Na contramão da Fifa, Federação Inglesa quer testar desafio do técnico no VAR
Federação analisa aplicar mudanças semelhantes a outros esportes
A Federação Inglesa de Futebol (FA) estuda implementar testes com um novo formato de uso do árbitro de vídeo. A proposta, inspirada em outros esportes, prevê a introdução da “revisão do técnico”, mecanismo que permitiria ao treinador solicitar checagens em vídeo para lances duvidosos durante as partidas.
De acordo com o jornal “The Telegraph”, o modelo deve limitar cada equipe a duas revisões sem sucesso por jogo. A ideia é que o VAR e outras tecnologias continuem responsáveis apenas por decisões factuais — como impedimentos —, enquanto os lances subjetivos, como faltas e toques de mão, dependeriam do desafio do técnico.
Sistemas semelhantes já são usados em outras modalidades. A Super League de rúgbi conta com a “revisão do capitão” e a NFL utiliza um modelo parecido com o desejado pela FA há anos.
— O que podemos aprender com isso? Há elementos disso que deveríamos considerar adotar no futuro? Porque isso muda a dinâmica, reduz o número de vezes que há intervenção do VAR e, efetivamente, coloca a responsabilidade sobre o treinador — afirmou o diretor executivo da FA, Mark Bullingham em entrevista ao jornal.
— O VAR foi inicialmente introduzido para decidir lances decisivos em partida e a FA não é favorável a estender seus poderes para aumentar as interrupções — disse o dirigente.
Entendimento da FA sobre o árbitro de vídeo vai em corrente diferente da Fifa
A iniciativa, no entanto, contrasta com a tendência da Fifa. Na reunião da International Board (Ifab) no último fim de semana, o alcance do árbitro de vídeo foi aumentado para cobrir escanteios — caso a federação ou a liga responsável pelo torneio queira usar — e segundos cartões amarelos já na próxima Copa do Mundo.
O encontro da Ifab definiu, ainda, uma revisão de dois anos sobre futuras melhorias no árbitro de vídeo.
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— Acho que isso é algo que podemos continuar aprendendo à medida que testamos esse modelo nas partes do jogo que, fundamentalmente, não podem se dar ao luxo de um VAR completo no momento – mas isso não significa que seja necessariamente o modelo errado para o futuro — declarou Bullingham.
— Está em curso uma revisão para analisar a melhor forma de utilizarmos o VAR e o equilíbrio entre acertar nas decisões importantes e não tornar o jogo mais lento — reforçou.
Modelos de baixo custo utilizando número reduzido de câmeras vêm sendo experimentados. No ano passado, o Football Video Support (FVS) chegou ao Brasil e foi utilizado em competições do interior paulista e também no Paulistão Feminino.
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Novas regras de arbitragem a partir da Copa
A IFAB também confirmou um pacote de mudanças que promete alterar o ritmo das partidas a partir da próxima Copa do Mundo. As novas diretrizes entram em vigor em 1º de junho e passam a valer nas competições europeias da próxima temporada.
No campo prático, laterais e tiros de meta passam a ter limite de cinco segundos a partir do início da contagem regressiva feita pelo árbitro. Caso o tempo seja excedido em um lateral, a posse será revertida ao adversário. Já no tiro de meta, o descumprimento resultará em escanteio para o time oponente.
Também passa a valer a exigência de que jogadores atendidos por equipe médica permaneçam fora de campo por, no mínimo, um minuto antes de retornar, evitando paralisações estratégicas.
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Já com relação ao impacto direto do VAR, árbitro de vídeo poderá corrigir, de forma imediata e sem necessidade de revisão no monitor, equívocos evidentes na marcação de escanteios ou tiros de meta.
Ele também estará autorizado a intervir em situações envolvendo possível erro na aplicação de um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão.