Inglaterra

Yarmolenko saiu do banco, marcou e chorou pela Ucrânia: “É difícil pensar em futebol neste momento”

O capitão da seleção ucraniana protagonizou uma das cenas do fim de semana ao abrir o placar para o West Ham contra o Aston Villa

Uma das cenas do fim de semana foram as lágrimas de Andriy Yarmolenko. O atacante do West Ham saiu do banco de reservas aos sete minutos do segundo tempo e abriu o placar da vitória por 2 a 1 sobre o Aston Villa com um chute certeiro no canto. O capitão da seleção ucraniana tentou resistir às lágrimas em um primeiro momento, mas, cercado pelos companheiros, sucumbiu.

A substituição já havia sido comemorada como se fosse um gol. Quando o gol de fato saiu, o locutor do estádio gritou “gol para West Ham e Ucrânia”. Foi o seu primeiro pela Premier League nesta temporada. Também por lesão, Yarmolenko tem sido um jogador secundário dos Hammers desde que foi contratado do Borussia Dortmund em 2018. Mas no último domingo, foi protagonista.

“É tão difícil para mim neste momento pensar sobre futebol porque todos os dias o exército russo mata o povo ucraniano”, afirmou Yarmolenko, referindo-se à invasão iniciada pelo presidente russo Vladimir Putin em 24 de fevereiro. “Para ser honesto, não sei o que dizer”, continuou, à Sky Sports. “Quero apenas agradecer meus companheiros, que me apoiam o tempo todo, todos os dias. Os torcedores do West Ham, que também me apoiam e apoiam o povo ucraniano, e também todo o povo britânico porque sentimos o seu apoio. Obrigado, de verdade”.

Yarmolenko fez seu primeiro jogo pelo Campeonato Inglês desde 16 de janeiro. Ele diz que tem treinado menos nas últimas semanas porque precisou tirar um tempo para assimilar o que acontece no seu país de origem. “Eu senti o apoio dos torcedores e tentei dar tudo em campo porque eu sei quão importante era o jogo. Eu não estou 100% pronto porque nas últimas duas semanas eu treinei talvez três ou quatro vezes”, disse. “Desde 26 de fevereiro, tive que descansar por quatro dias porque era impossível treinar. Eu conseguia apenas pensar na minha família e no meu povo. Eu só tentei dar tudo em campo”.

O técnico David Moyes disse que está dando a Yarmolenko todo o tempo que ele precisa e fica feliz que o futebol pode ser um pequeno escape para ele. “Sua família está segura no momento, ele me diz. Ele quer ter certeza que todo mundo está bem e tem muita coisa na cabeça. Às vezes, o futebol é um alívio e felizmente ele teve um pouco de alívio indo a campo e marcando, mas há coisas mais importantes na vida que futebol”, afirmou.

Ao marcar, Yarmolenko ergue os braços aos céus e se ajoelha no gramado. Cercado por companheiros, esconde o rosto nas mãos, visivelmente emocionado, e deixa as lágrimas correrem.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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