Itália

‘Tenho de pedir desculpas pelo que fiz em 2007’: Materazzi se lembra de Riva

Marco Materazzi trabalhou com Gigi Riva na Seleção Italiana e nutre grande carinho pelo ídolo, falecido na última segunda-feira (22)

A perda de Gigi Riva, o maior artilheiro da história do Cagliari e da Seleção Italiana, deixou o futebol italiano órfão de um dos seus grandes ídolos. Ele faleceu na última segunda-feira (22) após sofrer uma parada cardíaca um dia antes. Houve uma mobilização nacional para prestar condolências ao ex-jogador e outro nome gigante da Squadra Azzurra se solidarizou pela partida do Rombo di Tuono (Estrondo do Trovão, em português): o ex-zagueiro e campeão do mundo Marco Materazzi.

Ele usou sua conta na rede social Instagram para se despedir daquele que por 25 anos foi o coordenador técnico da Seleção Italiana e por quem nutria um grande carinho. Materazzi lembrou da vez que encontrou o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter, em 2007, e não queria cumprimentá-lo porque o então mandatário o máximo do futebol não esteve na final da Copa do Mundo de 2006 para dar o troféu à Itália. Com sua simpatia e carisma de sempre, Gigi Riva tentou aconselhar o zagueiro com Blatter, mas Marco recusou e depois pediu desculpas ao ídolo italiano, reiterando o pedido de perdão.

– Gigi, sei que você me perdoou, mas talvez seja o momento certo para pedir desculpas pela única vez em que não te escutei. Naquele dia de janeiro de 2007, em Roma, quando foi Blatter quem veio nos pedir desculpas: ele não tinha nos dado a copa do mundo em Berlim. Você me pediu para ser gentil com ele. ‘Não, Gigi, eu não vou apertar a mão dele, nunca, nunca…’ Você fez de tudo para minimizar o momento, mas sabe como eu sou – escreve o ex-zagueiro que virou ídolo na Internazionale.

Materazzi também lembrou como Gigi o defendia quando sofria ataques, provavelmente suporte importante quando o zagueiro sofreu críticas por provocar e depois levar uma cabeçada de Zinedine Zidane na final da Copa. O ex-zagueiro ainda falou como o ídolo do Cagliari e da Itália o convenceu a defender por mais tempo a Azzurra antes de fazer sua última partida pelo selecionado, em 2008, na Eurocopa daquele ano.

– Você sabia tão bem que talvez tenha sido você quem sempre me defendeu mais do que qualquer outra pessoa, quando tantos me atacaram. E certamente foi você quem adiou minha despedida da camisa azul. Eu estava no Cagliari com o Inter, você veio me visitar no campo de treinamento para me convencer de que minha ideia de deixar a seleção nacional era errada – finalizou a mensagem.

A despedida de Materazzi para Gigi Riva (Foto: Reprodução/Redes sociais)

O funeral de Luigi Riva comoveu a Sardenha e levou 30 mil pessoas nesta quarta-feira (26). Figuras importantes do futebol italiano compareceram, como Gianfranco Zola e Gianluigi Buffon, além de todo elenco do Cagliari, o técnico Claudio Ranieri e o presidente do clube, Tommaso Giulini. A primeira cerimônia foi no estádio Unipol Domus, do Cagliari, e depois na Basílica de Bonaria, antes dele ser sepultado no cemitério monumental de Bonaria, ao lado da basílica.

Riva era a referência técnica do Rossoblu nas décadas de 60 e 70, sendo o artilheiro três vezes da Serie A, incluindo na temporada 1969/70, quando conquistaram o único título nacional do clube com duas rodadas de antecedência. O apelido Rombo di Tuono veio pela força nas finalizações com o pé esquerdo. Terminou a carreira com 208 gols no time da Sardenha, um verdadeiro matador que jogava como segundo atacante com a camisa 11 e também tinha velocidade, qualidade técnica e ótimo no jogo aéreo. Mostrou isso também com Seleção Italiana, conquistando a Eurocopa de 1968 (marcando na final) e titular no vice da Copa do Mundo de 1970.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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