treinadores. “Nunca. Parece que tenho pouca experiência internacional e pouca coisa a ensinar. Tendo trabalhado cinco anos em categorias de base, tendo treinado diversos times, eu tenho pouco a falar”, disse Capello.

“Eu sei que jovens treinadores são convidados e estou feliz com o que aconteceu comigo na escola de Coverciano. Talvez eu não seja de um certo partido. E pensar que fui eu que levei a escola para Milão. No outro dia, eu fui para uma conferência com técnicos na Lombardia: um deles disse que as maiores melhorias acontecem entre quatro e seis anos de idade. Do que estamos falando? Até os 12 anos, pelo menos, o futebol tem que ser jogador por diversão. Precisamos nos divertir, depois veremos”, disse o ex-treinador, que já tinha feito uma crítica similar em abril ao dizer que na Itália se priorizava a parte tática nas categorias de base, e não a parte técnica.

Um dos pontos que o treinador comentou foi sobre o árbitro de vídeo, o VAR. “VAR, para mim, raramente deveria intervir, apenas quando o árbitro comete um erro sério e eu colocaria alguém que jogou futebol e sabe o que isso significa. Na minha opinião, na Itália se apita com muito medo de cometer erros e param demais o jogo”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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