Inglaterra

Liverpool: Os motivos por trás das dificuldades de Salah na atual temporada

Egípcio não consegue manter seu padrão e não marcou na Premier League nos últimos dez jogos

Desde que trocou a Roma por Anfield em 2017, Mohamed Salah se consolidou não apenas como um dos maiores jogadores da história do Liverpool, mas também como um dos maiores nomes da Premier League de todos os tempos.

Com 252 gols e 121 assistências em 430 partidas pelos Reds até o momento, Salah ocupa atualmente o terceiro lugar na lista de maiores artilheiros da história do clube e detém o recorde de maior número de participações em gols por um único clube na história da liga.

No entanto, o egípcio não conseguiu manter seus próprios padrões elevados em 2025-26 e vive atualmente um jejum de 10 jogos sem marcar na Premier League. Isso reacendeu debates sobre as possíveis causas de uma queda tão drástica, além de levantar questionamentos sobre seu futuro no clube.

Mohamed Salah teve um declínio físico nesta temporada?

Quando o Liverpool negociava a renovação contratual com o camisa 11 na temporada passada, uma das principais preocupações era que qualquer extensão o levaria até a metade dos 30 anos.

Esses temores eram frequentemente rebatidos por quem destacava que o jogador de 33 anos é elogiado por companheiros e treinadores por sua ética exemplar em termos de preparo físico e condicionamento.

Salah em ação pelo Liverpool
Salah em ação pelo Liverpool (Foto: Imago)

Por outro lado, destinar uma parcela tão significativa da folha salarial a um atleta possivelmente além do auge físico era visto como um risco.

No fim das contas, Salah assinou um contrato que representou um meio-termo: tornou-se o jogador mais bem pago da história do clube, com salário de 400 mil libras por semana, mas por apenas dois anos, com vínculo até 2027.

Após a fracassada defesa do título nesta temporada, ganhou força a opinião de que Salah teria sofrido um declínio físico, tese defendida por comentaristas ligados ao Liverpool, como Jamie Carragher.

Na prática, porém, os números contam outra história. O egípcio registrou média de 15,1 sprints por jogo em 2024-25, contra 14,8 nesta temporada antes de viajar para a Copa Africana de Nações em dezembro — uma queda apenas marginal.

Além disso, o atacante percorreu em média 9,3 km por partida da Premier League na temporada passada, enquanto nesta vinha registrando 9,7 km antes da Copa Africana — um aumento justamente no momento em que as críticas sobre sua forma física atingiam o ápice.

Embora esses dados não ofereçam um retrato completo do perfil físico do jogador, o fato de apresentar números semelhantes aos do ano anterior dificulta sustentar a tese de um declínio físico natural como principal causa de suas dificuldades.

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Arne Slot está tirando o melhor de Salah?

Se a perda física não explica a queda de rendimento, talvez a abordagem tática de Arne Slot em 2025-26 não esteja potencializando os pontos fortes do camisa 11.

Slot já demonstrou ser capaz de extrair o máximo do craque: seu sistema permitiu que Salah marcasse 29 gols e desse 18 assistências na campanha do título da Premier League na temporada passada, participando diretamente de 54,7% dos 86 gols do clube na competição.

No entanto, com as chegadas de Florian Wirtz, Hugo Ekitike e Alexander Isak, ficou evidente que os Reds planejavam deslocar o foco ofensivo para uma nova geração.

Arne Slot e Salah após partida contra o PSV, pela Champions League (Foto: Imago)

Embora seja prudente se preparar para um futuro pós-Salah, essa mudança de protagonismo pode estar diretamente ligada à queda drástica de produção do astro.

Como reflexo dessa mudança, Salah tem média de apenas 7,5 toques na área por jogo em 2025-26 — uma redução de 25% em relação aos 10 toques médios das três temporadas anteriores.

Proporcionalmente, apenas 15% de seus toques ocorreram dentro da área nesta temporada, contra 21% no ano passado — estatística alinhada à redução de sua ameaça ofensiva e sintoma da decisão de Slot de utilizá-lo mais aberto.

Também é importante lembrar que Trent Alexander-Arnold era peça-chave na construção ofensiva antes de sua saída para o Real Madrid, e o impacto de sua ausência sobre Salah — e sobre o time como um todo — não deve ser subestimado.

Ainda assim, o egípcio soma seis gols e quatro assistências na Premier League, números superiores aos de Bukayo Saka (cinco gols, três assistências) e Cole Palmer (oito gols, uma assistência). Talvez, portanto, Salah esteja sendo vítima dos próprios padrões elevados que estabeleceu.

Mohamed Salah será vendido na janela de verão de 2026?

Segundo a “BBC Sport”, a possibilidade de Salah ser vendido ao fim da temporada é “cada vez mais provável”, e os valores envolvidos ajudam a explicar por quê.

Sob o comando da Fenway Sports Group, o Liverpool tem sido administrado de forma cautelosa, priorizando sustentabilidade financeira em vez de grandes aportes diretos dos proprietários.

Salah pelo Liverpool (Foto: Imago)
Salah pelo Liverpool (Foto: Imago)

Recentemente, o clube divulgou que as receitas totais de 2024-25 atingiram o recorde de 703 milhões de libras, garantindo a quinta posição no relatório especializado da Deloitte Football Money League.

Atualmente quinto na Premier League, o Liverpool corre risco de dar um passo atrás caso não consiga ultrapassar Aston Villa (quarto) ou Manchester United (terceiro).

Diante desse cenário, parece improvável que Salah permaneça em Merseyside além do fim desta temporada sem uma reviravolta significativa, considerando que seu salário de 400 mil libras semanais já não é compensado por uma produção tão dominante quanto antes. Além disso, o CEO Michael Edwards e o diretor esportivo Richard Hughes dificilmente permitirão que o jogador saia gratuitamente em 2027.

Os números reforçam a ideia de que a lenda do Liverpool pode ser negociada com um clube da Saudi Pro League, cujo projeto ambicioso há tempos vê Salah como uma das grandes joias potenciais.

Foto de Axel Clody

Axel ClodyColaborador

Axel acompanha de perto todas as principais histórias do mundo do futebol, embora mantenha um carinho especial pelos clubes do norte da França — do Lens ao Lille, passando por Dunkerque — desde que se mudou da região

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