Itália

A redenção continua: Parma conquista mais um acesso e estará na Serie B 2017/18

O Parma completou o segundo passo de sua reconstrução rumo à elite do Campeonato Italiano. A etapa vencida nesta temporada foi muito mais penosa que a anterior. Os gialloblù encontraram concorrentes bem mais qualificados na disputada Lega Pro, a terceira divisão da liga nacional. Não à toa, chegaram a demitir o velho ídolo Luigi Apolloni, então técnico, responsável pelo acesso na Serie D em 2016. Sem alcançar o Venezia de Filippo Inzaghi no topo do Grupo B, o clube precisou enfrentar o inferno dos playoffs, com 28 candidatos a uma mísera vaga na segundona. Pois o time capitaneado por Alessandro Lucarelli se superou, passando por quatro etapas eliminatórias. Neste sábado, na decisão contra a Alessandria, o Parma contou com o apoio de sua torcida em Florença e derrotou os fortes concorrentes por 2 a 0. Ao final, celebrou o peso mais leve pela nova montanha escalada.

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Apesar das dificuldades financeiras que culminaram em sua falência em 2015, o Parma possui uma estrutura econômica acima do nível comum da Lega Pro. Impulsionados por empresários locais e principalmente pelos torcedores, que abraçam o projeto de reconstrução do clube, os gialloblù montaram um elenco competitivo. Trouxeram vários jogadores de Serie B e veteranos, incluindo aí o centroavante Emanuele Calaiò, principal referência ofensiva. Todavia, depois de muito oscilar no primeiro turno da temporada regular, o time não conseguiu alcançar o Venezia no topo da tabela do Grupo B, que garantia o acesso direto. Segundo colocado, não teria grandes privilégios para encarar os percalços playoffs.

Foi então que a equipe treinada por Roberto D’Aversa, no comando desde dezembro, se superou. Eliminou com certa tranquilidade Piacenza e Lucchese, em jogos de ida e volta, até chegar ao ‘Final Four’ da Lega Pro. Diante do Pordenone, nas semifinais, os gialloblù tomaram o empate aos 35 do segundo tempo e só avançaram nos pênaltis, em triunfo selado por uma cobrança de Alessandro Lucarelli. Já neste sábado, a decisão contra a Alessandria, que só não havia conquistado o acesso direto por ter desvantagem no confronto direto com a Cremonese no Grupo A.

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O retrospecto, no entanto, pouco valeu no Estádio Artemio Franchi. Após boa jogada de Calaiò, Manuel Scavone abriu a contagem durante o primeiro tempo, de cabeça. Já na segunda etapa, quando os adversários ameaçavam crescer em busca do empate, Manuel Nocciolini fechou a conta em lance de pura raça. Enorme festa em azul e amarelo, com os milhares de torcedores que viajaram até Florença. Entre estes, Hernán Crespo, acompanhando o clube pelo qual estourou na Europa e começou a carreira como técnico.

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Símbolo do Parma na falência e também no reerguimento, Alessandro Lucarelli teve o gosto de levantar a taça. O zagueiro, que assumiu o espírito do clube de se doar ao máximo quando beirava o abismo na Serie A, mesmo com os salários atrasados, recebe os merecidos louros por seu comprometimento. Às vésperas de completar 40 anos, foi titular em quase toda a competição, apesar dos problemas físicos que o tiraram de campo durante parte dos playoffs. Tem contrato até o final do mês, o que torna sua participação na Serie B incerta. De qualquer maneira, deve seguir como uma influência ao menos nos bastidores dos gialloblù, especialmente pela liderança que exerceu nos últimos anos. Com mais de 300 jogos pelo clube, parte do elenco desde 2008, sua grandeza no Ennio Tardini é inegável.

“Foi um acesso conquistado com os dentes. Só nós sabemos o que passamos nos vestiários. Mas resolvemos todos juntos superar as dificuldades e seguimos em frente provando que temos coração. Sobre o meu futuro, quero ter um pouco de descanso e então vou conversar com a minha família. Se fosse pelo meu irmão Cristiano, eu não teria nem disputado a Serie D, para não manchar a carreira. Ao invés disso, eu sempre confiei na reconstrução do Parma, mesmo que o reinício do clube após a falência fosse incerto. É um milagre que se repaga a nós”, declarou Lucarelli, às lágrimas, na saída de campo.

No fim das contas, o Parma complementa o quarteto de camisas pesadas que retornam à Serie B na próxima temporada. Foggia, Venezia e Cremonese também subiram. Uma pena pela Alessandria, outro clube histórico que faz grande trabalho recente e ficou a um triz de voltar à segundona após 42 anos. Mas apenas um poderia sorrir e, neste caso, a alegria acabou sendo dos gialloblù. Resta aguardar as cenas da comemoração na própria cidade, especialmente na recepção aos ‘campeões’. Orgulho por um espírito de luta que não tem fim, e fica só a mais um passo da Serie A.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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