Copa da Itália

Mourinho: “A Copa da Itália é a pior Copa da Europa, não protege os times menores”

Treinador português criticou a Copa da Itália pela forma como ela protege os clubes grandes, como a sua Roma, e citou o exemplo do Torino

José Mourinho é um treinador com personalidade forte e mostrou isso mais uma vez nesta quinta-feira, após a vitória por 1 a 0 da sua Roma diante do Genoa, pela Copa da Itália. Apesar do triunfo do seu time, o português foi bastante duro com a organização da competição, que beneficia muito os clubes maiores, como a própria Roma. Não por acaso, o técnico chamou a Copa da Itália de a pior da Europa.

“Primeiro de tudo, eu vou dizer que gostaria de vencer, ganhei uma vez contra a Roma, adoraria vencer jogando com a Roma em Roma. Acho que é a pior Copa da Europa, não protege os times menores”, opinou o treinador.

“Não faz um show, estou falando sobre o Torino, por exemplo, que ganhou em campo do campeão italiano, Milan, então eles tem que jogar a próxima fase eliminatória fora de casa, não entendo esta estrutura da Copa da Itália”, afirmou Mourinho.

“Jogamos contra um time de Serie B com o estádio lotado, se há estádios vazios, eles tem que entender por que estamos com estádios cheios e outros não. No ano passado terminamos em sexto, no ano anterior terminamos em sétimo e quero investir na Copa da Itália, mas um time menor não quer jogar, qual a motivação que essas pessoas têm?”.

“O Torino ganhou contra o campeão italiano, eles fizeram uma grande história nas oitavas de final e terão que jogar fora de casa. Onde está a beleza da Copa da Itália? Seria bom jogar em um campo da Serie B ou da Serie C, onde está isso? As pessoas aceitam isso”, continuou.

“O próximo jogo eliminatório será ou em Nápoles ou em casa com a Cremonese e, se perdermos, como no ano passado, iremos perder, mas tentaremos vencer. Para um elenco como o nosso, jogar três competições juntas é muito difícil”, afirmou ainda o treinador. “Se queremos vencer a Copa da Itália, não direi que queremos, porque todos querem, vamos tentar vencer o próximo jogo do torneio”.

Seleção portuguesa

“Estou feliz e sempre dou o melhor, isso que importa. Sempre dou o meu melhor no que faço, se não falei por dois meses foi porque estava suspenso e nunca falo quando estou”, disse Mourinho.  

“Hoje posso falar com vocês e dizer algo que talvez não interesse muito a vocês, mas quero agradecer ao presidente da Federação Portuguesa, que me deixou muito orgulhoso”, contou. “Ele me disse que não era apenas a única opção, mas que ele faria tudo para me levar para casa e me deixou muito feliz. Não aconteceu, estou aqui e darei o meu melhor”.

Lamento por vaias a Zaniolo

Mourinho comentou sobre a vitória por 1 a 0 sobre o Genoa, que garantiu a classificação da Roma às quartas de final. “O time sempre dá o seu melhor, quando você joga 40-50 jogos em uma temporada, parece que não damos o nosso melhor. O time e os jogadores são intocáveis desse ponto de vista. Paulo é um jogador que faz o time e o técnico melhores, há técnicos que têm quatro ou cinco jogadores como ele, alguns têm 11, alguns têm 20”, afirmou o treinador.

“Não tem nem sete, nem oito, com Dybala a música é diferente. O time estava criando muito, não vamos esquecer que Gilardino [técnico do Genoa] armou bem o time, eles foram capazes de construir a partir de trás e gostei muito disso. Quero dar crédito ao time”, continuou o treinador.

“Não sou mais uma criança, logo terei 60 anos, mas eu sei que quando você dá tudo de si, você não precisa dar mais. Quando um jogador dá tudo, ele sempre tem minha afeição. Sinto muito ouvir vaias para Zaniolo, peço que as pessoas não vaiem meus jogadores”.

“Lamento muito a vaia no momento da substituição. Uma das coisas que me dá orgulho são os números no Olimpico, que está sempre lotado, fico muito satisfeito, mesmo que não seja uma obra minha”, disse. “A empatia foi construída ao longo do tempo, como grupo, sempre damos tudo de nós, e lamento que tenha ouvido vaias para Zaniolo, ele é um grande exemplo de um cara que dá tudo de si”.

“Aprendi quando criança que se você dá tudo que tem, você não pode dar mais. Zaniolo dá tudo que tem, minha história na Roma é pequena, mas as pessoas me ouvem. Eu digo que eles podem vaiar o time, o técnico, o resultado, mas não os jogadores individualmente. Sinto muito por Zaniolo, sinto muito que o clube não teve a personalidade de ir em frente”.

O técnico ainda comentou sobre a saída de Lorenzo Pellegrini, substituído no intervalo por uma lesão. “Amanhã veremos, mas há alguns problemas. Queria fazer tudo para não irmos para a prorrogação. Esta noite tivemos trabalho em equipe e controle coletivo da partida, os três defensores nos deram grande segurança. Dybala, contudo, é algo a mais, ele tem algo de diferente”, afirmou o técnico.

Mourinho ainda foi perguntado sobre o confronto de torcedores do Napoli e da Roma, em uma estrada. “Eu treino a Roma, esse é o meu papel. De acordo com algumas pessoas, eu treino mal, mas o meu trabalho é só esse, treinar o time”.

O treinador ainda foi perguntado sobre uma declaração do diretor do clube, Tiago Pinto, dizendo que a Roma tem o que precisa para terminar entre os quatro primeiros. “O diretor é o diretor. Não acho que o técnico deveria comentar suas declarações”, desviou o português.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
Botão Voltar ao topo