InglaterraMundo

Yayá Touré detona fim da força-tarefa contra racismo: “Torcedores e jogadores irão sofrer”

A Fifa acabou com a força-tarefa que combatia o racismo e a reação foi muito negativa. Jogadores, torcedores e muitas pessoas ligadas ao futebol ficaram insatisfeitos com a decisão da entidade que comanda o futebol mundial. Um deles foi Yayá Touré, meio-campista do Manchester City, que foi vítima de racismo na Rússia, em um jogo pela Champions League contra o CSKA Moscou, em outubro de 2013. O marfinense era parte da força-tarefa e lamentou muito o fim das atividades.

LEIA TAMBÉM: “Jérôme, seja nosso vizinho”: torcida rebate preconceito de político alemão sobre Boateng

Touré, de 33 anos, ficou revoltado, compreensivamente, ao ouvir insultos racistas. Por isso, foi convidado a participar da força-tarefa para ajudar a Fifa a direcionar suas ações e criar modos de combater este problema. E o marfinense questionou os motivos do fim da força-tarefa. “A Fifa está sendo complacente pela Copa do Mundo na Rússia?”, disse o jogador.

“Os torcedores e jogadores que irão sofrer se a Fifa não fizer isso certo”, continuou o jogador. “Quando eu recebi a carta me dizendo que a força-tarefa da Fifa foi descontinuada, eu fiquei muito decepcionado. A carta listava o bom trabalho que foi feito como resultado dos conselhos e recomendações da força-tarefa. Então, a minha pergunta é: depois de falhar em combater o racismo por décadas, por que parar quando algo começou a funcionar?”.

O episódio de racismo sofrido por Touré fez o jogador do Manchester City dizer que os jogadores negros deveriam boicotar a Copa do Mundo da Rússia. Algo, claro, que a Fifa não gostaria que acontecesse, ainda mais porque há uma boa parte dos jogadores de alto nível do mundo que são negros.

O príncipe Ali bin al-Hussein, candidato derrotado à presidência da Fifa e presidente da Federação de Futebol da Jordânia, afirmou que o fim da força-tarefa é “extremamente preocupante”. A Kick It Out, uma ONG que trabalha combatendo o racismo, afirmou em nota estar “perplexa”.

Vale lembrar que quem comandava a força-tarefa quando ela foi criada era Jeffrey Webb, ex-presidente da Concacaf, indiciado no escândalo Fifagate. Ele está preso pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, acusado de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro. Sim, era este dirigente, com esta ficha corrida, que atuava na força-tarefa. Ainda assim, o trabalho seguia.

Entre as recomendações da força-tarefa estava ter observadores extras nos jogos e punições pesadas para clubes que tiveram seus jogadores, dirigentes ou torcedores que cometam atos racistas. No começo deste mês de setembro, a Uefa puniu o Rostov a jogar com uma parte do seu estádio fechado nas partidas da Champions League por atos racistas de seus torcedores. Rostov-on-don é uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2018.

Chamada Trivela FC 640X63

 

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo