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Balotelli define retorno à seleção italiana como seu principal objetivo e diz se arrepender de ter deixado o City

O atacante de 31 anos, voltando a fazer gols na Turquia, foi chamado por Roberto Mancini para um período de treinamentos no final de janeiro, seu primeiro envolvimento com a seleção em quatro anos

Após rodar por diversos clubes e preencher colunas de jornais com histórias mirabolantes (algumas verdadeiras, outras nem tanto), Mario Balotelli está em um momento diferente da sua carreira. Aos 31 anos, reencontrou sua veia artilheira pelo Adana Demirspor, do Campeonato Turco, e tem um grande objetivo em mente: retornar à seleção italiana e classificá-la para a Copa do Mundo de 2022.

Balotelli não atua pela Itália desde setembro de 2018, quando era jogador do Nice. Foi um breve retorno após quatro anos afastado da seleção. Desde então, teve uma passagem rápida pelo Olympique Marseille e um período conturbado no Brescia antes de encerrar a temporada 2020/21 pelo Monza, clube da segunda divisão que é propriedade de Silvio Berlusconi, seu antigo chefe no Milan.

Roberto Mancini incluiu Balotelli em sua convocação para um campo de treinamentos no final de janeiro, pensando na repescagem que será disputada em março. A Itália enfrenta a Macedônia do Norte na semifinal e, se vencer, encara Portugal ou Turquia por uma vaga no Catar.

Em entrevista ao ex-colega de Manchester City, Nedum Onuoha, para o The Athletic, Super Mario também falou que se arrependeu de ter saído do clube inglês em janeiro de 2013, que ainda acredita que tem qualidade similar à de Cristiano Ronaldo e Messi, embora admita que tenha perdido “algumas chances” de ser do mesmo nível dos dois craques, e comemora que está em uma fase mais quieta da sua vida.

“O único objetivo que tenho é ir à seleção e tentar levar o time italiano à Copa do Mundo, e também tentar ficar nos três primeiros lugares (do Campeonato Turco) com o Adana. Eu sei que não é fácil, mas são provavelmente os dois objetivos que tenho em mente, a coisa mais importante neste momento”, disse o atacante que fez 10 gols em 22 rodadas da Superliga da Turquia. “Eu sinto que pode ser assim pelo resto da minha carreira e é o que eu quero. Eu quero voltar para a seleção. Os últimos dois anos não foram fáceis para mim, no Monza e no Brescia. Tive algumas lesões também. Para mim, a normalidade seria estar na seleção. O que não é normal é quando não estou. Então estou trabalhando para estar lá em março e espero que ele (Mancini) me escolha”.

Balotelli saiu do Manchester City para o Milan, no qual teve bons momentos, antes de retornar à Inglaterra para defender o Liverpool por uma temporada. “Eu acho que meu maior erro foi ter saído do City. Mesmo no ano depois que eu sai, eu joguei muito bem pelo Milan por um ano e meio, mas, depois disso, tive alguns problemas. Agora que sou mais velho, eu sei que não deveria ter saído do City naquele momento. Todos aqueles anos com o City melhorando, melhorando, melhorando. Eu poderia ter sido que nem Sergio Agüero por um longo tempo. Se tivesse a mentalidade que tenho agora, quando estava no City eu provavelmente poderia ter ganhado uma Bola de Ouro, tenho certeza sobre isso. Mas, sabe, quando você cresce, você fica mais maduro”, disse.

Principalmente na Inglaterra, com uma vívida indústria de tabloides, não faltaram histórias pitorescas sobre Mario Balotelli. Muitas delas, segundo o atacante, falsas. “Às vezes eu estava em casa e alguém me ligava e dizia ‘eles estão falando que você fez isso e aquilo’. E eu: ‘é impossível, estou em casa’. Eles criaram tantas histórias, criaram o Mario Balotelli na Inglaterra. Mas, para ser honesto, eu era mais quieto do que eles pensavam. Mas provavelmente as pessoas gostam dessa parte… a maioria do tempo, não era verdade. Às vezes, sim. A maioria das coisas que as pessoas pensam de mim não é real”, afirmou.

Agora em Adana, Balotelli está feliz por levar uma vida mais fora dos holofotes. “No momento não há muitas pessoas falando mal de mim. Estou muito quieto. Eu não faço nada especial. Estou sempre treinando. Graças a Deus eu vivo em uma cidade em que não há muita coisa para fazer. Eu posso ir ao cinema ou algo assim, então não tem muita conversa. E é o que eu sempre quis. Eu quero que as pessoas falem sobre futebol, não sobre a minha vida, sabe, e isso está acontecendo, então estou feliz”, acrescentou.

E ele ainda acredita que tinha a mesma qualidade de nomes como Ronaldo e Messi. “Eu perdi algumas chances de estar naquele nível, mas tenho 100% de certeza que minha qualidade é do mesmo nível dessas pessoas. Mas… eu perdi algumas chances, sabe? Acontece. Hoje em dia, não posso dizer que sou tão bom quanto Ronaldo porque Ronaldo tem quantas Bolas de Ouro? Cinco? (Sim: cinco). Você não pode se comparar com Messi e Ronaldo, ninguém pode, mas se estamos falando apenas de qualidade, qualidade de futebol, eu não tenho que ter inveja deles, sendo honesto”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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