InglaterraPremier League

Van Gaal diz que Falcao no sub-21 não é humilhante, mas não parece assim

Falcao García chegou ao Manchester United como o último grande negócio de uma janela de transferências movimentada. O craque para tornar ainda mais letal o ataque, ao lado de Van Persie. No entanto, dá para contar nos dedos os bons jogos do colombiano nos últimos sete meses. Pior do que a falta de perspectivas de que seu empréstimo seja renovado, é a falta de espaço do centroavante no próprio time. A gota d’água aconteceu nesta semana, com Falcao “relegado” ao time sub-21 – que admite três jogadores acima da idade em campo.

LEIA MAIS: O Arsenal viveu uma noite em Old Trafford para relembrar os seus grandes momentos

Logicamente, o jeito como acabou deixado de lado prejudicou ainda mais a imagem de Falcao em Manchester. Ainda que Louis van Gaal tenha afirmado que não quis humilhar o astro. Pelas palavras do treinador, na verdade, a impressão é de que ele pretendeu mais mexer com os brios do atacante. Algo que nem sempre é compreendido dessa maneira, inclusive pelo próprio jogador.

“Eu deixou os meus jogadores atuarem no segundo time. Eu li nos jornais que isso é uma humilhação. Eu não concordo. É uma atitude profissional do técnico, do clube e principalmente do atleta. Não apenas Falcao jogou, mas também Victor Valdés e Rafael. Rafael fez uma ótima partida e anotou um gol. Por causa disso, ele pode elevar a sua confiança”, analisou o treinador, em coletiva de imprensa.

“Esse é um nível inferior e eles podem jogar mais de 70 minutos. Não é normal nos treinos. Todo jogador precisa de ritmo. Pagamos muito a eles, então é normal que eles joguem futebol para nós e isso pode acontecer no segundo time. Todos os jogadores que não estão no time principal tem que atuar algumas vezes. Ele precisa de mais minutos no segundo time. Falcao não fez a sua melhor partida, mas pelo menos ele tentou o seu melhor. Mais eu não posso cobrar”, completou o holandês, em palavras que não são exatamente as mais motivadoras.

VEJA TAMBÉM: Fim de semana de briga na ponta da Ligue 1, clássicos e duelos por redenção

Falcao anotou quatro gols em 20 partidas pelo Manchester United até o momento, ainda que tenha saído do banco de reservas na maioria delas. A média de gols é a pior do colombiano por um clube, e muito inferior aos seus números desde que chegou à Europa. Defendendo Porto, Atlético de Madrid e Monaco, El Tigre fez 141 tentos em 199 jogos – média de 0,7 por partida, mais do que o triplo pelos Red Devils.

Van Gaal afirmou que segue apostando em Falcao, ainda que a sua sequência passe longe do esperado: “Nós estamos procurando uma solução para ele, mas nunca dá para saber quando teremos isso. Há um monte de aspectos que você não pode controlar como técnico, nem como jogador. Essa também é a beleza do futebol. Você pode ter atuações fantásticas em um país, mas não em outro. Esse não é o primeiro e nem o último exemplo. Muitos precisam de mais tempo para se adaptar a uma nova situação, a uma nova cultura, ao ritmo do jogo”.

A adaptação de Falcao ao Manchester United, pelo visto, dificilmente durará além de maio. Sua má fase tem explicações que vão além das dificuldades na chegada à Premier League, especialmente diante da grave lesão no joelho que sofreu antes da transferência. A soma de fatores vem junto com a aparente falta de confiança do jogador, sem demonstrar sua capacidade de finalização ou o ótimo posicionamento de outros tempos. Além de respingar um pouco no próprio Van Gaal.

Que Falcao esteja mal, ninguém nega. Porém, também não dá para esconder a falta de encaixe do time, sem identidade há uma temporada e meia. Se o tempo do atacante parece no fim, a paciência com Van Gaal se esgota mais rapidamente do que o seu contrato poderia indicar. E as atuações sem padrão do United apenas contribuem no aumento de sua pressão. A escolha de Falcao sobre o time sub-21 tirou o foco da péssima atuação do time na Copa da Inglaterra, engolido dentro de Old Trafford pelo Arsenal. Mas não pode ser motivo para se esquecer dos tantos outros problemas coletivos dos Red Devils em campo.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo